Lotus desembarca no Brasil com foco em exclusividade: de coupe manual a elétrico de 2.012 cv
Com linha completa formada apenas por esportivos de luxo, icônica marca britânica anuncia oficialmente o início das operações no Brasil
Poucas semanas após confirmar oficialmente sua chegada ao Brasil, a Lotus revelou mais detalhes sobre sua operação nacional e os modelos que estarão disponíveis por aqui. A fabricante britânica, hoje controlada pelo Grupo Geely, anunciou o início das atividades no país com uma estratégia focada exclusivamente em veículos de alto desempenho, combinando esportivos tradicionais, modelos elétricos e até mesmo um hipercarro capaz de figurar entre os automóveis mais caros já oferecidos oficialmente no mercado brasileiro.
A operação será conduzida pela LTS Brasil, responsável pela importação, comercialização e pós-venda da marca. O lançamento oficial ocorreu em São Paulo e serviu para apresentar o plano de longo prazo da empresa, que prevê a chegada de toda a gama global de veículos da Lotus ao país.
A marca vive atualmente uma fase bastante diferente daquela que a consagrou ao longo das últimas décadas. Fundada por Colin Chapman, na Inglaterra, a Lotus construiu sua reputação produzindo esportivos leves e focados na experiência ao volante. Ao longo de 78 anos de história, se tornou uma das fabricantes mais respeitadas do automobilismo mundial, acumulando 13 títulos na Fórmula 1 e criando modelos icônicos como Elan, Esprit, Elise e Exige.
Agora, a empresa amplia seu alcance para segmentos que antes jamais fizeram parte de sua estratégia, sem abandonar completamente suas raízes esportivas.
O modelo que melhor representa essa ligação com o passado é justamente o Emira. O cupê de dois lugares será oferecido no Brasil em duas configurações, ambas com mais de 400 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de quatro segundos.
A primeira utiliza um motor 2.0 turbo de quatro cilindros associado a uma transmissão automatizada de dupla embreagem. Já a segunda é voltada aos entusiastas mais tradicionais e traz um V6 Supercharger combinado a um câmbio manual, combinação cada vez mais rara no mercado global de esportivos. Além disso, a Lotus confirmou que essa versão continuará em produção nos próximos anos, algo relevante em um momento em que diversas fabricantes abandonam gradualmente motores a combustão e transmissões manuais.
O Emira também carrega um simbolismo importante para a marca. Ele é do último Lotus movido exclusivamente por combustão e do único modelo da fabricante ainda produzido na Inglaterra.
Elétricos assumem protagonismo
Se o Emira representa a herança da Lotus, os modelos Eletre e Emeya mostram claramente para onde a fabricante pretende seguir nos próximos anos.
O Eletre é um SUV de grandes dimensões que marca uma ruptura completa com a imagem clássica da marca. Disponível em versões de 612 cv ou impressionantes 918 cv, o modelo utiliza arquitetura elétrica de 800 volts e reúne uma série de tecnologias avançadas voltadas à condução e ao conforto.
Entre os destaques estão os 32 sensores dedicados aos sistemas de assistência à condução, opções de configuração para quatro ou cinco ocupantes, acabamento com elementos em fibra de carbono, rodas de 23 polegadas e um sofisticado sistema de áudio desenvolvido pela KEF com tecnologia Dolby Atmos.
A Lotus também confirmou planos para introduzir no futuro o Eletre X, versão híbrida plug-in prevista para integrar a linha brasileira em um segundo momento. O modelo deverá ampliar a oferta da marca justamente em um cenário em que tecnologias eletrificadas intermediárias ganham cada vez mais espaço entre consumidores de veículos premium.
Já o Emeya surge como uma proposta ainda mais exclusiva. O sedã elétrico de quatro portas aposta em uma combinação de luxo, desempenho e tecnologia para disputar espaço entre os GTs mais sofisticados do mundo.
Com 918 cv de potência e torque de 985 Nm, o modelo conta ainda com eixo traseiro esterçante e arquitetura elétrica de última geração, reunindo características normalmente encontradas em superesportivos e automóveis de luxo de categorias superiores.
No topo absoluto da gama aparece o Evija. Embora sua chegada ao Brasil ainda esteja associada a volumes extremamente limitados, a própria Lotus destacou o modelo como parte de sua estratégia nacional.
O hipercarro elétrico entrega impressionantes 2.012 cv de potência e acelera de 0 a 300 km/h em pouco mais de nove segundos. A produção mundial é limitada a apenas 130 unidades, tornando-o um dos automóveis mais exclusivos já desenvolvidos pela fabricante britânica.
Caso alguma unidade seja destinada ao mercado brasileiro, o Evija tem potencial para disputar o título de carro zero-quilômetro mais caro já comercializado oficialmente no país. Embora a Lotus ainda não tenha divulgado preços para sua linha nacional, é esperado que Emira, Eletre e Emeya atuem em faixas semelhantes às praticadas por modelos equivalentes da Porsche. Já o Evija deverá ocupar um patamar completamente diferente, com valor estimado na casa das dezenas de milhões de reais.
Com isso, a Lotus inicia sua trajetória no Brasil posicionando-se em um dos segmentos mais exclusivos da indústria automotiva. Mais do que ampliar a presença do Grupo Geely no país, a chegada da marca adiciona ao mercado nacional uma fabricante com forte tradição nas pistas, ligação histórica com nomes como Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna e Nelson Piquet, além de uma gama que reúne desde um esportivo manual de inspiração clássica até um hipercarro elétrico de mais de dois mil cavalos de potência.
