TESTE – Ford Focus Hatch SE 1.6 Plus

Podia ser um pouco mais Plus.

            O Ford Focus foi lançado em 1998 para substituir o Escort e brigar de igual para igual com carros mais modernos, como o Opel Astra e Volkswagen Golf. Desde que surgiu no Brasil, em 2000, sempre foi um capítulo à parte na história da Ford por aqui. Com grandes qualidades, como uma ótima dirigibilidade e bom acabamento, nunca esteve entre os líderes do segmento. Mas, essa história parece que está mudando com esta nova geração, que recebeu, recentemente, uma atualização de estilo para ficar em linha com a vendida na Europa e Estados Unidos, além de uma boa dose de tecnologia embarcada.

As mudanças ficaram na parte dianteira, com uma nova grade trapezoidal, faróis mais estreitos e pára-choque redesenhado. Um conjunto que deixou o Focus, com um ar mais equilibrado e limpo no conjunto, além de uma pitada mais esportiva que agrada, principalmente, na versão hatch.

O Focus também tem, no preço e na chamada relação custo/benefício, um bom atrativo. Ele parte de exatos R$ 69.900, da versão SE 1.6 hatch de entrada, que já vem de série com: rodas de liga leve de 17 polegadas; freio a disco nas quatro rodas com ABS e EBD; auxiliar de partida em rampa; aviso de pressão baixa dos pneus; sistema de conectividade SYNC com tela colorida de 4,2 polegadas; AppLink e assistência de emergência que, estando com um telefone celular conectado, liga sozinho para o SAMU em caso de acidente. Faróis de neblina; acendimento automático dos faróis; espelho retrovisor eletrocrômico; sensor de chuva; chave programável e ar-condicionado automático de duas zonas, também fazem parte.

Além disso, o sistema AdvanceTrac também é item de série em toda a linha Focus. Ele engloba várias funções que ajudam o motorista a manter o controle e a estabilidade do veículo em diferentes condições. Além do controle eletrônico de estabilidade e tração, ele traz, como novidade, o sistema de estabilidade preventivo (ETS), que age preventivamente antes mesmo de o veículo começar a derrapar, acionando os freios. Também faz parte do sistema o controle de torque em curvas, que distribui melhor a força do motor nas rodas dianteiras, principalmente, em estradas sinuosas; assistência de frenagem de emergência e luz de emergência em frenagens bruscas. Um pacote de segurança ativa muito interessante.

Acrescentando 4 mil reais a esse valor, compra-se a versão SE Plus 1.6, como esta do teste, que acrescenta rodas de liga leve de 17 polegadas exclusivas, airbags laterais, bancos revestidos em couro, sensor de estacionamento traseiro, controle de velocidade de cruzeiro, limitador de velocidade e ar-condicionado automático digital de dupla zona.

O espaço interno é bom para quatro adultos e uma criança, já que no meio do banco traseiro, apesar de contar com cinto de três pontos e apoio de cabeça, o túnel central acaba incomodando quem senta ali. Por ser um hatch, o porta-malas com 300 litros não é dos maiores, mas permite encarar pequenas viagens com a família.

Se por um lado os materiais usados no acabamento interno mantêm o mesmo padrão das versões de segmento superior, como o painel emborrachado e o couro sintético dos bancos, os arremates deixam a desejar e fazem sentir saudades dos antigos Ford que eram referência também nesse quesito. Frestas e junções desalinhadas, inclusive na carroceria, deixam uma má impressão do conjunto, mostrando que a marca precisa melhorar quando o assunto é montagem.

 

Andando com o Focus

            Para o modelo 2016, a suspensão, independente nas quatro rodas, recebeu uma nova calibragem e a carroceria um também novo isolamento acústico. As melhorias fizeram com que o interior ficasse mais silencioso, o que é percebido em pisos mal conservados. E a suspensão não esqueceu o conforto ao rodar, já que continua filtrando com eficiência as irregularidades.

Uma coisa não dá para negar: dirigir o Focus é um prazer. Começa pela boa posição de dirigir conseguida por meio de banco com regulagem de altura e volante com ajustes de altura e profundidade. A visibilidade é boa, com exceção da traseira, por causa das largas colunas, o que dificulta as manobras. Ainda bem que tem os sensores de estacionamento traseiro para ajudar.

