Preço de carros eletrificados importados pode subir até 8%; entenda
Com a retomada em julho da alíquota de 35%, como aplicado em carros a combustão, eletrificados importados para o Brasil podem subir de preço
O avanço acelerado dos carros eletrificados no Brasil, que registraram crescimento recorde em 2025, pode enfrentar um novo desafio nos próximos meses. A partir de julho, a alíquota de importação para veículos elétricos e híbridos importados será elevada para 35%, mesmo patamar já aplicado aos modelos a combustão, movimento que tende a impactar diretamente os preços ao consumidor final.
As informações, apuradas pelo site AutoIndustria, foram discutidas durante um encontro com a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), conduzida por Murilo Brigante, COO da Bright Consulting. Na ocasião, o executivo analisou o cenário do mercado automotivo brasileiro e global, destacando o aumento da competitividade no país e a consolidação da China como um agente central da indústria.

Segundo Brigante, o processo de eletrificação no Brasil deixou de ser um nicho para se tornar parte estrutural do negócio automotivo. Esse avanço ocorre em paralelo a uma importante redução de custos globais, como a queda de cerca de 40% no preço das baterias, que passaram de US$ 165 por kWh para aproximadamente US$ 100 por kWh. O componente representa cerca de 40% do custo total de um veículo elétrico.
Apesar desse ganho estrutural, a mudança na política tarifária tende a pressionar os preços dos modelos importados. Com a elevação da alíquota de 30% para 35% a partir de julho, a estimativa é de que os carros eletrificados trazidos de fora do país possam ter reajustes de até 8% em relação aos valores praticados em 2024.
O impacto, no entanto, não deve ser uniforme em todo o segmento. Para os eletrificados montados localmente em regime CKD ou SKD, como modelos BYD e GWM, o efeito da alta tarifária tende a ser mais limitado. De acordo com a análise apresentada, esses modelos terão um aumento menor de imposto, com a alíquota subindo de um intervalo entre 10% e 14% para 16%, desde que alcancem ao menos 55% de conteúdo local.

Nesse cenário, o reflexo nos custos seria de aproximadamente 3% para os veículos 100% elétricos e de apenas 1% para os híbridos, especialmente se as montadoras ampliarem a utilização de peças produzidas no Brasil. A estratégia de nacionalização parcial, portanto, surge como um fator-chave para conter reajustes mais expressivos.
Durante a apresentação, Brigante também destacou mudanças no comportamento do consumidor brasileiro. Segundo ele, o comprador atual não se contenta mais com o básico e passou a exigir valor agregado real, com destaque para tecnologias de assistência ativa à condução. Sistemas de ADAS, por exemplo, vêm registrando crescimento de dois dígitos e se tornaram decisivos no processo de compra.
Esse novo patamar tecnológico, aliado à consolidação dos eletrificados, redefine o padrão mínimo dos próximos lançamentos no país. Ao mesmo tempo, a elevação de preços afasta parte do público da classe C do mercado de carros zero-quilômetro, fortalecendo o papel dos seminovos e usados como alternativa relevante para o varejo automotivo.
Mesmo com o possível reajuste nos preços dos importados, o cenário de 2025 mostra que a eletrificação ganhou escala no Brasil. A discussão agora passa a ser como equilibrar crescimento, competitividade e política industrial em um segmento que deixou de ser tendência e já se tornou realidade no mercado nacional.
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