Grizzly para os europeus, novos Fiat Pulse e Fastback nem foram lançados, mas já podem ter uma missão salvadora para a marca norte-americana
As novas gerações do Fiat Pulse e do Fastback podem ter uma importância muito maior do que simplesmente renovar a linha da marca italiana. Antes mesmo de chegarem ao mercado europeu, onde serão as estreias, os projetos já aparecem ligados aos planos de reconstrução da Chrysler nos Estados Unidos, marca que hoje sobrevive praticamente apoiada apenas na minivan Pacifica e que busca recuperar relevância dentro da Stellantis.
A conexão foi revelada durante as apresentações do plano estratégico aSTLAne 2030, quando a Stellantis mostrou os futuros modelos da Chrysler e confirmou uma aproximação inédita entre os novos SUVs da marca norte-americana e os recém-apresentados Fiat Grizzly e Grizzly Coupé. Na prática, os dois projetos compartilham a mesma origem e poderão dar vida a uma nova família de utilitários acessíveis para o mercado norte-americano.
Os futuros Chrysler deverão ser conhecidos como Arrow e Arrow Cross, modelos que terão como ponto de partida justamente os SUVs revelados pela Fiat para Europa, Oriente Médio e África. Apesar da relação direta entre os projetos, a Stellantis promete um nível de diferenciação superior ao visto em outras iniciativas semelhantes do grupo, com mudanças significativas de design, acabamento e posicionamento.
A estratégia mostra a importância que os Grizzly ganharam dentro da companhia. Os modelos foram apresentados recentemente como parte da nova geração global de veículos compactos da Fiat e representam uma evolução direta da família inaugurada pelo Grande Panda. O hatch europeu, por sua vez, já foi confirmado como base da segunda geração do Fiat Argo, que será produzida em Betim (MG) e abrirá caminho para uma nova safra de modelos nacionais.
Muito mais do que simples sucessores dos atuais Pulse e Fastback, os Grizzly inauguram uma nova fase da Fiat. Construídos sobre a plataforma Smart Car/CMP, a mesma arquitetura utilizada por Citroën C3, Aircross e Basalt, os SUVs serão maiores, mais sofisticados e tecnologicamente mais avançados que os modelos vendidos atualmente no Brasil.
Uma nova família global
A proposta do Grizzly tradicional é ampliar o alcance do atual Pulse. O SUV crescerá em dimensões e poderá inclusive oferecer configurações para até sete ocupantes, repetindo uma solução já utilizada pelo Citroën Aircross. Caso essa estratégia seja mantida para o mercado brasileiro, o futuro Pulse passará a ocupar um espaço mais próximo ao de um SUV familiar compacto do que ao de um utilitário urbano tradicional.
Já o Grizzly Coupé seguirá a filosofia que tornou o Fastback um sucesso comercial no Brasil, mas com uma execução mais refinada. O modelo adotará uma plataforma mais moderna, maior distância entre-eixos e melhor aproveitamento interno, corrigindo uma das críticas mais frequentes à geração atual: a limitação de espaço provocada pelo estilo cupê da carroceria.
Os primeiros materiais divulgados pela Stellantis mostram que ambos terão identidade visual própria, embora mantenham forte parentesco entre si e com o Grande Panda. No caso do SUV cupê, chamam atenção as lanternas traseiras formadas por pixels de LED, unidas na parte superior da tampa do porta-malas. A dianteira também terá personalidade exclusiva, com iluminação mais sofisticada e proporções diferentes das vistas no hatch europeu.
Para os Estados Unidos, a Chrysler deverá utilizar esses modelos como porta de entrada da marca, apostando em SUVs acessíveis para recuperar clientes perdidos ao longo da última década. A expectativa é que os veículos sejam posicionados abaixo do futuro Airflow, utilitário de porte médio que também fará parte do processo de renovação da fabricante norte-americana.
A ideia da Stellantis é aproveitar uma arquitetura global já consolidada para acelerar o retorno da Chrysler ao mercado de volume. Ao mesmo tempo, a estratégia reduz custos de desenvolvimento e permite que diferentes marcas compartilhem tecnologias sem abrir mão de identidades próprias.
Na Europa, os Grizzly serão oferecidos com motores a combustão, versões híbridas leves e configurações totalmente elétricas. Já no Brasil, a tendência é que a Fiat mantenha os conjuntos mecânicos já conhecidos do mercado nacional, incluindo o motor 1.0 turbo T200 Hybrid com sistema híbrido leve de 12V. Pulse e Fastback também deverão preservar uma variante esportiva Abarth equipada com o motor 1.3 turbo flex.
Antes deles, porém, a Fiat lançará a nova geração do Argo derivada do Grande Panda. Somente depois será a vez de Pulse e Fastback entrarem em sua nova fase. Quando isso acontecer, os dois modelos não serão apenas os principais SUVs compactos da marca no Brasil, mas também a base de uma estratégia global que poderá ajudar a devolver protagonismo a uma das fabricantes mais tradicionais dos Estados Unidos.