Produção de veículos no Brasil tem melhor primeiro semestre desde 2019
Com crescimento de 8,8% e ajuda dos automóveis e comerciais leves, fábricas produziram 1,37 milhão de veículos no primeiro semestre de 2026
A indústria automotiva brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com o melhor resultado para o período em sete anos. Segundo dados divulgados pela Anfavea, as fabricantes instaladas no país produziram 1.372.392 veículos entre janeiro e junho, volume 8,8% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelos automóveis e comerciais leves, que sustentaram o avanço das linhas de montagem em meio ao aquecimento do mercado interno. Do total produzido no semestre, cerca de 54 mil unidades correspondem a veículos montados em regime CKD/SKD, sistema utilizado principalmente por marcas chinesas como GWM e BYD.
Somente em junho, a produção nacional somou 253,5 mil veículos. Embora o volume represente uma retração de 3% em relação a maio, o resultado ainda ficou 17,2% acima do registrado no mesmo sexto mês de 2025, indicando que as montadoras seguem operando em um ritmo superior ao do ano passado.
Os veículos leves foram os grandes responsáveis pelo avanço da indústria. A produção da categoria alcançou 1,299 milhão de unidades no semestre, alta de 10,2% na comparação anual. Entre eles, os automóveis registraram crescimento de 12%, enquanto os comerciais leves, categoria que engloba picapes e vans, avançaram 3%.
Já entre os veículos pesados, o cenário continua menos favorável. A produção de chassis de ônibus cresceu 3,2% no acumulado do ano, chegando a 16.241 unidades. Em contrapartida, os caminhões mantiveram a trajetória de queda, com recuo de 14,4% e apenas 56.798 unidades produzidas nos seis primeiros meses de 2026.
Anfavea revisa projeções para 2026
Diante do desempenho acima das expectativas no primeiro semestre, a Anfavea elevou suas projeções para o fechamento de 2026. A previsão de crescimento da produção nacional passou de 3,7% para 5,8%, o que representa um volume estimado de 2,79 milhões de veículos produzidos até dezembro.
A revisão foi puxada pelos veículos leves. A expectativa para esse segmento passou de alta de 3,8% para crescimento de 6,5%, com produção estimada em 2,65 milhões de unidades no ano. Já para os veículos pesados, a entidade mudou completamente sua perspectiva: onde antes esperava expansão de 1,4%, agora projeta retração de 6%, limitando a produção anual a cerca de 143,2 mil caminhões e ônibus.
As estimativas para o mercado interno também foram atualizadas. A projeção de crescimento dos emplacamentos de veículos leves subiu de 2,8% para 13%, enquanto a previsão para os pesados passou de queda de 0,5% para retração de 6%. Com isso, a Anfavea espera que o Brasil encerre 2026 com 3.014.000 veículos vendidos, avanço de 13% sobre 2025 e o primeiro resultado acima da marca de 3 milhões de unidades desde 2014.
No sentido contrário, as exportações continuam sendo motivo de preocupação para o setor. Em junho, os embarques recuaram 26,7% frente ao mesmo mês do ano passado e acumulam queda de 21,2% no semestre, totalizando 216,6 mil veículos enviados ao exterior. Diante desse cenário, a entidade revisou sua projeção anual de um crescimento de 1,3% para uma retração de 12,8%, com expectativa de 462 mil unidades exportadas em 2026.
Na avaliação da Anfavea, o mercado doméstico continua demonstrando forte recuperação, mas parte desse crescimento vem sendo absorvida pelos veículos importados, reduzindo o potencial de expansão da produção nacional. Ainda assim, o desempenho registrado nos seis primeiros meses do ano confirma o momento positivo da indústria brasileira, que voltou a atingir o maior volume de produção para um primeiro semestre desde 2019.
