TESTE – Renegade, um novo conceito de jipe

Do avô, o Jeep, ele herdou a agilidade e a robustez; do primo rico, o Cherokee, o conforto e o luxo. Assim pode ser definido o Renegade, que marca a volta do fabricante ao Brasil, agora pelo grupo Fiat/Chrysler. E com uma missão difícil: concorrer no segmento dos SUV compactos, um dos mais disputados em nosso mercado.

Com um estilo peculiar, que eu acho um pouco rebuscado demais, ele se diferencia do padrão comum do design atual do segmento pelas formas mais quadradas. E faz questão de exibir, nos detalhes, o DNA da marca. Como nas lanternas traseiras, que tem a parte central imitando o desenho dos galões de gasolina usados pelos Jeep durante a guerra; ou na grade com as sete aberturas verticais que identificam os produtos da marca. Mas, é um conjunto que no todo acaba agradando, principalmente pela impressão de robustez que passa.

Por dentro, se destaca pelo bom acabamento, em geral, com materiais de boa qualidade, arremates bem feitos e um ambiente jovial. Tem um bom espaço na frente. Atrás, porém, apesar de se instalarem três adultos, o assento curto e o pouco espaço para as pernas, depois de pouco tempo, maltratam quem vai ali. O problema se estende ao porta-malas.Com apenas 260 litros de capacidade, numa viagem longa, não dá para abusar na bagagem da família.

O que não dá para reclamar é do conforto, especialmente na versão Trailhawk, a topo de linha e com todos os opcionais, como esta que testei. Ar-condicionado digital de duas zonas, sistema multimídia completo, teto solar duplo, revestimento em couro, banco do motorista com regulagens elétricas e um rodar que surpreende. Mérito da suspensão independente nas quatro rodas. Apesar de mais alta em relação às outras versões, oferece um compromisso no quesito conforto/estabilidade muito bom. Para começar, ela filtra muito bem as irregularidades do solo fazendo a gente esquecer que está a bordo de um Jeep, encarando ruas e estradas como um automóvel. Mesmo no off-road, preserva bastante a integridade dos ocupantes, tornando mais tranquilo o passeio por trilhas mais radicais. Nas curvas, apesar do 1 metro e 72 centímetros de altura total, não deixa a carroceria inclinar em excesso e passa segurança a quem dirige. E, ainda, deixa o interior silencioso, passando aquela agradável sensação de robustez típica de carros alemães. Excessos são monitorados por controles eletrônicos de estabilidade, tração e anti-capotamento, de série em todas as versões.São dois os motores que podem equipar o Renegade.

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Foto: Studio Cerri

A cereja do bolo é o 2.0 MultiJet II turbodiesel, opcional na versão Longitude e de série na Trailhawk. Aliás, diga-se de passagem, por enquanto é o único SUV compacto do mercado com motor diesel e, com os 170 cavalos e 35,7 kgfm de torque que fornece, também o mais potente do segmento. Ou seja, uma disposição que permite ao jipinho um bom desempenho: 0 a 100 km/h em 9,9 segundos e uma máxima de 190 quilômetros por hora.

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Foto: Emilio Camanzi

Na relação desempenho/consumo, também se saiu bem com 11,0 km/l de diesel no circuito cidade/estrada. Porém, deveria ter o sistema start/stop que melhoraria o consumo na cidade e seria perfeito se fosse um pouco mais silencioso em altas rotações.

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Foto: Studio Cerri

Quem orquestra tudo é um câmbio automático de 9 marchas, com possibilidade de trocas sequenciais na alavanca de seleção ou em borboletas atrás do volante. Tem engates suaves e sempre decide com precisão a melhor marcha para o momento. Poderia, porém, ser um pouco mais rápido nas trocas.

