Tem chinês novo na praça

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JAC T5

Ele apareceu no Brasil no Salão do Automóvel de 2014, agradou, ficou por aqui se adaptando ao ambiente e, agora, chegou ao mercado. É o JAC T5, que foi apresentado oficialmente na sexta-feira, em São Paulo. Vem para brigar em um segmento que é um dos mais acirrados de nosso mercado e não está dando muita bola para a crise: o de SUV compacto. E está enfrentando concorrentes de peso, como Renault Duster e Ford EcoSport. Seus atributos? Um bom preço, um design moderno, mecânica coerente com a proposta e surpreende com o acabamento, para quem ainda torce o nariz aos carros chineses. Isso sem falar que ele foi o terceiro SUV mais vendido na China no ano passado, com 185 mil unidades.

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Os primeiros já chegaram as concessionárias. Segundo Sergio Habib, presidente da JAC Motors no Brasil, devido à grande evolução do carro, ele está, praticamente, igual aos modelos chineses. Foram poucas as modificações para se adaptar ao Brasil. Além do motor 1.6 flex, a suspensão ficou um pouco mais firme, mais ao gosto do brasileiro, e inseridos alguns requintes como o kit multimídia com mirror link e tela de 8 polegadas. Em agosto, virão os T5 com câmbio automático tipo CVT. Aliás, esse é o modelo escolhido para ser fabricado pela JAC na fabrica brasileira em Camaçari, Bahia, até o fim do ano e que estará à venda em 2017.

Por enquanto, são três versões que vão de R$ 59.990 a R$ 69.990 e, como todo chinês que se preza, bem equipados desde a versão de entrada, tornando-os atrativos na chamada relação custo/benefício (veja a lista de cada versão no link abaixo).

Mas, o T5 não para por aí. Tem no design outro grande chamariz. Com linhas angulosas, o estilo lembra o do EcoSport e, bastante, o Kia iX35. Principalmente na frente, com uma grade de formato hexagonal, porém um pouco exagerada. Se fosse menor, deixaria o conjunto mais equilibrado. Luzes diurnas em LED e faróis de neblina completam a frente. Na lateral, tem uma linha de cintura alta que reforça o aspecto de SUV, em conjunto com as rodas de aro 16 polegadas, e, na traseira, um pequeno aerofólio no alto da tampa do porta-malas dá o toque esportivo.

A surpresa, porém, acontece quando a gente abre a porta e entra no carro. Para começar, o espaço para cinco pessoas é muito bom, principalmente para quem vai atrás. Mesmo os mais altinhos, não sofrem com apertos. Com certeza, um dos melhores entre os carros do segmento. Cintos de três pontos, apoios de cabeça para todos e pontos Isofix para fixação de cadeirinhas de crianças, são de série. No porta-malas, a mesma sensação de espaço: 600 litros à disposição.

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O acabamento acaba confirmando as palavras do presidente Sergio Habib. Melhorou muito em relação aos carros chineses. Tudo bem, o plástico duro ainda predomina, mas os materiais usados demonstram uma evolução na qualidade. O teto tem um material mais cuidado, os encaixes, de uma maneira geral, estão mais bem feitos, não se notam rebarbas nas peças e as costuras dos bancos em couro são corretas. Um conjunto que agrada.

Para o motorista, além do banco e volante reguláveis, um quadro de instrumentos completo, com conta-giros, velocímetro e computador de bordo e comandos ao alcance das mãos. Pena que a iluminação dos instrumentos não é das melhores, dificultando sua visualização, mesmo de dia. Detalhe que se estende à tela do bom sistema multimídia, que permite espelhar o celular. Durante o dia, os reflexos na tela impedem uma leitura mais precisa. Entre os mimos, ar-condicionado digital, trio elétrico e sensor de estacionamento traseiro, são de série desde a versão de entrada.

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A mecânica é igual nas três versões. É o mesmo motor 1.5 JetFlex ,com comando de válvulas de admissão variável, usado nos modelos J3 S e J5. Entrega bons 125 cavalos com gasolina e 127 com etanol e o conjunto vem acoplado a um bom câmbio manual de seis marchas. O conjunto de transmissão tem a relação de diferencial e as três primeiras marchas mais curtas, permitindo boas arrancadas. Enquanto que as outras marchas são mais longas, beneficiando o consumo e o silencio ao rodar.

Aliás, ao dirigir o T5, notam-se outros pontos da evolução dos carros chineses: não existe mais aquela sensação de “pedal esponjoso”, ao acionar a embreagem; os engates do câmbio se mostraram macios e precisos; e a ação do freio (a disco nas quatro rodas), tem uma resposta progressiva e mantém o carro em linha reta, mesmo em freadas mais violentas.

No bom test-drive que fizemos (mais de 200 km), passamos por pisos de vários tipos na cidade, o que permitiu ver que as modificações na suspensão foram acertadas. Só em pisos muito irregulares é que surgiam alguns barulhos que incomodavam. E, além de estradas de pista dupla, estava inclusa a descida da serra em direção à cidade de Bertioga, em pista simples. Foi nas curvas fechadas dela que deu para sentir que o T5, apesar da altura, tem uma boa estabilidade. A versão do teste foi a Pack 3, topo de linha, que vem com os importantes controles eletrônicos de tração e estabilidade. Ao ser provocado nas curvas molhadas pela chuva, os sistemas atuaram muito bem, trazendo o carro de volta à trajetória ao mínimo começo de derrapagem. Diria até que um pouco cedo demais. De qualquer maneira, um detalhe que garante mais segurança, principalmente em pisos escorregadios.

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Com três adultos a bordo, o desempenho mostrou-se coerente com a mecânica e proposta do T5. Arranca bem (segundo a fábrica, acelera de 0 a 100 km/h em 10,8 segundos e chega aos 194 km/h de máxima) e consegue manter as velocidades permitidas por lei (120 km/h nas boas estradas paulistas), com tranquilidade. O câmbio de seis marchas ajuda muito nessa tarefa. Nas subidas da estrada, a 6ª marcha longa, às vezes, pede uma redução para 5ª, mas nada que chegue a atrapalhar. No consumo, pelo que deu para ver no computador de bordo, ele é contido. De qualquer maneira, ostenta o selo A de eficiência energética conferido pelo Inmetro.

Enfim, tudo somado, nesse rápido encontro, o T5 agradou, mesmo aos especialistas mais exigentes, principalmente no quesito acabamento, e demonstra a evolução dos carros chineses, de fato. Isto é, os projetados e construídos lá, como ele. Além do bom preço, estão começando a se comparar com os do ocidente e até com os tradicionais do oriente, evoluindo muito mais rápido do que muitos imaginavam.

Vale a pena fazer um test drive para ver e sentir esta evolução.

Preços:

T5 Pack 1                             R$ 59.990

T5 Pack 2                             R$ 64.990

T5 Pack 3                             R$ 69.990

 

Veja o vídeo release oficial do JAC T5:

 

Ficha Técnica do Jac T5

Lista de equipamentos de série do JAC T5

 

De São Paulo, SP

O jornalista viajou a convite da JAC Motors

 

Fotos e video: Emilio Camanzi e divulgação JAC Motors

4 comentários em “Tem chinês novo na praça

  1. Carro muito bonito e bem acabado a Ecosport não chega nem perto em termos acabamento, tenho uma 2013 e pude comparar e ver a diferença, Jac T5 nota 10.

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