EVs: BYD acelera em recarga rápida enquanto Brasil tenta acompanhar
Com plano de expansão e a chegada do Denza Z9 GT, a BYD planeja dar os primeiros passos rumo à realidade de recargas em poucos minutos por aqui
A eletrificação avança em ritmo acelerado no Brasil, mas a infraestrutura ainda tenta acompanhar essa maré. Nos últimos anos, vimos uma verdadeira avalanche de lançamentos de carros elétricos e híbridos plug-in no país, com destaque para marcas chinesas como BYD, GWM e Geely, que vêm liderando esse movimento. Mas enquanto os carros evoluem, com autonomias para viagens cada vez mais longas e tempos de recarga cada vez menores, a rede de abastecimento elétrico ainda cresce de forma mais cautelosa.
Hoje, o Brasil conta com aproximadamente 21 mil pontos de recarga públicos e semipúblicos, concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste. A maior parte dos usuários ainda depende do carregamento residencial, com wallboxes instalados em casas ou condomínios. Já nas ruas, os eletropostos aparecem em shoppings, supermercados e algumas redes de combustíveis, como a Shell e o Graal, mas ainda com limitações, especialmente quando fora dos grandes centros.
O cenário começa a mudar quando olhamos para os carregadores rápidos (DC), que vêm ganhando espaço em rodovias e pontos estratégicos. Ainda assim, a maioria dessas estações opera entre 60 kW e 150 kW, com alguns casos chegando perto dos 300 kW. É um avanço importante, mas ainda distante do que já é realidade em mercados mais maduros.
O início de uma virada?
É exatamente nesse contexto que entra o mais recente movimento da BYD. A marca anunciou um plano ambicioso de instalar 1.000 pontos de recarga ultrarrápidos no Brasil até 2027, equipados com a nova tecnologia Flash de carregamento rápido da montadora. Os carregadores são capazes de entregar até 1.500 kW de potência, um salto significativo em relação ao que é padrão atualmente.
Na prática, isso significa reduzir drasticamente o tempo de recarga. A promessa é sair de 10% para 70% de bateria em cerca de cinco minutos, com quase carga total em menos de dez. Um cenário que começa a aproximar a experiência de um carro elétrico à de um modelo a combustão, pelo menos no que diz respeito ao tempo de “abastecimento”.
Mas há ainda outro detalhe importante: nem todo carro consegue aproveitar esse nível de potência. A velocidade de recarga depende da arquitetura elétrica do veículo e apenas modelos mais modernos, com sistemas como o de 800 volts, são os que realmente conseguem tirar proveito dessas estações para longos trajetos.
O Z9 GT, modelo esportivo da divisão de luxo Denza da BYD, confirmado para chegar ao Brasil ainda este ano, será o primeiro modelo da marca com suporte a essa nova tecnologia de recarga ultrarrápida. Desenvolvido como vitrine tecnológica e com até 800 km de autonomia, o Denza Z9 GT utiliza a nova geração de baterias Blade da montadora e é totalmente compatível com os novos postos que a marca planeja instalar em solo nacional.
Em suma, o movimento representa bem o que esperamos ver pela frente: baterias mais eficientes, maior autonomia e recargas cada vez mais velozes. Hoje, viagens longas com veículos elétricos no Brasil ainda exigem bastante planejamento. A cobertura fora dos grandes centros é irregular, e a disponibilidade de carregadores rápidos quase nunca acompanha a demanda. Isso cria um contraste claro entre a evolução dos carros e a realidade das estradas.
Realidade na China é oposta
Para entender o quanto ainda há a avançar, basta olhar para a China, referência global em eletrificação. Por lá, soluções de recarga ultrarrápida não são novidade. Ainda em 2015, o país já implementava ônibus elétricos capazes de recarregar em segundos durante as paradas, com infraestrutura integrada ao transporte urbano. Na prática, os veículos percorrem curtas distâncias e recuperam energia rapidamente entre o embarque e desembarque de passageiros, um conceito que mostra como a recarga pode ser incorporada ao uso cotidiano.
Desde então, o país asiático vem investindo em avanços para o aprimoramento dessas tecnologias, o que se reflete na recente chegada dos carregadores Flash da BYD, desenvolvidos por lá. No Brasil, a realidade para a eletrificação no transporte urbano ainda caminha de forma mais lenta, com ônibus movidos e energia apenas em alguns centros urbanos e com métodos de carregamento menos acelerados.
Ainda assim, isso não diminui a importância dos avanços recentes. O movimento de marcas como a BYD, somado a iniciativas de empresas como a Volvo e outras parcerias com redes de energia, ligadas ou não as montadoras, mostra que o setor começa a olhar com mais atenção para o principal gargalo da eletrificação: a infraestrutura.
