TESTE – Audi A3 Sedan 1.4 TFSI Flex já é brasileiro!

Finalmente, o esperado Audi A3 Sedan 1.4 TFSI Flex nacional e que representa a volta da produção da marca no Brasil, já está sendo vendido. Nem bem chegou ao mercado, já fizemos o teste com ele.

Fabricado no complexo da Volkswagen em São José dos Pinhais, no Paraná, não traz alterações de estilo em relação ao importado. Só uma discreta plaquinha na tampa traseira indica que é a versão flex nacional. As versões também continuam as mesmas: a Attraction (a mais barata e vendida em pacote único só com opção de pintura metálica ou perolizada) e a Ambiente (que pode vir recheada de equipamentos, como esta que testamos). Mas, para se tornar brasileiro, ganhou várias modificações, como uma oferta maior de itens de série e opcionais, e várias modificações mecânicas para adaptá-lo melhor às nossas condições. Entre perdas e lucros, ele continua um Audi na essência e agradando pelo conjunto da obra.

Porém, vamos por partes. O A3 Sedan tem linhas robustas, com destaque para a grade tipo bocão, faróis estreitos bi-xenônio na frente, traseira curta com dupla saída de escape e um ressalto na tampa do porta-malas, que forma um pequeno aerofólio. Todos esses detalhes lhe conferem um discreto ar de esportividade que agrada. O espaço interno é ideal para quatro pessoas, já que no banco traseiro acomodam-se apenas dois com conforto. O porta-malas, com 425 litros de capacidade, não é dos maiores, mas também não faz feio, pois pode ter a capacidade ampliada quando se rebate o encosto do banco traseiro.

O acabamento interno, mesmo não sendo dos mais luxuosos, segue o padrão Audi, com materiais de boa qualidade, agradáveis ao toque, e aquela montagem esmerada típica dos carros alemães. O painel tem desenho simples, mas com comandos bem posicionados e instrumentos de fácil visualização. No quesito segurança, todas as versões já vêm equipadas com cintos de três pontos e apoios de cabeça para cinco ocupantes; sete airbags, incluindo um para os joelhos do motorista; fixações Isofix para cadeirinhas de crianças; e controles de tração e estabilidade.

 

Mecânica à brasileira

É aqui que o A3 Sedan flex começa a se diferenciar do original. Vamos começar pela suspensão, que foi mais bem adequada às nossas condições. A dianteira permanece igual, porém, é 14 milímetros mais alta. A maior modificação foi na traseira que perdeu o sistema independente com multibraços, para receber um tipo semi-independente com braços longitudinais, 15 milímetros mais alta e molas e amortecedores separados. Segundo a fábrica, para permitir uma progressividade maior do conjunto, principalmente com três ocupantes no banco traseiro e porta-malas cheio, evitando aquele baque seco de fim de curso em nossas “queridas” lombadas e buracos.

Outra modificação foi no câmbio, onde substituíram o automatizado de dupla embreagem com sete marchas, pelo anterior Tiptronic automático de seis marchas. A razão da troca pode ter sido custo, o que é negado. Porém, dizem as más línguas, que foi por causa do barulho de metal batendo que os automatizados apresentam quando se anda devagar em pisos irregulares, que não agrada os clientes e que não foi resolvido. Tanto que até o VW Golf irá usá-lo.

Por fim, o motor, que é o primeiro turbo flex com injeção direta de combustível da marca. A base dele não é a mesma do 1.4 usado no A3 importado, mas, sim, a do 1.4 de 185 cavalos do modelo A1 Sport, que tem um bloco mais “reforçado” para aguentar, sem problemas, o aumento de potência e torque com as alterações feitas transformá-lo em bicombustível: o motor passou de 122 cavalos para 150 e de 20,4 kgfm de torque para 25,5. Além disso, esse motor tem variador de fase tanto no comando de válvulas de admissão como no de escapamento, permitindo uma “entrega” de potência e torque mais suave. E dispensa o tanque de combustível auxiliar para as partidas a frio.

Freios a disco nas quatro rodas e direção elétrica com assistência variável de acordo com a velocidade, são iguais.

Andando

Se você acha que, pelo fato do “downgrade” que sofreu no câmbio e na suspensão, o A3 Flex saiu perdendo em relação ao importado, não é bem assim. Para começar, a suspensão mostrou-se mais amigável com o solo brasileiro, deixando-o mais macio, confortável e silencioso internamente. Quanto à estabilidade, vai ser preciso ir a uma pista e andar no limite para sentir as diferenças que a maior altura da suspensão e o eixo traseiro semi-independente fizeram. No chamado dia a dia, com as rodas de aro 17 e pneus de perfil baixo da versão Ambiente, não se percebe nenhuma diferença. O A3 Flex faz curvas com segurança, detalhe que é reforçado pela direção precisa e freios eficientes em qualquer piso. Sem falar da boa posição de dirigir, com todos os comandos à mão e o volante de diâmetro reduzido que tem uma pega muito boa.

