Jornal alemão repercute falta de sucessores para o sedã médio da Volkswagen e o SUV compacto da Porsche em plano para reduzir prejuízos
O plano do Grupo Volkswagen para reduzir a complexidade de sua operação global pode começar a atingir alguns de seus modelos mais conhecidos. De acordo com informações publicadas pelo jornal alemão Bild, a fabricante já trabalha com uma lista de veículos que poderão deixar de ter sucessores nos próximos anos, dentro da estratégia de enxugar o portfólio e concentrar investimentos nos produtos considerados mais rentáveis.
A possibilidade surge pouco tempo depois de executivos do grupo confirmarem que a empresa pretende simplificar sua estrutura mundial, reduzindo a quantidade de modelos, versões, plataformas e arquiteturas eletrônicas. A medida faz parte do amplo programa de reestruturação adotado pela companhia para recuperar a lucratividade em meio à forte concorrência das fabricantes chinesas, aos elevados custos da eletrificação e à queda das margens de lucro registrada nos últimos anos.
Entre os nomes apontados pelo jornal, um dos casos de maior destaque é o do Volkswagen Jetta. Segundo a publicação, o tradicional sedã médio poderá ser aposentado até 2030, encerrando uma trajetória iniciada em 1979. Assim, a expectativa é que a atual geração seja a última do modelo, sem o desenvolvimento de um sucessor.
Embora a Volkswagen ainda não tenha confirmado oficialmente a informação, a possível decisão acompanha a perda de espaço dos sedãs médios em diversos mercados, segmento que vem sendo gradualmente substituído pelos SUVs na preferência dos consumidores. Nesse cenário, desenvolver uma nova geração do Jetta deixaria de ser uma prioridade para a empresa.
Reestruturação pode atingir diferentes marcas
O plano não envolve apenas a marca Volkswagen. Segundo o Bild, outras empresas do grupo também deverão passar por uma revisão de portfólio.
Na Porsche, o Taycan aparece entre os modelos que podem não ganhar uma nova geração. O primeiro esportivo elétrico da fabricante alemã nunca alcançou o volume de vendas inicialmente esperado, e a publicação afirma que não há planos para um sucessor direto. Outro veículo que também pode se despedir é o Macan com motor a combustão, que caminha para o fim de sua produção conforme a marca amplia sua estratégia de eletrificação.
A lista ainda inclui outros veículos. O Taos poderá deixar de ser oferecido em mercados como Estados Unidos, México e China, onde apresenta desempenho comercial abaixo do esperado. No entanto, essa possível mudança não deverá afetar o Brasil, já que a Volkswagen trabalha no desenvolvimento de um sucessor nacional para o SUV.
Na Audi, parte desse movimento já começou a ser colocada em prática. Modelos como A1 e Q2 já tiveram a produção encerrada, enquanto publicações europeias também apontam um futuro incerto para veículos como Q5 Sportback e Q6 e-tron Sportback, embora ainda não exista confirmação oficial sobre seus sucessores.
A revisão da linha faz parte de um plano mais amplo de reorganização da companhia. Além de reduzir a complexidade produtiva, o Grupo Volkswagen também anunciou recentemente um amplo programa de redução de custos, que inclui cortes de empregos e estudos para ampliar ainda mais o número de demissões inicialmente previsto na Alemanha.
Segundo executivos da empresa, a intenção é direcionar recursos para produtos com maior potencial de vendas, reduzir o número de componentes diferentes utilizados entre as marcas do grupo e acelerar o desenvolvimento de novos veículos. Com uma operação mais enxuta e padronizada, a expectativa é recuperar competitividade e fortalecer a rentabilidade em um cenário de profundas transformações na indústria automotiva global.