Com um jeito verde de ser

Ford Fusion Hybrid

Vai se acostumando. Em pouco tempo, ver carros híbridos que funcionam com motores à combustão e elétricos combinados circulando pelas nossas ruas e estradas, não será mais tanta novidade. É que várias marcas estão investindo nessa tecnologia e o governo brasileiro passou a dar incentivo fiscal a esse tipo de veículo, o que acaba aliviando um pouco o preço, já que são mais caros que os automóveis “normais”. Em São Paulo, por exemplo, os híbridos recebem ainda mais: pagam só 50% do IPVA e isenção do rodízio na cidade. Ou seja, podem rodar todos os dias. A grande vantagem deles é o baixo consumo de combustível e, o melhor, a redução das emissões de gases nocivos contribuindo para uma maior sustentabilidade do planeta.

Quem lidera esse segmento no Brasil é a Ford, com seu Fusion Hybrid, importado do México desde setembro de 2010. De lá para cá, o sedã de luxo da Ford ganhou várias melhorias. O modelo 2016, como este do teste, continua com o mesmo conceito: um motor a gasolina combinado com outro elétrico. Sempre que possível, o elétrico movimenta o veículo e, quando necessário, o motor a gasolina passa a fazer o trabalho, ajudado pelo outro. A recarga da bateria é feita pelos freios regenerativos, que recuperam a energia despendida nas frenagens e pelo motor a combustão que movimenta um gerador. Ou seja, o Fusion Hybrid não precisa ser ligado na tomada para recarregar a bateria.

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As diferenças desse modelo em relação ao anterior, começam pelo novo motor a gasolina de 2 litros de ciclo Atkinson, com 145 cavalos e 18,0 kgfm de torque. O elétrico, com 88 kW de potência e torque de 24,5 kgfm, também é novo. Os dois juntos, geram uma potência combinada de 190 cavalos, que permitem ao Fusion Hybrid acelerar de 0 a 100 km/h em 9,3 segundos.

A bateria de íons de lítio ficou mais potente e leve. Agora pesa 42 kg – 23 a menos, é auto-recarregável e tem 8 anos de garantia. Os freios regenerativos recuperam até 95% da energia perdida nas frenagens, acumulando-a na bateria. Para ajudar na economia de combustível, a direção, o compressor do ar-condicionado e as bombas de água do motor e do sistema de conversão de tensão são acionadas eletricamente, alimentadas pela bateria de alta tensão.

Andando com o híbrido

Para dirigir o Fusion Hybrid é preciso se acostumar com algumas particularidades. Por exemplo: ao ligar a ignição, deve-se olhar para o painel e esperar surgir o aviso “pronto para conduzir”. Não adianta ficar esperando o motor a combustão ligar, pois, nesse momento, só o elétrico funciona e o silêncio reina enquanto você arranca ou manobra sem usar uma gota de combustível. Se você acelerar um pouco mais forte, aí sim, o motor a combustão entra na jogada, praticamente sem você perceber.

Quem comanda tudo é um câmbio automático de variação contínua que a Ford chama de e-CVT. Controlado eletronicamente, ele gerencia a energia dos motores a gasolina e elétrico, combinando a ação dos dois ou fazendo só um funcionar, sempre visando o máximo de economia de combustível. Pode, ainda, fazer o motor a combustão carregar a bateria, caso seja necessário, ou desligar os dois nas paradas, deixando só a bateria alimentar os equipamentos. O único trabalho do motorista é acelerar e frear e, caso tenha uma descida muito longa, acionar o sistema de redução de velocidade em descidas, por meio de um botão na alavanca.

O bacana é que você pode acompanhar tudo no quadro de instrumentos, que tem o velocímetro no centro e duas telas digitais dos lados. Na tela da esquerda dá para controlar a carga da bateria; qual ou se ambos os motores estão trabalhando; o quanto de força estão fazendo no momento; e o consumo de combustível, em vários formatos, à escolha. Do lado direito, dá para optar entre o GPS, telefone, som, climatização ou uma tela bem interessante que, por meio de folhas verdes que vão surgindo ou desaparecendo, mostra o quanto você está dirigindo de forma mais ou menos “verde”. Um sistema simples e que acaba criando um desafio para se conseguir o máximo de eficiência, como se fosse um jogo. Dá, também, para os passageiros acompanharem o funcionamento do híbrido na tela central do console, por meio de um desenho do Fusion com “caminhos” que indicam qual dos motores está em atividade e se a bateria está sendo recarregada.

