Matriz da Kia assumirá operação da marca e promete fábrica no Brasil
Negociações ocorrem para que o controle da Kia seja transferido do Grupo Gandini à matriz sul-coreana após 34 anos, com novos investimentos
A Kia está prestes a passar por uma das maiores mudanças de sua história no Brasil. Segundo apuração exclusiva do jornalista João Anacleto, do canal A Roda, no YouTube, a operação da marca deixará de ser comandada pelo Grupo Gandini e passará para o controle direto da matriz sul-coreana, encerrando um ciclo de 34 anos sob a liderança do empresário José Luiz Gandini. De acordo com as informações, a rede de concessionárias já foi comunicada sobre a transição, que deverá ser concluída até o fim deste ano, enquanto o anúncio oficial deve acontecer nos próximos dias.
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A mudança representa o fim de uma parceria iniciada no começo da década de 1990, quando Gandini assumiu a representação da Kia em um mercado brasileiro muito diferente do atual. Naquele período, a abertura às importações ainda engatinhava e a fabricante sul-coreana era praticamente desconhecida do grande público. Ao longo dos anos, a operação consolidou modelos que marcaram época, como Besta, Sportage, Soul, Topic e Bongo, ajudando a construir a imagem da marca no país com carros importados mesmo diante das constantes oscilações econômicas e da valorização do dólar, que reduziram sua competitividade nos últimos anos.
Por trás dessa mudança, porém, existe uma negociação que vai além da simples troca de comando. Conforme revelou João Anacleto, a Kia conseguiu o perdão de um passivo ligado à Asia Motors, empresa que pertencia à Kia desde 1976. A dívida, atualizada em cerca de R$ 6 bilhões, teve origem nos anos 1990, quando foram concedidos incentivos fiscais para viabilizar a construção de uma fábrica brasileira destinada à produção dos utilitários Topic e Towner.
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O projeto, entretanto, nunca saiu do papel. Pouco tempo depois, a própria Kia enfrentou uma grave crise financeira durante a crise asiática e acabou incorporada pela Hyundai em 1998, levando consigo também toda a complexidade envolvendo esse passivo relacionado às operações brasileiras.
Nova fase pode tirar antiga promessa do papel
Segundo a apuração de Anacleto, o perdão dessa dívida estaria diretamente ligado a um novo compromisso assumido pela fabricante: construir uma fábrica no Brasil até 2028. A expectativa é de que a unidade seja instalada ao lado da planta da Hyundai, em Piracicaba (SP), criando cerca de 5 mil empregos diretos e outros 15 mil indiretos. Até o momento, porém, ainda não há confirmação sobre quais modelos serão produzidos na futura instalação.
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Caso a operação realmente passe para as mãos da matriz, a expectativa é de que a Kia ganhe maior capacidade de investimento no mercado brasileiro. O controle direto pode facilitar decisões estratégicas, acelerar lançamentos, ampliar a oferta de produtos e dar mais competitividade à marca em um cenário cada vez mais disputado, principalmente com o avanço das fabricantes chinesas e a eletrificação do mercado nacional.
Apesar de sua trajetória consolidada no Brasil, a Kia vive hoje uma realidade bem diferente da registrada em seus anos de maior destaque. A marca perdeu participação ao longo do tempo, reflexo principalmente da alta do dólar e da redução do volume de importações. Ainda assim, segue presente no mercado com modelos como o Bongo e o Sportage, que sustentam sua operação local.
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De acordo com apurações da revista Autoesporte, José Luiz Gandini confirmou que existem conversas sobre o futuro da operação brasileira, mas evitou antecipar detalhes enquanto as negociações não forem oficialmente concluídas. Caso a transição seja confirmada, será o encerramento de uma gestão iniciada há mais de três décadas e o começo de uma nova fase para a Kia no Brasil.