Com assistência elétrica, a direção é precisa e tem o peso certo, tanto em manobras quanto em velocidade. Formando uma parceria correta com a suspensão, faz com que o comportamento dinâmico do Focus, tanto em retas como em curvas, seja sempre previsível, aumentando a segurança e a tranquilidade ao dirigir. Sem falar dos freios, que são progressivos e eficientes em qualquer velocidade, principalmente em pisos escorregadios.

A versão SE só é equipada com o motor Sigma 1.6 com 16 válvulas, que entrega 131 cavalos com gasolina e 135 com etanol e câmbio manual de cinco marchas. Um conjunto bem formado, principalmente pelos bons engates do câmbio, mas que se demonstrou muito “justo” quando o assunto é desempenho.

Apenas com o motorista, o Focus vai bem, obrigado. É capaz de fazer de 0 a 100 km/h em 11,4 segundos com etanol e 11,9 com gasolina, e chegar aos 181 km/h (176 km/h) respectivamente, de velocidade máxima. O problema é quando se coloca mais peso. Se o terreno for plano, continua bem, mas com algumas subidas, é preciso reduzir constantemente de marcha para obter respostas mais rápidas, principalmente nas retomadas de velocidade. Ou seja, o desempenho podia ser um pouco mais “plus”.

Por outro lado, faz bonito no consumo. No circuito metade cidade/metade estrada, chegou a bons 8,7 km/l de etanol e 12,2 km/l de gasolina.

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Resumo da ópera. O Focus SE 1.6 Plus é uma opção bem interessante para quem procura um carro com sofisticações tecnológicas e de segurança atuais, que tenha uma boa relação custo/benefício e não se preocupa muito com o desempenho. Para quem procura esse último quesito, o melhor é optar pela versão 2.0 SE. Só que aí a conta vai ficar mais cara.

 

Preços:

Focus Hatch SE 1.6                                   R$ 69.900

Focus Hatch SE 1.6 Plus                         R$ 73.900

Focus Hatch SE 2.0 Aut.                          R$ 80.900

Focus Hatch Titanium 2.0 Aut.                R$ 88.900

Focus Hatch Titanium 2.0 Plus Aut.       R$ 97.900

 

Opcional:

Pintura metálica ou perolizada                R$ 1.200

 

Notas do Emilio para o Focus Hatch SE Plus 1.6

Ficha Técnica Focus Hatch SE Plus 1.6 – 2016

Lista de equipamentos de série – Focus Hatch SE Plus 1.6 – 2016

 

Fotos: Vania e Emilio Camanzi

 

8 comentários em “TESTE – Ford Focus Hatch SE 1.6 Plus

  1. vi a reportagem, achei o face lifit muito bom, painel ficou maravilhoso, agora não entendi a avaliação quanto ao desempenho. O que se espera de um motor 1.6 16v, acho que a ford esta de parabens…se tivesse avaliado até mesmo um 2.0 vá lá, mas estamos falando de um carro quase popular e não de um esportivo…gostaria de entender melhor o critério.

    1. Caro Dawsley
      Desempenho não é apenas esportividade. É também segurança. Como disse no texto, com esse motor o carro ficou “justo”, sendo que com o Focus vazio ele vai bem. Porém é quando se coloca peso que a piora no desempenho é sentida, obrigando a reduzir de muito de marcha para ter, por exemplo, ultrapassagens mais rápidas.
      Um abraço

  2. Emílio
    Minas Gerais é montanhoso, tem um relevo peculiar.Esses carros automáticos são adequados para nosso Estado?

  3. O desempenho, o equipamento… cheguei a comentar isso quando você postou as fotos da apresentação do facelift…

    Emílio a Ford Brasileira poderia espelhar na Ford do Reino Unido. O fiesta black edition usava esse mesmo motor sigma (chamado na europa de zetec-s) até um tempo atrás e trocaram pelo 1.0 Ecoboost com 140cv e 211nm a 2000rpm. Aqui no Brasil a Ford teria como incentivo a redução do ipi pela litragem. O que você acha?

    1. Caro Harlem, as informações sobre o torque estão na Ficha Técnica do carro, anexo ao artigo.
      Mas, vamos lá: para o Focus Hatch SE 1.6, os valores são: 158,9 Nm a 3000 rpm (gasolina) e 163,7 Nm a 5250 rpm (etanol). Abs.

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