TESTE – Renault Duster Oroch Dynamique 2.0

Criando moda!

Como você já deve ter visto aqui no Blog, faz pouquíssimo tempo que fiz o test-drive do Renault Duster Oroch, durante seu lançamento. E já tinha dado para ter uma boa ideia do novo veículo. Mas, nada como tê-lo por um período maior para usar no dia a dia e ter uma impressão mais precisa da novidade. Normalmente, o tempo entre as duas fases é grande. Porém, num bom trabalho da assessoria de imprensa da Renault, exatos 10 dias depois do breve primeiro contato com a nova picape, uma Oroch Dynamique 2.0, a topo de linha, já estava na minha garage para isso. Então, vamos lá.

Depois de alguns dias rodando com ela, pelo número de pescoços torcidos para ve-la passar e de gente pedindo informações, já deu para perceber que o design dela agrada. Principalmente nesse modelo que avaliei, que veio equipado com molduras nas caixas de rodas, alargador de para-lamas, grade de proteção no vidro traseiro, capota marítima e proteção frontal com faróis integrados. Opcionais que a deixam com um ar ainda mais robusto, bem ao gosto dos fãs desse tipo de veículo.

 

Na cidade, vem outra boa confirmação. Com apenas uns 22 centímetros a mais no comprimento do que picapes compactas como a Fiat Strada ou a Volkswagen Saveiro cabines duplas, e em torno de um metro a menos do que as médias como a Chevrolet S10 ou a Toyota Hilux, não apresentam problemas para andar no trânsito e nem para achar uma vaga para estacionar. Ou seja, confirma que a Renault acertou ao criar esse novo segmento intermediário de picapes com a Oroch. Nessa hora, só a grade protetora do vidro traseiro que dificulta a visão pelo espelho retrovisor e o peso da direção hidráulica, inclusive nas manobras, é que incomodam.

Tem banco e volante reguláveis em altura que permitem uma boa posição de dirigir. Mas, seria melhor se a coluna de direção também tivesse regulagem em profundidade. As quatro portas facilitam a entrada e saída das pessoas, ao contrário do que acontece com as picapes cabine dupla compactas, tornando-se outro ponto a favor. O espaço interno também é melhor, graças aos 15 centímetros a mais de distância entre-eixos que a Oroch ganhou em relação ao SUV Duster, de onde deriva. Mas, apesar disso, atrás, no meio, um adulto vai apertado. E tem mais: o encosto do banco ficou muito reto e incomoda quem senta ali depois de algum tempo. Poderia ter ficado com a mesma inclinação do Duster, mesmo que isso implicasse na perda de alguns centímetros no comprimento da caçamba.

O acabamento interno dessa versão Dynamique, principalmente com o opcional revestimento em couro, é bom, notando-se a intenção da Renault de oferecer uma melhor qualidade nesse quesito, como o acabamento em Black Piano no painel e laterais das portas. Tem, também, o interessante e eficiente Media Nav Evolution, sistema que inclui GPS com informações de trânsito em tempo real, conectividade a mídias sociais e um completíssimo sistema de computador de bordo que mostra até se você está dirigindo de maneira eficiente ou não. Maravilha. Só tem um problema. Está colocado em uma posição muito ruim, abaixo do painel. Além dos reflexos na tela em dias ensolarados que dificultam vê-la, o motorista precisa olhar para baixo para visualizá-la, desviando a atenção. Está na hora da Renault rever isso.

A caçamba, com 683 litros de capacidade é maior do que as das picapes cabine dupla compactas que temos no mercado. Vem de série com proteção de plástico, a tampa aberta suporta até 80 quilos e tem disponível, como acessório, um extensor de carroceria (que precisa ser emplacado, já que a tampa abaixada esconde a placa original) que aumenta o comprimento para 2 metros e amplia em mais 306 litros o volume. O bagageiro no teto suporta até 80 quilos e a capacidade de carga total é de 650 quilos. Mas, aí, como em qualquer picape, quando se fala em capacidade de carga, deve-se levar em conta também o peso dos ocupantes. Calculando a média de 70 quilos por pessoa, se você for viajar em 5, ainda sobram 300 quilos para serem levados de carga. Bom!

Outro detalhe que se confirmou bem acertado foi a suspensão. Independente nas quatro rodas, a dianteira é do tipo McPherson e a traseira Multilink, igual à do Duster 4×4. Só que foi toda reforçada para poder carregar mais peso. Muito bem calibrada, não deixa a traseira pular tanto como o das picapes comuns quando anda vazia, principalmente em terrenos irregulares. E filtra bem as asperezas do solo, deixando o interior silencioso e o rodar confortável, bem semelhante ao de um automóvel.

A relação conforto e estabilidade também é boa. Mas, com praticamente 1,70 metro de altura, 20 centímetros de vão livre do solo e pneus 215/65 R16 de uso misto (as rodas são em liga leve com aro 16” em todas as versões), se por um lado favorecem até algumas incursões no fora de estrada, por outro fazem com que se deva tomar um pouco de cuidado em curvas feitas perto do limite de aderência. Ou seja, deve-se levar em conta que é uma picape e não um carro de corrida. Controles eletrônicos de estabilidade e tração seriam muito bem-vindos para evitar surpresas.

