Renault e Nissan Dão Primeiro Passo para o Fim da Aliança

Renault e Nissan anunciaram nesta segunda-feira, 31 de março de 2025, uma reestruturação em sua aliança estratégica, com o objetivo de otimizar a relação entre as empresas e conceder à marca japonesa, em um momento delicado, maior autonomia e flexibilidade financeira. A principal mudança é a redução da participação cruzada mínima entre as fabricantes, um movimento que visa equilibrar o poder de decisão e permitir maior liberdade para ambas as partes.
Redução da Participação Cruzada: Mais Autonomia para a Nissan
A partir de agora, a participação cruzada mínima entre Renault e Nissan será de 10%, uma redução em relação aos 15% anteriormente estabelecidos. Essa medida permite que as empresas tenham maior liberdade para realizar investimentos e tomar decisões estratégicas, sem a necessidade de aprovação da outra parte. A maior autonomia para a negociação de ações beneficia especialmente a Nissan, que, sob nova gestão, busca reequilibrar suas finanças e revitalizar suas operações. A medida possibilita que a Nissan venda até um terço de sua participação na Renault, o que poderia gerar cerca de €690 milhões (US$746 milhões) com base nas avaliações atuais.
O acordo atualizado também estabelece certos requisitos para eventuais ofertas de compra de ações. Caso a Renault encontre um interessado em adquirir ações da Nissan, essa empresa terá prioridade na primeira oferta de compra.
A mudança ocorre um dia antes de Ivan Espinosa assumir como o novo CEO da Nissan na terça-feira, 1º de abril, substituindo Makoto Uchida. O mandato de Uchida foi marcado por contratempos, incluindo o colapso de uma possível fusão com a rival Honda Motor Co. A Nissan enfrenta desafios desde a destituição de Carlos Ghosn em 2018, que havia evitado um desastre financeiro em 1999.
Diante de crescentes tensões e desconfianças, a Renault, ainda detentora de uma participação majoritária de 36% na Nissan, tem reduzido gradualmente os laços de sua parceria. A montadora japonesa, por sua vez, enfrenta o desafio de revitalizar sua linha de modelos defasados e navegar pelas incertezas decorrentes das pressões tarifárias impostas por Donald Trump.
Nissan Sai da Ampere: Foco em Estratégias Individuais, Mas Colaboração Mantida
Outra mudança importante é a saída da Nissan da Ampere, empresa criada em 2023 para o desenvolvimento de veículos elétricos. Essa decisão indica que a Nissan pretende trilhar um caminho próprio no mercado de eletrificação, desenvolvendo suas próprias tecnologias e estratégias, sem depender da parceria com a Renault.
Apesar da saída da Nissan, a Ampere desenvolverá e produzirá um veículo elétrico projetado pela Nissan, baseado no modelo Twingo da Renault, a partir de 2026. Esse acordo demonstra que a parceria “está viva e em pleno funcionamento”, segundo o diretor financeiro da Renault, Duncan Minto.
Parcerias Estratégicas Mantidas: Índia e Desenvolvimento de Novos Modelos
Apesar das mudanças na estrutura da aliança, Renault e Nissan reforçaram algumas parcerias estratégicas. Na Índia, a Renault vai adquirir os 51% de participação da Nissan na joint-venture Renault Nissan Automotive India Private Ltd (RNAIPL), assumindo o controle integral das operações. A Renault pretende expandir sua atuação no mercado indiano com essa aquisição, segundo o CEO Luca de Meo. A transação está sujeita às aprovações regulatórias habituais e deve ser concluída até o final do primeiro semestre. A RNAIPL continuará produzindo os carros da Nissan na Índia, incluindo o novo Nissan Magnite.
A Renault espera que as mudanças tenham um impacto de cerca de €200 milhões no fluxo de caixa livre deste ano, mas confirmou suas projeções para o fluxo de caixa livre e margem operacional para o ano completo.
A Renault também será responsável por desenvolver e produzir para a Nissan um novo veículo compacto com base no Twingo. Essa parceria demonstra a continuidade da colaboração entre as empresas no desenvolvimento de novos modelos e tecnologias.
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