Auge do segmento? SUVs representam 54% das vendas no Brasil
Somente no último ano SUVs registraram mais de 1 milhão de emplacamentos no Brasil, enquanto lideram a intenção de compra em 2026
Os SUVs parecem viver seu auge definitivo no mercado brasileiro. Dados da Fenabrave mostram que somente em 2025 foram emplacados 1.095.642 veículos do segmento no país, número que representa 54,89% de todos os automóveis vendidos no período. O levantamento considera todos os utilitários esportivos em uma única categoria, sem subdivisões entre compactos, médios ou grandes, reforçando a dimensão que esse tipo de carroceria alcançou no Brasil.
Esse é o maior número registrado para os utilitários esportivos na Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), evidenciando um crescimento que acontece desde 2015, quando os SUVs registraram 306.146 emplacamentos e 14,82% de participação no mercado. Foi justamente naquele período que o segmento conheceu modelos nacionais responsáveis por popularizar de vez esse tipo de carroceria, como Jeep Renegade, Honda HR-V e Peugeot 2008.
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Os três chegaram com uma proposta mais emocional e com percepção de valor elevada frente aos SUVs compactos nacionais que dominavam até então, como Ford EcoSport e Renault Duster, que tinham uma proposta mais espartana e maior foco em parecer off-road. Diferentemente deles, os novatos da Jeep, Honda e Peugeot deixavam clara a intenção de serem mais urbanos, acrescentando itens antes vistos apenas em categorias superiores e democratizando alguns luxos e confortos em uma faixa de preço próxima de sedãs e hatchs médios.
Além da posição de dirigir elevada, os SUVs passaram a oferecer um pacote que combinava espaço interno, visual robusto e sensação de status, atributos que rapidamente conquistaram o consumidor brasileiro. Desde então, a aceitação do mercado para esses modelos cresceu de forma exponencial. O volume de emplacamentos mais do que triplicou em 10 anos, enquanto praticamente todas as marcas que atuam no Brasil passaram a investir em veículos com essa mesma proposta.
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O movimento ajuda a explicar também outro levantamento importante para o setor. Segundo a quarta edição da Pesquisa de Intenção de Compra realizada pelo Webmotors Autoinsights, os SUVs lideram a preferência dos brasileiros para 2026, com 40% dos entrevistados afirmando que desejam adquirir um veículo do segmento. O dado reforça que a carroceria deixou de ser apenas tendência e se consolidou como a principal escolha do mercado nacional.
SUVs mudaram o portfólio das marcas no Brasil
O SUV mais vendido do Brasil atualmente é o Volkswagen T-Cross, com 92.842 unidades em 2025 e 26.841 emplacamentos até abril deste ano. O caso da montadora alemã é um dos exemplos mais claros de como as fabricantes passaram a adaptar sua gama de veículos para acompanhar a mudança de comportamento do consumidor.
Lançado em 2019, o T-Cross surgiu baseado na mesma plataforma do sedã Virtus e rapidamente se consolidou entre os líderes do segmento. Pouco depois, ganhou a companhia do Nivus, SUV de perfil coupé derivado do Polo que inaugurou uma nova fase de utilitários ainda menores, criados justamente para ocupar o espaço dos hatchs tradicionais de acesso. O próprio Polo perdeu versões e foi simplificado para abrir espaço ao Tera, SUV de entrada da marca posicionado abaixo do Nivus.
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A estratégia segue nas categorias superiores. A Volkswagen ainda conta com o Taos entre os SUVs médios e passou a oferecer a nova geração do Tiguan em uma proposta mais sofisticada e premium, mostrando como a marca expandiu sua atuação praticamente em todas as faixas do mercado de utilitários esportivos.
Segundo Cristian Letti, CEO do Grupo Servopa, que reúne 52 concessionárias Volkswagen nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, a ascensão do segmento reflete diretamente no comportamento das vendas dentro das lojas da marca. De acordo com o executivo, “a popularidade dos SUVs está diretamente ligada à percepção de segurança e à versatilidade de uso”. Ele afirma ainda que, somente nos últimos três meses, 52,7% das vendas registradas pelo grupo foram de SUV, consolidando os utilitários esportivos como a principal escolha do consumidor brasileiro.
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Esse movimento também acontece em outras fabricantes. A Fiat, por exemplo, reduziu o protagonismo das versões mais caras do Argo para abrir espaço ao Pulse dentro da linha nacional. Já a Renault encerrou a trajetória do Sandero no Brasil para posicionar o Kardian como novo utilitário de entrada com proposta mais alinhada ao atual momento do mercado.
Até mesmo a Jeep, uma das responsáveis pelo boom dos SUVs compactos há cerca de dez anos, precisou reagir às novas exigências do público. O Renegade perdeu força frente aos rivais mais modernos e a marca já prepara a chegada do Avenger, modelo menor e voltado justamente para a faixa de entrada do segmento. A expectativa é de que a novidade aqueça ainda mais a disputa entre os compactos e ajude a elevar novamente os números de vendas da categoria até o fim deste ano.
