Novos tempos

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Ford EcoSport 1.6 FreeStyle automático

Adaptar-se aos novos tempos. Esse é o mote atual que a Ford está aplicando ao EcoSport. E já não era sem tempo, afinal, lançado em 2003, criou a moda dos “aventureiros urbanos” com suas características de jipinho, estepe dependurado na traseira, posição de dirigir alta e reinou sozinho no segmento dos SUVs compactos durante muito tempo. Tudo bem, apesar do sucesso dele a concorrência demorou a se mexer. Só em 2011 chegou um rival à altura, o Renault Duster, que ficou brigando com ele pela liderança. Mas, foi no ano passado que vieram os golpes mais duros: Honda HR-V e Jeep Renegade, que o jogaram para quarto colocado no ranking.

Como a Ford não tinha um modelo novo, a saída que encontrou foi uma nova versão mais acessível, com motor 1.6 Ti-VCT e câmbio robotizado de dupla embreagem (antigo PowerShift que a Ford agora chama de Transmissão Sequencial de Dupla Embreagem). Ou seja, um utilitário esportivo compacto, com câmbio automático, ao preço de concorrentes com o câmbio manual.

A nova versão, chamada de EcoSport 1.6 AT, conta com quatro acabamentos diferentes: SE Direct, SE, Freestyle eFreestyle Plus. Os preços partem de R$ 68.690 da SE Direct, que só é disponível pelo sistema de venda direta para todos os consumidores, sistema que evita o custo de estoque do modelo na revenda, baixando seu custo. Todos são vendidos em pacotes fechados, sem equipamentos opcionais.

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O modelo do teste, o Freestyle, deverá ser o mais procurado pelo conteúdo oferecido, como as rodas de aro 16 polegadas em liga leve, vidros elétricos e sensores de estacionamento traseiro. Externamente, não há diferenças visuais. É o mesmo EcoSport de segunda geração, com linhas modernas e atuais, que passam a sensação de robustez. Mas, ainda conserva o estepe dependurado na traseira, característica do modelo desde seu lançamento e já fora de moda. Além disso, se por um lado o estepe não rouba espaço no porta-malas, que já não é dos maiores (362 litros de capacidade), por outro, facilita seu roubo.

Apesar de a Ford ter se esforçado, o acabamento continua um dos problemas do EcoSport. Algumas frestas exageradas, como na porta traseira que dá acesso ao porta-malas, mostram que ainda tem problemas de montagem da carroceria e depõe contra o produto quando se faz uma análise mais detalhada.

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Internamente, esta versão tem um acabamento mais simples, com bancos revestidos em tecido e predomínio de partes em plástico duro. Aplique parcial de tecido nas laterais e volante em couro ajudam a diminuir essa impressão. Porém, novamente, o acabamento causa má impressão, com partes que se encaixam mal, deixando frestas, ou peças com algumas rebarbas. O painel moderno e grande passa a sensação de estar em um veículo maior. Um senão fica por conta do display do computador de bordo que é muito pequeno, ficando difícil enxergar os números. E por falar em tamanho, o espaço interno é bom para quatro adultos e uma criança, enquanto que o motorista tem à disposição volante regulável em altura e profundidade, além de banco com ajuste de altura, regulagem lombar e apoio de braço.

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Por outro lado, o EcoSport ganha nota 10 quando o assunto é segurança. Além dos obrigatórios airbags dianteiros e sistema ABS nos freios, todas as versões possuem apoios de cabeça e cintos de três pontos para os cinco ocupantes; os importantes controles eletrônicos de estabilidade e tração; o assistente de partida em rampas; e a assistência de emergência que avisa automaticamente o SAMU em caso de acidente, desde que tenha um celular conectado com o sistema SYNC.

A grande novidade, porém, é o conjunto mecânico, igual ao do New Fiesta. Começa pelo motor 1.6 Flex, com duplo comando de válvulas variável, além de cabeçote, bloco e cárter em alumínio, que, no EcoSport, entrega 126 cavalos com gasolina e 131 com etanol, além de um torque de 15,4 e 16,1 kgfm, respectivamente. É acoplado a uma transmissão automatizada de dupla embreagem, com seis marchas, que, além das trocas automáticas no modo normal ou esportivo, permite mudanças manuais por meio de um botão na alavanca de seleção.

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É um conjunto que forma uma boa parceria, permitindo um desempenho bem razoável ao EcoSport. Por exemplo, é capaz de fazer o jipinho arrancar até os 100 km/h em 11,8 segundos e ter uma retomada de 80 a 120 km/h em 9,5 segundos, quando abastecido com etanol. Com gasolina, sente-se um pouco a perda de desempenho, mas nada que chegue a atrapalhar. Traduzindo, na cidade consegue acompanhar o fluxo com tranqüilidade, já que o câmbio tem engates rápidos (e suaves) e sempre disponibiliza a marcha necessária para o momento. Na estrada, mantem as velocidades permitidas por lei, sem grandes problemas. Caso queira uma “resposta” mais rápida, sem pressionar o pedal do acelerador para provocar a troca, basta um toque no botão ao lado da alavanca de seleção para reduzir de marcha no modo manual.

No consumo, apesar do peso e da altura da carroceria que não favorece a aerodinâmica, o EcoSport 1.6 AT até que se saiu bem. No circuito cidade/estrada, chegou a boas médias de 8,1 km/l com etanol e 11,4 com gasolina.

Equipado com direção elétrica muito precisa e com a carga correta, tanto em manobras como em velocidade, além da posição alta ao volante que beneficia a visibilidade, esse EcoSport mostrou-se muito gostoso de dirigir. Além disso, a suspensão filtra bem as irregularidades do solo, tornando o rodar confortável. Porém, se a boa altura do solo e os pneus do tipo misto (terra/asfalto) facilitam a vida em leves incursões no fora de estrada (e nas lombadas e buracos de nosso dia a dia na cidade), no asfalto é preciso tomar cuidado com as curvas. A carroceria inclina bastante e os pneus não seguram tanto quanto os normais, só para asfalto. Ainda bem que tem os controles de tração e estabilidade que ajudam a “conter” ações mais ousadas.

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Enfim, essa nova versão do EcoSport mostrou-se uma boa opção para quem curte um SUV compacto, econômico e quer usufruir da comodidade do câmbio automático, sem gastar muito. Além disso, dentro do mesmo “tema” tem quatro opções com diferentes preços. Entre todas, a mais interessante é a SE, que já vem com todos os equipamentos importantes e custa exatos 5 mil reais a menos do que a FreeStyle. Veja no link o que cada uma oferece e quanto custa.

Preços e equipamentos de série – Ford EcoSport 1.6 AT

Ficha Técnica – Ford EcoSport 1.6 AT

Notas do Emilio para o Ford EcoSport 1.6 AT

Fotos: Camila Camanzi, Emilio Camanzi e divulgação Ford

8 comentários em “Novos tempos

  1. Emilio, e esse powershift? Muita gente fala mal, dizem ter petição e tals. Mas acho o povo chato as vezes. O q vc acha?

  2. Parabéns por esta nova fase em sua vida. Sou um dos milhares de anônimos que torcem pelo teu sucesso. Atenciosamente, Jair Brizolla – Novo Hamburgo-RS.

    Em tempo: Aguardamos teste completo do VW Up TSI !!!

  3. Boa Tarde! Ótima avaliação emílio, Mais eu preciso ver o resultado de um teste seu com o Jac T5, acho o carro Lindo e cabe no meu bolso, principalmente tendo controle de estabilidade e tração, se possível faça o teste de um JAC T5 com cambio CVT que vai ser lançado até o fim do ano obrigado.

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