Ciao Claudio Carsughi: adeus a uma referência do jornalismo automotivo brasileiro
Jornalista Cláudio Carsughi, referência do setor, morre aos 93 anos e é lembrado pelo amigo Emilio Camanzi
O jornalismo automotivo brasileiro perdeu nesta quarta-feira (10) uma de suas referências. Claudio Carsughi morreu aos 93 anos, deixando uma trajetória de décadas dedicada à imprensa, aos automóveis e ao esporte. Italiano de Arezzo, chegou ainda jovem ao Brasil e construiu uma carreira que passou pelo rádio, jornais e revistas, tornando-se especialmente conhecido pela atuação na cobertura automobilística.
Na Rádio Jovem Pan, onde começou a atuar em 1957, Carsughi se tornou uma voz conhecida também pelos comentários sobre Fórmula 1. Na imprensa escrita, passou por veículos como Jornal da Tarde e Placar, além de construir uma relação histórica com a revista Quatro Rodas. A amizade com Emílio Camanzi nasceu justamente nesse período. Os dois passaram a trabalhar juntos na área técnica da Quatro Rodas em 1974, realizando testes de veículos, relação profissional que se transformaria em uma amizade mantida por décadas.
Na publicação, protagonizou um dos momentos mais marcantes de sua carreira no setor automotivo: em maio de 1980, realizou o primeiro teste do Volkswagen Gol, então mantido em sigilo pela montadora e ainda inédito para o público. O teste foi publicado com exclusividade pela revista antes mesmo do lançamento oficial do modelo.
A relação com o setor automotivo também deu origem ao Prêmio Carsughi L’Auto Preferita, criado por sua filha, Claudia Carsughi, em 2015. A premiação, que chegou à 11ª edição em 2025, leva seu nome e reconhece veículos e profissionais que se destacam no mercado brasileiro.
Para além da trajetória profissional, Carsughi deixa também as lembranças construídas ao lado dos amigos. Entre elas está a amizade com Emílio Camanzi, jornalista e fundador do site Carros com Camanzi.
Emílio Camanzi relemebra a trajetória com Carsughi e se despede do amigo
Ciao Claudio
Hoje foi um dia triste. Meu amigo Claudio Carsughi, um dos mais renomados jornalistas automotivos que o Brasil já conheceu, foi embora. Não nos despedimos formalmente, nem ele me avisou que ia… e a distância me impediu de chegar a tempo. Mas entre amigos, essas coisas não têm importância. Em cada reencontro, era como se a gente tivesse se visto no dia anterior… e a conversa continuava.
Opa, me deixa contar quem foi Claudio Carsughi.
Conheci Claudio nos idos anos de 1960 pelos comentários esportivos dele na rádio Jovem Pan. Mas, pessoalmente, quando ele chegou ao Jornal da Tarde, em 1965. Porém, foi quando se mudou para a Editora Abril, na revista Placar em 1971, que começamos uma grande amizade. Eu já estava em Quatro Rodas, também da Editora Abril, desde 1970 e essa amizade cresceu a partir de 1974, quando eu e Claudio passamos a trabalhar juntos na área técnica da revista, fazendo testes. Apesar da diferença de idade, italiano como eu, Claudio nasceu em Arezzo, em 1932, e eu em Bologna, em 1948, tínhamos algumas coisas em comum, como ter vindo ainda criança para o Brasil e isso nos aproximou bastante. Eu vim com quatro anos, Claudio um pouco mais velho, com 13. Ele não conseguiu se livrar de um leve sotaque, que tornou sua voz inconfundível e se transformou em sua marca. Apesar disso, era dono de um português impecável e de uma grande paixão pelos automóveis, o que nos uniu bastante.
Sempre elegante, fala mansa, ponderado e com grande conhecimento pelos esportes (todos !!!), principalmente pelo automobilismo (claro, torcedor ferrenho da Ferrari…), sempre trocamos ideias e conhecimento. E era com ele que eu mantinha em dia meu italiano. Mesmo depois que saí da revista, em 1988, continuamos a nos ver, ainda que esporadicamente, mas sempre com aquela alegria do reencontro que os amigos têm e com a necessidade de colocar a conversa em dia, como se ela tivesse sido interrompida só no dia anterior.
Vou sentir sua falta.
Vai com Deus meu amigo.
Emilio Camanzi
A trajetória de Cláudio Carsughi atravessou diferentes gerações do jornalismo brasileiro, do rádio às revistas e, posteriormente, às novas plataformas de comunicação. No setor automotivo, seu trabalho ajudou a consolidar a avaliação técnica de veículos como parte importante da cobertura especializada. Para quem conviveu com ele, porém, o legado vai além das páginas, testes e transmissões: permanece também nas amizades e nas histórias compartilhadas ao longo de uma vida dedicada ao jornalismo.
