Stellantis substitui correia banhada a óleo por corrente após falhas na Europa

Stellantis substitui correia banhada a óleo por corrente após falhas na Europa

Após anos de uso da correia dentada banhada a óleo nos motores 1.0 e 1.2 PureTech, a Stellantis decidiu substituí-la por corrente de comando em seus modelos mais recentes na Europa. A decisão foi motivada por uma série de falhas de durabilidade no componente, que resultaram em alto número de queixas de proprietários e prejuízos mecânicos em diversos veículos das marcas Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall — todas integrantes do grupo.

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Os problemas começaram a surgir quando partículas da correia ressecada entupiam o sistema de lubrificação, causando falhas no funcionamento do motor, aumento no consumo de óleo e danos em componentes como bomba de vácuo e filtro de óleo. A crise levou a fabricante a ampliar a garantia para até 10 anos ou 175 mil quilômetros e convocar milhares de clientes para a troca preventiva da correia por uma versão reforçada.

Promessa de durabilidade não cumprida

Originalmente, a correia banhada a óleo foi desenvolvida para oferecer os mesmos níveis de eficiência de uma correia convencional, mas com ruído reduzido e durabilidade equivalente à de uma corrente metálica. A ideia foi bem recebida inicialmente: os motores PureTech chegaram a vencer o prêmio de Motor do Ano em 2015 e 2018. No entanto, na prática, muitos componentes apresentaram falhas muito antes da quilometragem prevista.

Na Europa, a durabilidade prometida era de 240 mil quilômetros — a mesma estipulada pela Chevrolet para seus motores com sistema semelhante. Porém, diante das falhas recorrentes, a Stellantis reduziu o intervalo de troca da correia para 60 mil quilômetros ou três anos. O serviço, na rede europeia, custa cerca de 800 euros (cerca de R$ 5.200).

Ressarcimento e ações corretivas

A montadora criou um sistema online para que proprietários afetados possam solicitar reembolso por reparos anteriores, desde que a manutenção tenha sido feita em oficinas autorizadas. O grupo também notificou a fornecedora do componente, a Continental, e chegou a tentar soluções paliativas como o revestimento com laca. No entanto, essas medidas não impediram a penetração do óleo e a degradação da borracha.

A adoção da corrente de comando passou a ser padrão nos motores 1.2 de nova geração desde 2022, especialmente nas versões híbridas leves. A mudança também beneficiou os modelos da Fiat e da Jeep, que já adotavam corrente nos motores 1.0 e 1.3 GSE e, por isso, ficaram fora da crise.

Brasil não foi amplamente afetado

No Brasil, o problema afetou apenas o antigo Peugeot 208 com motor 1.2 PureTech, mas em proporções bem menores. Isso porque o modelo vendido por aqui já previa a troca da correia a cada 80 mil quilômetros desde o início. Além disso, Chevrolet também utilizou sistema semelhante em seus motores 1.0 e 1.2, mas recentemente passou a adotar correias mais resistentes e reforçou suas diretrizes de manutenção, incluindo a ampliação da garantia do componente.

Fim da linha para o nome PureTech

Com o desgaste da imagem, a Stellantis decidiu aposentar o nome PureTech de seus modelos. A adoção da corrente de comando se consolida como tendência no grupo, embora algumas exceções ainda existam — como certas versões do Peugeot 308, que seguem utilizando correia, mesmo com a versão híbrida adotando corrente.

A substituição definitiva do componente representa um marco nas estratégias de confiabilidade da fabricante, após mais de uma década de uso da correia banhada a óleo nos motores da antiga PSA.

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Paula Jabour

Paula Jabour

Paula Jabour é criadora de conteúdo e copywriter. Ela atende clientes de diversos setores, incluindo automotivo, restaurantes, artistas e profissionais liberais.

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