Bom, tirando essas peculiaridades, ele é exatamente igual a qualquer carro automático. Basta engatar o D de drive no câmbio e acelerar. Se precisar de mais força, tem a posição L, de low, quando os dois motores trabalham em conjunto e o câmbio em posição reduzida. Os 190 cavalos à disposição fazem com que os 1.650 quilos do Fusion se movimentem com facilidade. Mas, apesar de ter apenas 70 quilos a mais do que a versãoTitanium, a topo de linha, a impressão é de estar dirigindo um carro pesado. Culpa, em boa parte, do sistema de direção que não é dos mais leves. Algo que incomoda, principalmente na cidade.

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Por falar nisso, é exatamente onde o Fusion Hybrid é mais econômico. E tem lógica. Como as velocidades são baixas, funciona a maior parte do tempo com o motor elétrico. Na estrada, a coisa se inverte. Para manter a velocidade é preciso que o motor a combustão passe a trabalhar, enquanto o elétrico dá uma “forcinha”, caso você tenha que acelerar mais ao fazer uma ultrapassagem. Na média geral, porém, ele é bem econômico. Cheguei a uma média de 12,8 km/l no circuito cidade/estrada. Um pouco longe dos 16,6 km/l na cidade e 15,1 km/l na estrada que a fábrica anuncia. Mas, aqui entre nós, um resultado muito bom, já que tem muito carro compacto que não consegue fazer isso.

Exceto pela tração dianteira e o sistema híbrido de propulsão, o Hybrid é igual ao Fusion Titanium AWD que tem tração nas quatro rodas e motor 2.0 EcoBoost. Com um visual mais puxado para o esportivo, com direito a aerofólio na tampa do porta-malas, ele agrada. O porta-malas é menor (359 litros de capacidade) por causa da bateria, formando um “útil degrau”, que acaba segurando as compras do supermercado perto da tampa. O tanque de combustível, pelo mesmo motivo, perdeu 11 litros. Mas, isso não é um problema, pois a economia que o Fusion Hybrid faz, compensa com folga a menor capacidade do tanque.

Internamente, é bem-acabado. Padrão Ford de antigamente, que era referência em nosso mercado. Ar-condicionado digital de duas zonas; revestimento em couro; bancos dianteiros elétricos com três memórias de posição no banco do motorista; teto solar; sensores crepuscular, de chuva e de estacionamento dianteiro e traseiro; GPS; câmera de ré; e assistente de estacionamento automático para vagas paralelas ou perpendiculares, são itens de série. E é muito bem equipado com várias tecnologias que ajudam o motorista a dirigir com mais segurança, como o assistente de partida em rampas; piloto automático adaptativo, que segue o veículo à frente, mantendo a distância predeterminada, reduzindo, freando ou acelerando; alerta de fadiga do motorista, convidando-o a fazer uma pausa quando “percebe” que ele está cansado; sistema de monitoramento de pontos cegos; assistente de faixa, que avisa o condutor quando o carro está saindo do traçado sem intenção, endurecendo e vibrando o volante (pode até interferir na direção, trazendo o carro de volta à faixa); e alerta de colisão, quando um carro à frente diminui repentinamente ou entra bruscamente à frente, que emite um sinal sonoro e outro luminoso no para-brisa, além de preparar o sistema de freios para uma freada de emergência.

Espaçoso, leva quatro adultos com conforto e um quinto, no meio do banco traseiro, um pouco apertado. Em segurança, conta com oito airbags, além de cintos de três pontos (os laterais traseiros são infláveis) e apoios de cabeça para todos. É um pouco áspero ao rodar, graças a suspensão mais firme, incomodando um pouco em pisos irregulares. Por outro lado, possui uma boa estabilidade e ainda conta com os importantes controles eletrônicos de estabilidade e tração. No dia-a-dia é preciso um pouco de cuidado, pois é baixo e a frente raspa com facilidade nas lombadas ou entradas de garagens.

Vale a pena? Para quem quer um carro grande, com certeza. Pelo que oferece de série, o Fusion é o carro de luxo com a melhor relação custo/benefício do mercado. Esta versão híbrida tem o mesmo nível de acabamento e equipamentos da versão topo de linha e custa exatos 7 mil reais a mais. Uma diferença que pode ser amortizada, a médio prazo, pela economia de combustível, com a vantagem de você circular por aí com um carro politicamente correto.

Preço:

Fusion Hybrid                                 R$ 144.600

Pintura branca (opcional)             R$     1.300

 

Notas do Emilio – Ford Fusion Hybrid

Ford Fusion Hybrid – Ficha Técnica

Ford Fusion Hybrid – Equipamentos de série

 

Fotos: Camila Camanzi, Emilio Camanzi e Divulgação Ford

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