Renault Oroch sai de linha após 11 anos às vésperas do lançamento da Niagara

Renault Oroch sai de linha após 11 anos às vésperas do lançamento da Niagara

Prestes a ser substituída por um projeto mais moderno, Renault Oroch deixa de ser comercializada e põe fim à estrutura do Duster de 2011

A Renault encerrou a produção da Oroch no Brasil após mais de uma década de mercado. Fabricada em São José dos Pinhais (PR), a picape deixa de ser comercializada à medida que os estoques das concessionárias forem esgotados. Sua saída acontece às vésperas da chegada da Niagara, modelo que assumirá seu lugar na gama da marca já nas próximas semanas.

Lançada em novembro de 2015, três meses antes da Fiat Toro, a até então Duster Oroch surgiu como uma resposta antecipada ao projeto da marca italiana para uma picape intermediária monobloco. Enquanto a Renault aproveitou diretamente a estrutura do Duster, praticamente transformando o SUV em uma picape com caçamba de 683 litros de capacidade e carga útil de até 650 kg, a Fiat levou um pouco mais de tempo no desenvolvimento de um modelo com maior independência em relação ao Jeep Renegade que lhe serviu de base.

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Isso explica por que a Oroch cruzou a linha de chegada pouco antes de sua rival histórica. O movimento da Renault, porém, não foi suficiente para garantir protagonismo no segmento, que ainda era inédito no mercado. Pouco depois, a Toro chegou às lojas e assumiu a liderança isolada, posição que mantém até hoje, considerada por muitos a pioneira da categoria. Agora, com a Niagara, a Renault pretende voltar à disputa contra a forte concorrente, desta vez com um projeto desenvolvido especificamente para o segmento.

Motorizações e atualizações ao longo dos anos

No lançamento, a Oroch era oferecida com motores 1.6 e 2.0 flex, ambos aspirados. O primeiro entregava até 115 cv e 15,9 kgfm de torque, associado ao câmbio manual de cinco marchas. Já o 2.0 desenvolvia até 148 cv e 20,6 kgfm, inicialmente com transmissão manual de seis marchas. Posteriormente, a Renault também introduziu uma opção automática de quatro velocidades.

Durante toda a sua trajetória no Brasil, a Oroch foi comercializada exclusivamente com tração 4×2. A fábrica do Paraná, entretanto, chegou a produzir lotes da picape com tração 4×4 destinados exclusivamente à exportação para a Argentina. Enquanto isso, por aqui, a Fiat Toro já oferecia configurações com tração integral regularmente em sua gama.

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Em 2017, a linha ganhou a versão Express, direcionada ao público profissional e às vendas diretas. Anos depois, em abril de 2022, a picape passou por sua atualização mais significativa, com mudanças no visual, melhorias no acabamento interno e central multimídia de oito polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

Na mesma ocasião, a Renault abandou o nome Duster para o projeto e introduziu o motor 1.3 TCe turbo flex, desenvolvido em parceria com a Mercedes-Benz, com até 170 cv e 27,5 kgfm, acompanhado de câmbio automático CVT com oito marchas simuladas. Essa configuração, porém, deixou de ser oferecida em janeiro de 2025, quando a gama voltou a contar exclusivamente com o motor 1.6 SCe aspirado.

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Em sua configuração final, a Oroch era vendida nas versões Pro, Intense e Iconic, com preços de R$ 126.690, R$ 134.390 e R$ 140.790, respectivamente. Todas utilizavam o motor 1.6 flex, de até 120 cv e 16,2 kgfm, com câmbio manual de seis marchas e tração dianteira. Entre as últimas novidades, a linha 2027 recebeu o sistema E-Grip, recurso eletrônico voltado a melhorar a tração em pisos de baixa aderência.

Niagara assume com projeto mais moderno

A substituta da Oroch representa uma mudança mais profunda na estratégia da Renault para o segmento. Diferentemente da antecessora, derivada de um SUV cuja concepção original não previa uma picape, a Niagara foi concebida sobre a plataforma RGMP, desenvolvida desde o início para aplicações desse tipo e que também está presente no Boreal feito no Brasil. A produção da caminhonete, entretanto, é concentrada na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, na Argentina.

Com 4,94 metros de comprimento, a novidade tem caçamba de 938 litros, capacidade de carga de 654 kg e capacidade de reboque de 710 kg. A motorização 1.3 turbo terá até 160 cv com etanol e 156 cv com gasolina no Brasil, sempre com 27,5 kgfm. A gama também contará com opções de tração 4×2 e 4×4, além de câmbio manual ou automático de dupla embreagem.

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Na Argentina, onde a picape já começou a ser comercializada, os preços partem de 45,7 milhões de pesos na versão Evolution+ com câmbio manual e chegam a 59,99 milhões de pesos na configuração Outsider 4×4. Em conversão direta, os valores equivalem a aproximadamente R$ 162 mil e R$ 212,5 mil, respectivamente. A expectativa é que os preços brasileiros sejam superiores, mas a tabela nacional será divulgada apenas no lançamento.

A Niagara também terá uma cabine com proposta mais sofisticada, incluindo painel digital, central multimídia de 10,1 polegadas com serviços do Google e recursos de assistência à condução. Uma configuração híbrida leve está prevista para uma segunda etapa, com chegada esperada em 2027.


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Junio Paiva

Junio Paiva

Jornalista pela PUC Minas, Júnio atua desde 2017 na produção de conteúdo automotivo para redes sociais e sites especializados. Seu foco está na redação, cobertura de lançamentos e nos bastidores da indústria automotiva.