De cara nova no pedaço

Hyundai Azera 3.0 V6

Para se manter em dia com as tendências, é preciso mudar. E foi exatamente o que fizeram com o Hyundai Azera 3.0 que está em sua quinta geração. Ganhou um bom tapa no visual, com novos para-choques dianteiro e traseiro e grade que o deixaram perfeitamente inserido no atual DNA da marca coreana, que é chamado de “escultura fluída”. Com linhas mais aerodinâmicas e um design moderno em forma de cupê, no conjunto, o novo Azera ganhou também 10 milímetros a mais no comprimento e um aspecto mais esportivo sem, no entanto, deixar de manter a sobriedade necessária que os compradores desse tipo de automóvel exigem. Um formato que faz sucesso, hoje em dia, em carros dessa categoria.

O aspecto mais jovial é reforçado pela capota toda em preto brilhante, com teto solar panorâmico – que se abre para os passageiros que vão na frente e é translúcido para os que vão atrás, rodas em liga de 18 polegadas, escapamento duplo e faróis (de xenônio) e lanternas que invadem lateralmente a carroceria.

Internamente, o coreano se sobressai pelo bom acabamento, com arremates bem feitos e materiais de qualidade, como o revestimento em couro dos bancos. O painel ganhou nova posição dos comandos do ar-condicionado, mais fáceis de acessar, além de uma nova central multimídia com tela de 8 polegadas.

azera_016

No espaço interno, o Azera é generoso para cinco adultos. Quem vai atrás conta com o assoalho quase plano. Mas, quem senta no meio, sofre um pouco com o ressalto central do banco e o fim do console. Já o porta-malas, com 461 litros de capacidade, é apenas suficiente. Para um carro de seu tamanho, poderia ser maior.

Porém, tem mimos interessantes, como: retrovisores externos rebatíveis, com memória de posição; som de alta qualidade com 7 alto-falantes e 4 tweeters; câmera de ré; banco do motorista com regulagens elétricas e duas memórias; o volante e o banco do motorista, que se afastam ao ser desligada a ignição, para facilitar descer e subir no automóvel e voltam à posição deixada na memória ao ligar o carro; cortinas nas janelas laterais e no vidro traseiro para quem viaja no banco de trás e quer discrição; saídas individuais do ar-condicionado para o banco traseiro; e até volante e bancos com aquecimento. Mas, também, deixa de ter alguns itens bobos, como a falta do indicador de temperatura externa e o banco do passageiro, que só tem regulagem elétrica do encosto e nem manual de altura…

Em segurança, só perde para automóveis de categoria superior, que vem com sistemas ativos. Além dos cintos de três pontos e apoios de cabeça para todos, tem nove airbags, incluindo dois de cabeça para os passageiros que vão atrás e um de joelhos para o motorista, tem ainda controles eletrônicos de tração e estabilidade.

Ao volante

Se o Azera por si só já agrada, andando, o prazer aumenta. A posição ideal de dirigir é facilmente encontrada graças a todos os recursos de regulagem do banco e volante. A boa visibilidade, freios eficientes e direção precisa, também contribuem para isso. E, apesar dos pneus de perfil baixo, a suspensão independente nas quatro rodas filtra bem as irregularidades do solo, mostrando que o trabalho de acerto para o solo brasileiro foi eficiente: o rodar é confortável e silencioso em qualquer piso. O melhor, porém, é que no balanço entre conforto e estabilidade, o resultado é bom para os dois lados, já que o Azera, apesar do tamanho, também encara curvas numa boa, transmitindo tranquilidade a todos os ocupantes. O único senão fica para a altura do solo, que é um pouco baixa demais. É preciso tomar cuidado em entradas e saídas de garagens ou lombadas, já que raspa a frente ou o centro com certa facilidade.

foto_24

Mas, o bom mesmo é acelerar. O motor Lambda II V6 3.0, é todo feito em alumínio. Silencioso, mesmo em altas rotações, e sem vibrações, detalhes que contribuem para o conforto interno, conta ainda com comandos de válvulas (admissão e escapamento) e coletor de admissão variáveis, que permitem uma distribuição progressiva da potência (250 cv) e do torque (28,8 kgfm). Ou seja, arrasta os 1.581 quilos do Azera sem esforço, garantindo boas acelerações (0 a 100 km/h em 8,7s) e, principalmente, retomadas de velocidade mesmo com o carro carregado. Além disso, o leva até os 230 km/h.

Ele é acoplado a um câmbio automático de seis velocidades, que é fabricado pela própria Hyundai. Tem um funcionamento suave, com engates e respostas rápidas, garantindo o bom desempenho do conjunto. Tem, também, um sistema ativo de funcionamento que gerencia o motor e a troca de marchas, quando não se acelera a fundo, visando a economia de combustível. Porém, apesar do sistema, o Azera não se mostrou dos mais econômicos: fez 7,0 km/l no nosso circuito de testes, metade cidade metade estrada. Se fosse equipado com sistema start/stop o resultado poderia ser melhor.

Tem, ainda, o recurso de trocas sequenciais na alavanca de seleção, mas poderia ter mais, como a possibilidade de trocas em modo automático esportivo e aletas atrás do volante, para quem gosta de curtir uma pilotagem mais divertida.

Cartas na mesa, comparado a seus rivais Kia Cadenza, Honda Accord e Toyota Camry, todos com motor V6 3.5 litros, perde em potência. Ganha do Ford Fusion nesse quesito, mas perde em preço, já que ele vem do México, não paga imposto de importação e oferece até uma versão híbrida mais barata, tornando-se o grande rival. De qualquer modo, o Azera agrada bastante no conjunto, é bem equipado e traz embutida a fama conquistada pelos carros coreanos de resistência e que dão pouca oficina. E como gosto não se discute…

Preço: R$ 167.990

Notas do Emilio para o Hyundai Azera

Ficha Técnica e equipamentos de série

Fotos: Emilio Camanzi e divulgação Hyundai

2 comentários em “De cara nova no pedaço

Deixe seu comentário: