Novas regras do free flow: como usar as tags para o pedágio?

Com as recentes mudanças no modelo de pedágio eletrônico free flow divulgadas pelo governo, entenda como utilizar o pagamento automático

O pedágio eletrônico sem cancelas, conhecido como free flow, passa por uma janela de transição no Brasil após a decisão do governo federal de suspender temporariamente as multas por evasão e abrir um período de adaptação para adaptação dos motoristas. A nova regulamentação, definida pela Deliberação nº 277/2026 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), mantém o sistema em funcionamento, mas amplia prazos e flexibiliza regras para evitar penalizações enquanto o modelo é ajustado.

Na prática, nada muda na forma de cobrança, com os pórticos identificando os veículos em movimento por meio de câmeras e sensores, sem necessidade de parada. A diferença está no novo prazo de regularização. Agora, motoristas têm até 16 de novembro de 2026 para quitar débitos, inclusive antigos, sem multa, pontos na CNH ou processos administrativos. Além disso, o prazo de pagamento passou a contar a partir da confirmação da passagem no sistema da Senatran, e não mais no momento em que o veículo cruza o pórtico.

Foto: Lindiomar Reis/Divulgação

Tags seguem como principal aliada do sistema

Com a mudança, o uso de tags eletrônicas continua sendo a forma mais simples e segura de lidar com o free flow, de acordo com o próprio governo federal. Para quem já utiliza o dispositivo, a cobrança segue automática, com todos os registros concentrados no aplicativo ou site da empresa contratada, sem necessidade de acompanhar manualmente cada passagem.

O regime de transição é uma medida importante para apoiar a consolidação do free flow no Brasil. Ele reduz fricções no curto prazo e cria condições para uma reorganização da jornada de pagamento, ao mesmo tempo em que acelera discussões estruturantes para o setor, como interoperabilidade e integração entre sistemas”, afirma Humberto Filho, diretor de relações institucionais do Sem Parar.

Para quem ainda não tem tag, o processo exige mais atenção. O pagamento precisa ser feito manualmente nos canais da concessionária responsável pela rodovia, via consulta pela placa do veículo. Em viagens que envolvem diferentes trechos administrados por empresas distintas, o motorista deve acessar cada plataforma separadamente para verificar e quitar os débitos.

Hoje, operadoras como Sem Parar, ConectCar, Veloe, Taggy, ConectTaggy e Green Pass oferecem serviços com cobertura nacional, funcionando mesmo em rodovias administradas por diferentes concessionárias em todo o país. Ainda assim, é fundamental confirmar se o plano contratado é válido para todas as rodovias ou apenas aquelas utilizadas com frequência, já que podem existir variações de cobertura dependendo da concessionária.

Onde o sistema já funciona e como regularizar pendências

O free flow já está presente em diferentes regiões do país, incluindo rodovias como a BR-101 (Rio-Santos), trechos estaduais em São Paulo, como a Rodovia Ayrton Senna, vias no Rio Grande do Sul operadas pela CSG, a BR-364 em Rondônia e as MG-290 e BR-381 em Minas Gerais. No Paraná, a cobrança começou recentemente em trechos do Norte e Noroeste, enquanto novos projetos seguem em implantação em estados como Mato Grosso.

Durante o período de transição, motoristas que tiverem débitos podem regularizar a situação sem penalidades dentro do prazo estabelecido até 16 de novembro. Quem já pagou multas por evasão também pode solicitar o ressarcimento, desde que comprove o pagamento do pedágio. Nos casos de rodovias federais, o processo deve ser feito via sistema da Senatran. Já em rodovias estaduais, o pedido deve ser direcionado aos órgãos responsáveis, como o DER de cada estado.

Mesmo com a flexibilização temporária das regras, o pedágio eletrônico segue ativo e exige atenção do motorista. Antes de pegar a estrada, vale verificar se o trecho possui cobrança automática e quais são os canais oficiais da concessionária responsável. Para quem utiliza o sistema com frequência, a adoção da tag tende a simplificar a rotina, evitando esquecimentos e reduzindo o risco de pendências. Já quem opta pelo pagamento manual precisa manter o controle das passagens registradas, garantindo que todas sejam quitadas corretamente para não enfrentar cobranças futuras quando o período de transição chegar ao fim.

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