TESTE – Classe E, o queridinho da Mercedes

Numa família com muitos filhos, bem que os pais tentam dar a mesma atenção a todos, mas sempre tem aquele que se sobressai. No caso da Mercedes-Benz é o Classe E. Além de representar uma das linhas mais tradicionais da marca, é também o modelo com o maior volume de vendas somadas da fábrica alemã no mundo todo. Este ano, ele ultrapassou os 13 milhões de unidades vendidas, desde que começou a ser produzido, em 1947, como modelo 170V, o primeiro automóvel da Mercedes-Benz para o transporte de passageiros no pós-guerra. Em 1993 ganhou a denominação Classe E. Não é à toa que a Mercedes olha com tanto carinho para ele.

O motivo dessa preferência nas vendas do modelo é uma conjugação de fatores que vão além da tradição de qualidade e status da marca. Com 4,88 metros de comprimento, perde um pouco da agilidade no trânsito, mas nada que crie transtornos. Oferece espaço e conforto para cinco ocupantes. Suas linhas são modernas, mas, ao mesmo tempo, continuam tradicionais e discretas. Nem a ousadia dos faróis adaptativos em LED tira essa impressão.

O teste foi feito com a chamada versão de entrada em nosso mercado, a E250 Turbo Avantgarde. Não é uma referência em termos de tecnologia embarcada, porém, tem o mínimo que se espera de um Mercedes dessa categoria. Falar de acabamento e qualidade de materiais é “chover no molhado”, já que ele segue a cartilha dos carros de luxo alemães. Mas, nessa versão, salta um pouco aos olhos certa simplicidade, que nem o charmoso relógio analógico no centro do painel consegue disfarçar. É que em um Mercedes-Benz espera-se sentar em bancos de couro natural e não, apesar da boa qualidade, sintético como neste, e que as molduras fossem um pouco mais refinadas que as de alumínio.

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De qualquer maneira, traz outros mimos interessantes, como os bancos dianteiros elétricos e com três memórias de posição, incluindo o volante e os retrovisores externos; o teto solar que ajuda a clarear o ambiente; um sistema multimídia com direito a câmera de ré e GPS; e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros que auxiliam na tarefa de manobrar. Sem falar dos faróis Full LED. Além de uma iluminação exemplar, na posição automática, eles passam sozinhos do baixo para o alto ou iluminam mais apenas uma lateral, criando fachos de diferentes formas, de maneira a não ofuscar quem vem em sentido contrário e mantendo o máximo de iluminação possível. E, se você estiver seguindo outro veículo, formam um “buraco negro” atrás dele para não incomodar o motorista da frente pelo retrovisor. Um show de segurança.

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O espaço interno é muito bom. Tanto na frente como atrás. Tem lugar para cinco adultos, porém quem vai no meio do banco traseiro sofre um pouco com o ressalto central do apoio de braço. O ideal mesmo são dois adultos e uma criança. Por falar nisso, quem vai ali não se sente excluído, quando o assunto é ventilação. Além das saídas de ar centrais e individuais nas colunas, é possível regular a temperatura e velocidade do fluxo do ar-condicionado no fim do console. Afinal, é um carro pensado também para quem tem motorista e o conforto no banco traseiro tem que ser igual. E para as viagens da família, nada a reclamar do porta-malas com 540 litros de capacidade.

COMO ANDA

Na mecânica, o motor não chega a ser nenhuma usina de força, coisa comum quando se fala de Mercedes grandes, mas é competente. Com 1.991 cm3 de cilindrada e 35,7 kgfm de torque, consegue empurrar os quase 1.800 quilos que pesa com desenvoltura. Faz de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos e leva o Classe E aos 243 km/h de velocidade máxima, quando entra em ação o corte eletrônico. O câmbio, claro, é automático de sete marchas. Com engates suaves e rápidos, rege com maestria a seleção das marchas, permitindo que o carro tenha acelerações e retomadas sempre prontas, em qualquer velocidade.

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Para quem dirige, com as várias regulagens disponíveis no banco e no volante, encontrar a melhor posição é fácil. A seleção Drive, Ré ou Park do câmbio é feita por meio de uma pequena e prática alavanca na coluna de direção. E para quem quer se divertir “trocando” as marchas manualmente, tem aletas atrás do volante. O motorista também pode escolher três modos de condução: normal; esporte, quando as trocas automáticas das marchas são feitas em rotações mais altas; ou ECO. Nesse último, além do câmbio sempre priorizar marchas mais altas, as acelerações são um pouco mais lentas e entra em ação o start/stop, tudo em função de conseguir um consumo menor. Não que seja uma prioridade para quem vai comprar um carro desses, mas os 10,4 km/l de média que o E250 Avantgarde conseguiu fazer no circuito metade cidade/metade estrada, são animadores. O único porém com o sistema start/stop acionado, é que o motor vibra bastante ao ser religado. Num congestionamento incomoda.

O conforto ao rodar e aquela agradável sensação de robustez é o que se espera de um Mercedes. Mérito da suspensão que se entende com as rodas de aro 17 polegadas, calçadas com pneus de perfil baixo. Filtra muito bem as irregularidades do solo, deixa o interior silencioso e torna o compromisso entre conforto e estabilidade equilibrado. Isto é, o E250 faz curvas com competência e garante um rodar macio que agrada a todos. Além da arquitetura da suspensão independente nas quatro rodas bem elaborada, os amortecedores sensíveis à velocidade ajudam bastante. Ou seja, andando devagar, na cidade, por exemplo, priorizam a maciez. Já na estrada ficam mais firmes para garantir uma melhor dirigibilidade.

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A precisão do volante e a eficiência dos freios são pontos de destaque, garantindo tranqüilidade a quem dirige. Só é preciso ficar esperto com as lombadas, já que os 2,88 metros de distância entre-eixos, que garantem o bom espaço interno, fazem com que o meio do carro raspe embaixo com certa facilidade. Mesmo com apenas duas pessoas a bordo.

Em segurança também se destaca. Cintos três pontos e apoios de cabeça para todos, airbags dianteiros, laterais e de cortina, controles de tração e estabilidade eletrônicos, detector de cansaço do motorista e sistema ativo Pré-Safe, capaz de identificar situações críticas e iniciar medidas de prevenção para maior proteção dos ocupantes, como ajustar os cintos em casos de desacelerações bruscas ou risco de tombamento.

Essa versão E 250 Turbo Avantgarde ainda está sendo vendida ao preço promocional de R$ 259.500. Quer dizer, se você ficou interessado, é bom correr, pois com essa loucura do dólar, é bem provável que na próxima tabela deste mês já venha com um aumento.

 

Notas do Emilio para o Mercedes E250

Ficha Técnica e Lista de Equipamentos de Série Mercedes E250

 

Fotos:  Camila e Emilio Camanzi

Divulgação Mercedes-Benz

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