Já o câmbio faz o papel dele muito bem. Se as trocas não são tão rápidas como no de dupla embreagem (diminuindo bastante aquela sensação de esportividade), elas são suaves, colaborando no conforto e ajudando a baixar o estresse no trânsito congestionado. Ou seja, no uso diário não faz diferença. Para quem quiser uma tocada mais animada, ele ainda tem posição esportiva de trocas automáticas e engates sequenciais em aletas atrás do volante – somente na versão Ambiente – ou na alavanca de seleção.

O motor é a cereja do bolo. Com 150 cavalos de potência e um torque máximo de 25,5 kgfm disponível de 1.500 a 4.000 RPM, com ambos os combustíveis, mostrou-se muito elástico, privilegiando o uso na cidade e incrementando o desempenho. O A3 Flex agora faz de 0 a 100 km/h em 8,8 segundos, meio segundo mais rápido, e chega aos 215 km/h. Apesar dessa disposição toda, equipado com sistema start/stop de série, também sabe ser comedido quando o assunto é consumo de combustível: no circuito meio cidade/meio estrada, chegou a 8,2 km/l de etanol e 11,5 com gasolina. Números muito bons considerando-se um carro com câmbio automático convencional.

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Muito legal, também, é contar com os equipamentos de assistência, com os quais o A3 Flex pode ser equipado. Como o Active Lane Assist, ou assistente para mudança de faixa de rolamento, que deixa uma viagem ainda mais tranquila, pois, ao se aproximar da faixa, endurece o volante corrigindo a trajetória e, se ultrapassado, o faz vibrar. Esse sistema é ideal para evitar as distrações em uma viagem. Ou o ACC, o controle de velocidade de cruzeiro adaptativo com Pré Sense Front, que, além de manter a velocidade e a distância pré-determinada do veículo da frente, até 30 km/h, é capaz de frear completamente o carro caso um pedestre atravesse na frente. Luz alta automática, sistema multimídia retrátil, GPS, estacionamento automático, sensores de chuva e luz, câmera de ré, teto solar, entre outros, são equipamentos disponíveis.

Por isso, não dá para entender como não tem a disponibilidade, nem como opcional, de faróis de neblina, espelho interno eletrocrômico (aquele que escurece sozinho – é preciso puxar a alavanquinha como em um carro popular) e nem ar-condicionado automático. São detalhes que não poderiam faltar em um carro dessa categoria e preço.

Enfim, é um sedã compacto muito interessante. Não é barato e disputa em preço com carros de tamanho médio. Mas, para quem quer um diferencial, desfilando com um nome de peso, o A3 1.4 Flex é uma boa opção, já que ele oferece conforto, qualidade e boa performance, sem abrir mão da economia de combustível, detalhe que não pode ser esquecido hoje em dia. E, por ser feito aqui, não ser tão dependente do dólar no preço como os concorrentes importados.

Preços:

Audi A3 1.4 Flex Attraction                       R$   99.990

Audi A3 1.4 Flex Ambiente                       R$ 109.990

Audi A3 1.4 Flex Ambiente completo     R$ 149.990

 

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Notas do Emilio para o Audi A3 Sedan 1.4 TFSI Flex

Equipamentos de série, opcionais e ficha técnica – Audi A3 Sedan 1.4 TFSI flex – versão Ambiente

Equipamentos de série, opcionais e ficha técnica – Audi A3 Sedan 1.4 TFSI flex – versão Attraction

 

Fotos: Emilio Camanzi, Vânia Camanzi e Divulgação Audi

2 comentários em “TESTE – Audi A3 Sedan 1.4 TFSI Flex já é brasileiro!

  1. Ele carrega toda a tradição da Audi mas, pelo preço e sendo nacional, creio que temos melhores opções. Eu sempre gostei dos carros da Audi, são confiáveis, de qualidade e conforto mas creio que ao nacionalizar, a Audi deveria ser mais racional, vendê-lo por um preço menor ao menos no lançamento para “chamar” clientes em potencial

  2. De 100 a 150mil, sem ar digital e outros equipamentos, mecânica defasada com o que tem fora. É o padrão Volkswagen de carro pelado preço de ouro. Sem contar o escândalo das emissões, que agora envolvem os motores a gasolina da Audi e Porsche segundo a Reuters. Não obrigado.

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