A motorização 2.0 mostrou-se a mais adequada para a Oroch, principalmente na hora de andar com ela carregada. E, com certeza, será a mais escolhida, apesar de ainda contar com o jurássico tanquinho auxiliar de partida a frio. Os 148 cavalos que entrega com etanol fazem com que o desempenho seja bom: 9,7 segundos no 0 a 100 km/h e 186 km/h de máxima, enquanto os 20,9 quilos de torque permitem andar com ela carregada, sem grandes dificuldades (veja os dados completos no link ficha técnica).

Quem ajuda, e muito nessa tarefa, é o câmbio manual de seis marchas, o mesmo do Duster 4×4, porém, com a relação final encurtada em 4%. Mas, se por um lado, essa solução do câmbio mais curto auxilia na hora das acelerações e retomadas de velocidade, além de uma maior desenvolura quando está carregada, por outro, prejudica o consumo.

Tudo bem, é um compromisso para que a Oroch tenha um desempenho bom, mesmo com carga total. Mas, mesmo assim, eu esperava um pouco mais do que os 6,7 km/l de etanol e 9,5 km/l com gasolina de média no circuito cidade/estrada, com ela vazia e usando dois recursos interessantes que dispõe. Um é a função EcoMode, que pode ser acionada por meio do botão localizado no painel central, que limita a potência e o torque do motor, além de reduzir a potência do ar-condicionado. Segundo a fábrica o sistema permite uma redução de 10% no consumo de combustível. O outro é o indicador de troca de marchas no velocímetro, que apesar de ser pouco visível, funciona bem. Ou seja, se, mesmo usando estes recursos, o consumo não foi nenhuma maravilha, se você não der muita bola para eles, piora bastante.

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Enfim, além de uma relação custo/benefício interessante pelo tamanho e equipamentos de série, tudo somado, a Oroch tem mais pontos positivos que negativos e vai agradar a quem gosta desse tipo de carro. Tanto que, além de criar moda, também já causa preocupação na concorrência: no dia de sua apresentação, a Fiat anunciou oficialmente que vai lançar, no começo do ano que vem, a picape Toro, o primeiro concorrente da Oroch nesse novo segmento.

Se você ficou interessado, lembre-se que, por enquanto, só dá para fazer test-drive e encomendas nas concessionárias. Ela só começa a ser vendida no início de novembro e tem, ainda, as versões Expression e Dynamique com motor 1.6 que são mais em conta. Câmbio automático e tração 4×4, dois itens muito requisitados nesse tipo de veículo, a Renault prometeu para o ano que vem.

 

Preços:

Oroch Expression 1.6                                                       R$ 62.290

Oroch Dynamique 1.6                                                       R$ 66.790

Oroch Dynamique 2.0                                                       R$ 70.790

Oroch Dynamique 2.0 (revestimento de couro)           R$ 72.490

 

Notas do Emilio para o Duster Oroch

Ficha Técnica Duster Oroch

Lista de equipamentos Duster Oroch

 

Fotos: Vania Camanzi, Emilio Camanzi e divulgação Renault

8 comentários em “TESTE – Renault Duster Oroch Dynamique 2.0

  1. Emilio, boa noite, você já avaliou o HB20 S restilizado? Qual você indicaria: o novo Cobalt ou o Hb20 S?

  2. Maravilhosa matéria Sr. Emilio!
    Você sempre trazendo aos amantes automotivos grandes conhecimentos e novidades do setor!
    Parabéns!

  3. Olá muito bom dia Emílio sou seu apreciador como faço p ver os vídeos do blog??? Adoro qdo VC avalia o sarro Jaílton porto franco má

    1. Caro Jailton
      Obrigado pelo prestígio. Estamos trabalhando para num futuro próximo ter também os vídeos no blog.

      Grande abraço

  4. Parabens Emilio. Ate que enfim um jornalista especializado conseguiu comentar sobre o aspecto negativo da multimidia Orich, alias, de todos os Renaults, com exceçao do Fluence. É absolutamente impossivel usar o GPS porque fica tão abaixo do nivel dos olhos, que torna-se um perigo para quem precisar seguir o GPS, não so para ver a rota, mas para alerta de radares. Farei uma afirmativa com absoluta certeza: – não ha nenhum veiculo nacional ou importado que roda no Brasil que cometeu esta gafe da Renault. Todos tem a multimidia bem no alto do console, bem a vista dos olhos, e em alguns, mais sofisticados, como MBB, BMW, Citroen, Peugeot, alem de Up e alguns nacionais, optaram pelo GPS por cima do painel, para ficar mais a vista ainda dos olhos. Ha ate sistemas que projetam a imagem no parabrisas. Porque a Renault ainda nao enxergou este grande defeito? Sera que pensam que as pessoas vão sentada no chão do veiculo? Porque so sentado no chão dá para seguir o GPS, DVD, TV, etc. A sugestao é adotar o sistema do Fluence. Gostaria que vcs que tem acesso a industria automotiva, fizesse comentarios efetivos e que surja efeito na Renault. Eu nunca comprarei nenhum Renault enquanto não puder usar um GPS à altura dos olhos, porque em meu carro, uso GPS ate para ir na padaria. Nao para seguir uma rota, mas porque alerta de radares é uma preocupação diaria minha. Acorda Renault! Conto com Emilio para dar um jeito na situação.

    1. Caro Antonio
      Já comentei com eles que me disseram que estão trabalhando nisso para os próximos modelos. Essa foi, segundo eles, uma solução emergencial pois quando os carros foram projetados pela Dacia, não estava previsto a colocação de GPS, já que eram carros pensados para mercados da antiga “cortina de ferro”, ou seja, “mais pobres”. Enfim, vamos aguardar os próximos modelos, quem sabe?
      Grande abraço

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