Como todo bom Jeep, a tração é nas quatro rodas e a transmissão tem a tecnologia da nova geração do Cherokee. O sistema é capaz de enviar até 200 kgfm de torque para as rodas traseiras, se for preciso, para otimizar a aderência. Chamado de Jeep Active Drive Low, ele desconecta a tração nas rodas traseiras quando não é imprescindível, ajudando a economizar combustível. Assim que a tração 4×4 se faz necessária, ela é acionada. Para garantir o DNA Jeep, o sistema inclui, ainda, o controle de tração Selec-Terrain, que entrega até cinco modos de operação: Auto (automático), Snow (neve), Sand/Mud (areia/lama) e Rock (pedra) na versão Trailhawk. Tudo é facilmente selecionável por meio de um botão no console, onde se pode ainda bloquear a tração 4×4, ligar o controlador automático de velocidade em descida e ligar a reduzida. O Trailhawk pode ainda atravessar lâminas de água de até 48 centímetros. O resultado disso, junto com um vão livre de 22,3 centímetros, é uma capacidade fora de estrada digna da marca. Mas, para quem quiser enfrentar trilhas mais radicais, é aconselhável substituir os para-choques, pois eles interferem em obstáculos maiores.

Uma boa posição de dirigir, direção elétrica precisa em alta velocidade e leve em manobras, além de freios a disco nas quatro rodas eficientes, tornam o Renegade muito agradável de dirigir.

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Foto: Camila Camanzi

Enfim, o Renegade tem uma ampla oferta de versões que vão dos 69 mil reais da versão básica aos 120 mil da mais sofisticada, preços que permitem que enfrente a concorrência (Ford EcoSport, Renault Duster, Honda HR-V, Peugeot 2008 e Hyundai Tucson). Mas, a Trailhawk, a topo de linha, apesar de bem equipada, é cara. E, se você pensar em uma com tudo que tem direito, isto é, com todos os opcionais como essa que testei, chega aos 149.500 reais! Valor que já dá para pensar em SUV maiores, com motor diesel, tração 4×4 e sete lugares…

 

Jeep Renegade Trailhawk:

 

 

 

 

8 comentários em “TESTE – Renegade, um novo conceito de jipe

  1. EMILIO TENS ALGUMA INFORMAÇÃO SOBRE UM SUV DE 7 LUGARES NA PLATAFORMA DO RENEGADE DA JEEP
    JOSE MARIO

  2. Realmente, a versão Trailhawk do Jeep Renegade nem parece ser o mesmo carro quando comparada às versões de entrada a gasolina, seja pelo comportamento da suspensão diferente (maior altura de rodagem, maior curso de suspensão, buchas reforçadas e proteções no assoalho) seja pela disposição vitaminada do propulsor Diesel com torque elevado. QUem dirigiu um sabe como ele é gostoso, confortável e filtra muito bem o pavimento imperfeito, muito comum em nosso país e isso por si só já me faz ter vontade de ter um. O problema é o valor pedido que conta apenas com Airbags frontais (os outros são opcional a parte). O Farol monoparábola comum não é nenhuma expressão no mundo da luminosidade e aí vão mais 3000 R$… um veículo deste sem banco de couro que facilita a limpeza… e aí vão mais 2000 R$ e quando se vê já passou longe dos 130000R$ e você nem pegou aquele teto panorâmico muito legal, som premium ou quem sabe aquele kit de segurança que monitora pontos cegos e pressão de pneus. Ok… alguns luxos você pode conviver sem… mas mesmo assim falamos em algo ao norte de 130000 R$ o quê nos faz olhar para os SUVs de boutique alemães ou mesmo um Coreano bem maior, mais espaçoso e mais luxuoso… FIca difícil e o excelente trailhawk pode acabar se tornando algo de nicho. Quanto ao offroad, o monobloco que lhe confere segurança e conforto em curvas, excepcional para um suv de verdade diga-se de passagem, também lhe limita frente a um wrangler ou Troller, opções mais dedicadas ao esporte offroad mas que são mais beberronas e fazem muito mais concessões ao conforto e acabamento que o civilizado Renegade Trailhawk. Infelizmente, sentimo-nos compelidos a comprar SUVs ao invés de um bom e bem equipado sedã a preço mais convidativo mais para enfrentar o pavimento ruim do que para enfrentar o offroad mesmo e este é um ponto forte do Renegade.

    1. Caro Humberto
      É isso mesmo. Tua analise está perfeita. No caso do Renegade para fazer trilhas mais pesadas, como eu disse na matéria, tem que pelo menos substituir os para-choques para aumentar os angulos de entrada e saída e, claro, pneus mud. No restante ele é fera.
      Um abraço e obrigado pelo prestígio
      Emilio

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