GWM: segunda fábrica no Brasil será no ES para 200 mil carros
Governo do Espírito Santo confirma a nova unidade fabril da marca no país, que terá maior capacidade e vai nacionalizar mais processos produtivos
A GWM terá uma segunda fábrica no Brasil. A informação foi confirmada pelo Governo do Espírito Santo, que apresentou as primeiras etapas do projeto de instalação de um novo complexo industrial da montadora chinesa no município de Aracruz, a cerca de 80 km da capital Vitória. A empresa ainda não fez o anúncio formal com todos os detalhes, mas já se sabe que a futura unidade terá capacidade para produzir até 200 mil veículos por ano, quatro vezes mais do que a atual planta de Iracemápolis (SP), concentrando os projetos de maior volume da marca no país.
O investimento faz parte do pacote de R$ 10 bilhões prometido pela GWM para o Brasil até 2032. Desse total, R$ 4 bilhões já foram aplicados na primeira fase da operação nacional, que culminou na inauguração da fábrica paulista em agosto de 2025. A nova etapa contempla a construção do complexo capixaba, que deverá gerar até 3 mil empregos diretos e cerca de 10 mil indiretos quando estiver em plena operação. Só na fase de obras, a expectativa é criar entre 1,5 mil e 3,5 mil postos de trabalho.
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Embora o cronograma oficial ainda não tenha sido divulgado pela montadora, o projeto já foi apresentado em solenidade no Palácio Anchieta, em Vitória, com a presença do governador Renato Casagrande, do vice-governador Ricardo Ferraço, do prefeito de Aracruz, Luiz Carlos Coutinho, e executivos da GWM no Brasil, como Ricardo Bastos, Way Chien e Thiago Sugahara. Procurada, a empresa informou que fará sua comunicação oficial “no momento adequado”.
Fábrica mais completa e com vocação exportadora
Diferentemente da unidade de Iracemápolis, que opera com montagem em regime SKD e etapas produtivas graduais, a planta do Espírito Santo nasce com proposta mais ampla. O projeto prevê estamparia, soldagem, pintura, montagem final e testes, além da produção local de componentes estratégicos. A ideia é ampliar o índice de nacionalização e fortalecer a cadeia regional de fornecedores, consolidando o Brasil como base industrial de longo prazo.
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A escolha de Aracruz está ligada à logística. O município tem acesso facilitado a portos de grande porte, à BR-101, aeroportos e malha ferroviária, o que permitirá à GWM estruturar a operação com perfil exportador. Em 2025, mais de 45 mil veículos da marca foram desembarcados por portos capixabas, número que ajuda a explicar a decisão estratégica pelo estado.
Hoje, o Brasil é o quarto país no mundo a contar com uma fábrica completa da GWM, ao lado de China, Rússia e Tailândia. A nova unidade no Espírito Santo deverá ser a mais avançada da marca na região, ampliando a capacidade produtiva e preparando o terreno para novos produtos.
Novo Haval H4 está nos planos
Com capacidade estimada em 200 mil unidades anuais, o complexo capixaba tende a assumir os projetos de maior escala da GWM no país. Entre os modelos cotados está o Haval H4, SUV compacto chamado de Jolion em alguns mercados, posicionado abaixo do H6 e pensado para atuar em um segmento mais competitivo, disputando espaço com Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta, em uma faixa de preços de até R$ 200 mil. O modelo deverá ter motorização híbrida flex e papel estratégico na ampliação do volume da marca.
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Enquanto os planos vão sendo desenhados para a nova unidade no Espírito Santo, a fábrica de Iracemápolis (SP) segue responsável pela montagem do Haval H6, que liderou entre os híbridos em 2025, além do Haval H9 e da picape Poer P30, ambos a diesel. A unidade paulista marcou o início da produção nacional, ainda que com peças importadas, com capacidade inicial de 50 mil veículos por ano e operação baseada em montagem com soldagem, pintura robotizada e integração progressiva de fornecedores locais.
A experiência acumulada em São Paulo foi determinante para a expansão. A consolidação da rede de concessionárias, o crescimento das vendas e a estruturação da cadeia de suprimentos abriram caminho para um salto industrial mais ambicioso. Com a nova planta no Espírito Santo, a GWM deixa claro que enxerga o Brasil não apenas como mercado consumidor, mas como polo produtivo estratégico para atender o mercado interno e ampliar exportações na América Latina.
