Renault confirma apresentação da picape Niagara em setembro

Com quase 800.000 km percorridos em testes, nova Renault Niagara será revelada mundialmente em dois meses para rivalizar com Fiat Toro e cia.

A Renault confirmou que a Niagara será apresentada mundialmente no próximo dia 10 de setembro, marcando a estreia de sua nova picape monobloco voltada ao segmento intermediário. O modelo será produzido na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba, na Argentina, e representa uma das maiores apostas da fabricante para a América Latina nos próximos anos.

Responsável por substituir a Oroch, a Niagara chega com a missão de recolocar a Renault na disputa por um dos segmentos mais estratégicos do mercado. Lançada em 2015, a Oroch levou o título de primeira picape intermediária monobloco com cabine dupla em nosso mercado, mas acabou perdendo espaço após a chegada da Fiat Toro, que rapidamente assumiu a liderança da categoria e consolidou um novo padrão entre as caminhonetes desse porte.

Agora, a marca francesa tenta mudar esse cenário com um projeto totalmente novo. Além de enfrentar modelos já consolidados, como Fiat Toro, Chevrolet Montana e Ford Maverick, a Niagara também precisará competir com a nova geração de rivais que desembarcará nos próximos anos, incluindo a Volkswagen Tukan, a futura picape derivada do Toyota Corolla Cross e a inédita BYD Mako.

A importância do lançamento também aparece no tratamento dado pela Renault ao projeto. A apresentação será conduzida pelo CEO global da fabricante, François Provost, reforçando o caráter internacional da Niagara, que será o primeiro modelo da marca desenvolvido para atuar como uma picape global, sendo produzida inicialmente apenas em nossa região.

Base compartilhada com o Boreal e foco em sofisticação

Embora tenha identidade própria, a Niagara aproveita diversos componentes do Boreal brasileiro. Os dois modelos utilizam a plataforma modular RGMP, desenvolvida para receber diferentes tipos de motorização e preparada para futuras soluções eletrificadas.

Na prática, isso significa que a picape compartilha boa parte de sua arquitetura, do conjunto mecânico e até da cabine com o SUV médio. A expectativa é que o painel adote o mesmo conjunto de telas digitais, formado por central multimídia de 10 polegadas e quadro de instrumentos digital de 7 ou 10 polegadas, além de acabamento mais refinado e equipamentos posicionados acima do padrão oferecido atualmente pela Oroch.

O parentesco também deverá aparecer no visual. Os flagras dos protótipos indicam que a dianteira seguirá a identidade inaugurada pelo SUV, enquanto a traseira da picape receberá o desenho exclusivo já visto em seu conceito. O desenho geral e o porte, aliás, deverão seguir quase à risca o protótipo.

Motorização híbrida está nos planos

Sob o capô, a tendência é que a Niagara utilize o motor 1.3 turbo flex de 163 cv e 27,5 kgfm, combinado ao câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas. Apesar de a plataforma permitir eletrificação, tudo indica que a estreia acontecerá apenas com o conjunto a combustão, deixando uma futura versão híbrida para um segundo momento. A expectativa é que essa configuração utilize um eixo traseiro eletrificado, solução semelhante à prevista para outros projetos da Renault derivados da mesma arquitetura.

Outro ponto aguardado é a adoção de suspensão traseira independente do tipo multilink, solução mais sofisticada que privilegia conforto e estabilidade e aproxima a proposta da Niagara da adotada pela Fiat Toro. São esperadas versões com tração dianteira e configurações mais completas equipadas com sistema 4×4, ainda que também em um segundo momento.

O investimento para colocar a Niagara em produção gira em torno de R$ 2,2 bilhões, valor destinado à modernização da fábrica argentina, que passa por uma importante renovação após o encerramento da fabricação de modelos como Logan, Sandero, Stepway, Alaskan e também da Nissan Frontier. Com isso, a nova picape assume papel central na retomada da unidade de Santa Isabel.

A expectativa é que a Niagara dispute diretamente a faixa ocupada pela Fiat Toro. Dessa forma, a tendência é que suas versões sejam posicionadas entre aproximadamente R$ 150 mil e R$ 200 mil, dependendo da configuração. Se conseguir unir a robustez esperada para a categoria com o nível de tecnologia e acabamento herdado do Boreal, a Renault poderá finalmente ter uma concorrente capaz de disputar espaço em igualdade com a líder do segmento.

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