SP estabelece regras para carregadores de carros elétricos em garagens
Documento será publicado em agosto e busca padronizar regras de segurança em condomínios de São Paulo
O Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo vai lançar, no dia 5 de agosto, uma cartilha com diretrizes específicas para a instalação de carregadores de veículos elétricos em garagens residenciais. A medida é uma resposta ao crescimento da frota elétrica no estado e foi elaborada em parceria com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e o governo estadual.
Atualmente, não há regulamentação unificada. Cada condomínio segue as orientações do engenheiro eletricista contratado, o que resulta em diferentes critérios de instalação e segurança dos carregadores. Com o novo documento, o objetivo é estabelecer padrões mínimos para evitar acidentes, principalmente incêndios.
Medidas de segurança previstas
Entre as exigências previstas estão a instalação de sensores de calor, ventiladores para a renovação do ar e chuveiros automáticos nas áreas onde há carregadores. Segundo os Bombeiros, a padronização é fundamental para lidar com os riscos específicos das baterias de lítio, que, em caso de incêndio, exigem métodos distintos de contenção.
A nova cartilha surge em um momento de expansão do mercado de elétricos no estado. No primeiro semestre de 2024, foram vendidos 33.700 veículos com esse tipo de motorização em São Paulo — um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Adesão cresce em condomínios
A demanda por infraestrutura de recarga também avança nos edifícios residenciais. Para garantir o fornecimento adequado de energia e uma divisão justa dos custos, é fundamental que o sistema conte com balanceamento de carga e individualização do consumo. No entanto, a instalação precisa ser aprovada em assembleia condominial, já que a decisão impacta todos os moradores — inclusive aqueles que ainda não possuem carro elétrico, mas que podem vir a utilizá-lo no futuro.
Incêndios são mais raros, mas exigem atenção
Apesar das preocupações com incêndios, dados internacionais indicam que os carros elétricos são menos propensos a pegar fogo. De acordo com a National Transportation Safety Board (NTSB), dos Estados Unidos, veículos elétricos têm 60 vezes menos risco de incêndio em comparação aos movidos a combustão. Em 2023, foram registrados apenas 25 incêndios a cada 100 mil veículos elétricos, contra 1.530 em modelos a gasolina ou diesel.
Relatórios da Agência de Contingência Civil da Suécia também apontam números semelhantes: entre 2018 e 2022, foram registrados apenas 29 casos com elétricos e 52 com híbridos, enquanto veículos a combustão responderam por mais de 3 mil ocorrências em um único ano.
Ainda assim, os incêndios em carros elétricos apresentam características próprias. As baterias liberam substâncias tóxicas e podem reacender horas ou dias após serem apagadas. Por esse motivo, após a extinção das chamas, os veículos precisam ser isolados por um período.
Novas tecnologias aumentam a segurança
A indústria tem investido em soluções para tornar os veículos elétricos ainda mais seguros. Um dos destaques são as baterias Blade, utilizadas em modelos da chinesa BYD. Elas têm células retangulares e planas, que facilitam a dissipação de calor e reduzem a liberação de oxigênio durante superaquecimentos — fator que ajuda a evitar combustões em cadeia.
Marcas como Tesla e Toyota também estudam essa tecnologia, com o objetivo de eliminar definitivamente o risco de incêndios e ampliar a confiança dos consumidores.
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