Juntando a família

Chevrolet Spin LTZ – 2016

Quando é preciso juntar uma família grande para uma viagem de carro, ou mesmo no dia a dia, às vezes, a coisa complica, pois não cabe todo mundo. E é exatamente aí que entra o Chevrolet Spin. Com 7 lugares e um bom espaço interno, ele realmente resolve o problema de muita gente.

Projetado e desenvolvido no Brasil sobre a plataforma do Cobalt, o Chevrolet Spin veio com uma missão difícil: substituir, com a mesma carroceria, o Meriva e o Zafira, respectivamente. E conseguiu, tanto que a fábrica diz que vende mais do que eles juntos e, se não ganhou em beleza dos dois, pelo menos ficou maior que ambos.

O modelo 2016 da minivan não ganhou modificações estéticas. Apesar do seu jeito “quadradão de ser”, atinge o objetivo quando se fala em praticidade e conforto: tem lugar para sete pessoas, mas na terceira fileira só duas crianças se acomodam bem.. Para melhorar o conforto, os encostos das duas fileiras são reguláveis.

O acesso ao último banco é razoável, já que o da segunda fileira, que é bi-partido, recolhe todo. Vários porta-objetos nas portas e laterais garantem mais praticidade em viagens. O porém fica por conta do espaço para bagagem. Com todos os bancos no lugar, sobram apenas 162 litros de capacidade e aí, se a viagem for longa será preciso usar o bagageiro no teto. Se o terceiro banco for recolhido, a capacidade sobe para bons 680 litros. Uma coisa que faz falta é uma cobertura retrátil para esconder as bagagens.

Com relação à segurança, uma mancada: quem vai sentado no meio do banco da segunda fileira não tem cinto de três pontos, nem o apoio de cabeça. Outra, é com o conforto: o ar-condicionado não tem saídas para quem viaja nos bancos traseiros, nem na versão LTZ, a topo de linha. Se o dia estiver quente, quem sentar na última fileira vai sofrer um pouco, pois as janelas são fixas.

O acabamento segue a cartilha do Cobalt: materiais e arremates honestos deixam o interior agradável. Para o modelo 2016, o Spin ganhou um novo revestimento interno, onde predomina a cor preta. Além do painel, o revestimento interno das portas e do porta-malas segue a nova coloração, fazendo um contraste sóbrio com tons de cinza nos bancos e laterais, ampliando a sensação de espaço. O quadro de instrumentos, que continua digital, também ganhou uma nova grafia, ficando mais legível.

Como anda

Dirigir o Spin é agradável. Com uma posição alta, a visibilidade é boa em qualquer direção e os espelhos retrovisores externos, de boas dimensões, ajudam bastante. Com pouco menos de 4,5 metros de comprimento, se sai bem no trânsito e não cria grandes problemas na hora de achar uma vaga para estacionar. Além disso, é fácil achar uma boa posição de dirigir, com banco e volante reguláveis em altura. Direção precisa e freios com boa resposta, em qualquer situação, garantem tranquilidade a quem está ao volante.

A suspensão também faz o seu papel com eficiência. Filtra bem as irregularidades do solo, deixando o rodar confortável e silencioso. Claro, mais alto que um carro normal, o Spin deve ser dirigido com cautela em curvas, quando acaba inclinando a carroceria um pouco mais do que seria desejável. Só não dá para entender como ainda não tem controles eletrônicos de estabilidade e tração. São dois itens de segurança importantes, principalmente em um carro que tem como proposta o transporte de família.

Desde que o Spin foi lançado em 2012, a GM resolveu aproveitar nele o velho motor 1.8 que foi utilizado até pela Fiat há alguns anos. Fizeram algumas modificações, mudaram o nome para EconoFlex mas, acredite, perdeu 6 cavalos, tanto com etanol quanto com gasolina, em relação ao mais antigo. Tudo bem, se o dono não cometer excessos, ele é durável e vai dar pouca manutenção. Mas, quando o Spin está carregado, os 108 cavalos (se você estiver usando gasolina são 106) sofrem um pouco para movimentar o Spin. Principalmente nas retomadas de velocidade.

Quem colabora, não deixando “a peteca cair”, é o câmbio automático de seis marchas, de segunda geração, colocado a partir deste modelo 2016. Com engates suaves, ele é 50% mais veloz nas trocas de marchas em relação ao anterior e faz reduções duplas e até triplas, o que ajuda bastante em situações mais críticas. Mesmo porque, apesar de ter a possibilidade de engatar as marchas de modo sequencial, por meio de um botão, ele só faz isso colocando a alavanca em modo manual. De qualquer maneira, a exemplo de outros câmbios automáticos, ele deveria permitir essa troca manual também na posição D (drive), que é um recurso à mais para o motorista obter respostas mais rápidas.

Porém, apesar dessa agilidade toda do câmbio, ele não consegue fazer com que o conjunto apresente um bom resultado, quando o assunto é consumo de combustível, devido à pouca eficiência energética do velho motor 1.8. Em nosso circuito de teste, metade cidade/metade estrada, chegou às médias de 6,3 km/l com etanol e 8,7 km/l com gasolina. Deveria ser melhor!

Enfim, tudo somado, o Spin é uma opção interessante para quem quer um carro com mais lugares e não tem uma conta no banco suficiente para comprar modelos maiores. E pode escolher entre câmbio manual de 5 marchas ou automático de 6, como esta versão LTZ que testei. Claro que não chega a ser um primor de design, mas compensa pelo espaço que oferece, praticidade e relação custo/beneficio, já que, em todas as versões, vem com todos os equipamentos que o brasileiro faz questão, como direção hidráulica, ar-condicionado e trio elétrico. Para aqueles que não precisam de um carro com mais de cinco lugares, tem a versão LT, mais em conta e, para quem gosta, tem uma com estilo aventureiro, a Activ, com direito a estepe dependurado na traseira.

Preços:

Spin 1.8 LT                           R$ 55.890

Spin 1.8 LT (pacote 1)        R$ 58.890

Spin 1.8 LT Aut.                  R$ 62.890

Spin 1.8 LTZ                        R$ 64.890

Spin 1.8 LTZ Aut.                R$ 68.490

Spin 1.8 Activ                      R$ 64.550

Spin 1.8 Activ Aut.              R$ 68.690

 

Ficha Técnica Chevrolet Spin 1.8 – 2016

Lista de equipamentos de série Chevrolet Spin 1.8 2016

 

Fotos: Camila Camanzi, Emilio Camanzi e divulgação GM

 

 

Um comentário em “Juntando a família

  1. Então: não tem tampa no bagageiro, não tem cinto três pontos no assento traseiro do meio, não tem controle de estabilidade e tração, não tem design bonito, não tem saída de ar para passageiros de trás, não tem motor potente e nem econômico. A GM cometeu os mesmos erros que em carros anteriores, deixou de evoluir no modelo que sucedeu os anteriores e ainda conseguiu deixar o veículo mais feio (a Zafira talvez tenha sido o carro do tipo mais bonito do país, na minha modesta opinião). Resumo: tem que ter muita coragem.

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