Dos carros para as oficinas: como a IA ajuda no mercado de reparação automotiva
Após dominar os dispositivos eletrônicos e chegar aos sistemas dos carros, a Inteligência Artificial passa a apoiar a operação das oficinas
A inteligência artificial começa a mudar não apenas a forma como o motorista interage com o carro, mas também o trabalho realizado quando o veículo precisa de manutenção. À medida que os automóveis incorporam mais sistemas eletrônicos, conectividade e recursos capazes de interpretar comandos, as oficinas também passam a recorrer à tecnologia para diagnosticar problemas, organizar serviços e encontrar peças.
Nesse cenário, a IA surge como ferramenta de apoio ao trabalho do mecânico. No Brasil, um exemplo dessa aplicação é a Pitz, plataforma de infraestrutura automotiva de origem mexicana que já atua no país. A empresa desenvolveu uma solução que reúne recursos de diagnóstico, gestão de oficinas e compra de peças em um mesmo ambiente, com o objetivo de reduzir a dependência de processos manuais e fragmentados que são comuns no mercado de reparação.
Um dos recursos é o João, assistente de voz baseado em inteligência artificial. A ferramenta permite que o mecânico faça consultas sem precisar interromper o trabalho, utilizando comandos de voz para obter informações técnicas, verificar peças compatíveis, emitir ordens de serviço e consultar o histórico do veículo.
A tecnologia funciona como uma camada de apoio ao trabalho que já é executado na oficina e pode ser aplicada à etapa de diagnóstico. Com mais informações disponíveis sobre o veículo e o serviço realizado, sistemas desse tipo conseguem organizar dados e auxiliar na identificação de possíveis problemas. Isso não elimina a necessidade da avaliação do mecânico, mas pode reduzir o tempo empregado na busca por informações e contribuir para decisões mais precisas.
A integração entre diagnóstico, gestão e suprimentos procura diminuir um dos gargalos da operação das oficinas: encontrar rapidamente o componente correto e evitar erros na compra de peças. Em vez de ser utilizada apenas como uma ferramenta isolada, ela passa a fazer parte de diferentes etapas do processo, desde a entrada do veículo na oficina até a conclusão do reparo.
IA já começa a fazer parte dos carros
Nos veículos mais recentes, a tecnologia já aparece em diferentes níveis. Assistentes virtuais permitem interações por voz e podem responder perguntas sobre o carro, enquanto sistemas de monitoramento identificam sinais de fadiga ou distração e recursos de assistência à condução utilizam câmeras e sensores para detectar faixas, obstáculos e outros veículos.
A conectividade amplia ainda mais esse ecossistema. Funções de monitoramento remoto, serviços de assistência e comunicação com centrais de atendimento transformam o veículo em um equipamento permanentemente conectado. Até recursos como o fornecimento de energia para equipamentos externos mostram que o carro deixou de ser apenas um meio de transporte e passou a concentrar diferentes funções digitais.
Com a chegada de veículos cada vez mais eletrônicos e conectados, a tendência é que as oficinas também precisem acompanhar essa transformação. Nesse processo, a inteligência artificial pode assumir um papel crescente na interpretação de dados, no diagnóstico e na organização da operação.
