70 anos do primeiro nacional: Romi-Isetta ganha evento para celebrar a data

70 anos do primeiro nacional: Romi-Isetta ganha evento para celebrar a data
Foto/Reprodução: Fundação Romi-Isetta

Encontro nacional de unidades do Romi-Isetta acontece em setembro na mesma cidade onde saiu o primeiro carro de origem brasileira em 1956

Os 70 anos do lançamento do Romi-Isetta serão celebrados em 5 de setembro de 2026, exatamente sete décadas depois da apresentação oficial do primeiro automóvel fabricado no Brasil. A data será marcada pelo Encontro Nacional de Romi-Isettas, que reunirá proprietários e exemplares do modelo na Fundação Romi, em Santa Bárbara d’Oeste (SP), cidade onde foi iniciada a produção.

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Com entrada gratuita, o evento acontece das 9h às 15h e terá exposição histórica, carreata, atividades para proprietários, atrações musicais, praça de alimentação e espaço infantil. Mais informações e inscrições para exposição dos veículos estão disponíveis no site da Fundação Romi.

Romi-Isetta abriu caminho para a indústria automotiva brasileira

O Romi-Isetta nasceu de uma iniciativa da Romi, fabricante de máquinas e implementos agrícolas de Santa Bárbara d’Oeste. Em 1955, Américo Emílio Romi e Carlos Chiti estudaram a produção nacional do Iso Isetta, modelo italiano que foi avaliado no Brasil após a importação de duas unidades. A fabricante brasileira então obteve a licença de produção e decidiu bancar sozinha o projeto.

A primeira unidade saiu da linha de montagem em junho de 1956, com índice de nacionalização de 72%. O lançamento oficial ocorreu em 5 de setembro daquele ano, quando 16 exemplares desfilaram pelas ruas de São Paulo. No mesmo dia foi registrada a primeira venda, de uma unidade vermelha e creme, de chassi 56001.

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Compacto e leve, o Romi-Isetta tinha 350 kg e utilizava inicialmente um motor Iso de dois tempos, com 236 cm³ e 9,5 cv. O modelo chegava a 85 km/h e podia alcançar consumo de 25 km/l. Entre suas principais características estavam a carroceria aerodinâmica e a icônica porta única dianteira, que abrigava a grande área envidraçada do para-brisa, com soluções inspiradas na indústria aeronáutica.

Em 1959, o modelo ganhou a versão 300 de Luxe, equipada com motor BMW de quatro tempos, 298 cm³ e 13 cv, além de pequenas melhorias técnicas e visuais. O carro diminuto conquistou popularidade entre o público e personalidades da época, como Eva Wilma e John Herbert, ajudando a transformar o Isetta em um dos símbolos do início da indústria automobilística brasileira.

A produção terminou em 13 de abril de 1961, quando a última unidade deixou a fábrica no interior paulista, após pouco mais de 3.000 unidades produzidas. Mesmo com pouco menos de cinco anos de fabricação, o Romi-Isetta teve papel pioneiro na criação da indústria automotiva nacional, especialmente pela produção local e pelo desenvolvimento de fornecedores. Setenta anos depois de sua estreia, o modelo volta à cidade onde nasceu para celebrar um capítulo importante da história do automóvel no Brasil.


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Junio Paiva

Junio Paiva

Jornalista pela PUC Minas, Júnio atua desde 2017 na produção de conteúdo automotivo para redes sociais e sites especializados. Seu foco está na redação, cobertura de lançamentos e nos bastidores da indústria automotiva.