Golpes no pedágio Free Flow: como se proteger de fraudes
A expansão do pedágio eletrônico sem cancelas, conhecido como Free Flow, trouxe mais fluidez às rodovias brasileiras e simplificou a vida de quem dirige. Mas, junto com a modernização, surgiu um novo tipo de preocupação: golpes envolvendo falsas cobranças de pedágio. Entidades do setor e órgãos reguladores alertam que criminosos estão se aproveitando da falta de familiaridade de parte dos motoristas com o sistema para aplicar fraudes, principalmente por meio de sites falsos, anúncios patrocinados e boletos fraudulentos.
Com pórticos já em operação em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, e novas estruturas previstas até 2026, entender como funciona o Free Flow e quais são os canais corretos de pagamento se tornou essencial para evitar prejuízos.
O que é o sistema Free Flow e por que ele está se expandindo
O Free Flow é um modelo de pedágio eletrônico no qual não existem cabines ou cancelas. Sensores e câmeras instalados em pórticos identificam o veículo em movimento e registram automaticamente a passagem.
O objetivo é melhorar a fluidez do tráfego, reduzir filas, diminuir congestionamentos e minimizar o risco de acidentes, especialmente em trechos de grande movimento.
Onde surgem os golpes
Com a ausência de praças físicas de pedágio, muitos motoristas ainda não sabem exatamente como e onde pagar quando passam por um pórtico sem possuir tag. Esse desconhecimento abriu espaço para a ação de golpistas.
As fraudes mais comuns incluem:
- Criação de sites falsos que imitam páginas de concessionárias
- Anúncios patrocinados em buscadores direcionando para páginas fraudulentas
- Envio de boletos falsos por e-mail, SMS ou WhatsApp
Esses canais costumam induzir o motorista a informar dados pessoais ou realizar pagamentos que não são reconhecidos pelas concessionárias responsáveis.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reforça que não opera plataformas de cobrança de pedágio e que qualquer página que utilize seu nome para esse fim é falsa.
Tags de pagamento automático reduzem o risco
Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Pagamento Automático para Mobilidade (Abepam), motoristas que utilizam tags de pagamento automático, como ConectCar, Move Mais, Sem Parar, Taggy e Veloe, não precisam se preocupar com cobranças posteriores. O valor da tarifa é debitado automaticamente no momento da passagem, exatamente como acontece nos pedágios tradicionais.
Além da conveniência, as tags eliminam a necessidade de buscar plataformas de pagamento e oferecem uma camada extra de proteção contra golpes. Em muitos casos, também dão acesso a descontos nas tarifas.
Como pagar se você não tem tag
Para quem não utiliza tag eletrônica, o pagamento deve ser feito exclusivamente pelos canais oficiais das concessionárias que administram cada rodovia.
Isso inclui:
- Sites oficiais das concessionárias
- Aplicativos próprios das operadoras
- Totens de autoatendimento instalados ao longo dos trechos concedidos
Cada rodovia possui sua própria plataforma de cobrança, e é fundamental conferir se o endereço eletrônico acessado pertence realmente à concessionária.
Em Minas Gerais, por exemplo, o Free Flow está presente na BR-381 (trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, administrado pela Nova 381) e na BR-262 (sob concessão da Way 262).
Prazo para pagamento e consequências
Após passar por um pórtico de Free Flow, o motorista tem até 30 dias para efetuar o pagamento da tarifa, caso não possua tag.
Alguns pontos importantes:
- A passagem pode levar até 48 horas para aparecer no sistema de cobrança
- O não pagamento dentro do prazo pode gerar juros
- O motorista pode receber multa por evasão de pedágio, no valor de R$ 195,23, além de cinco pontos na CNH
Por isso, é recomendável consultar periodicamente os canais oficiais se você trafega por trechos com Free Flow.
O que nunca fazer
Entidades do setor e a ANTT são categóricas:
- Não pagar boletos recebidos por e-mail, SMS ou redes sociais
- Não clicar em links de anúncios patrocinados sem verificar se pertencem à concessionária
- Não informar dados pessoais em páginas cuja origem não seja confirmada
As concessionárias não enviam boletos de pedágio diretamente aos motoristas.
Fiscalização e ações de conscientização
A ANTT afirma que vem intensificando a divulgação de alertas em seus canais oficiais, enquanto concessionárias reforçam a sinalização nas rodovias, orientam usuários e ampliam os meios legítimos de pagamento.
A expectativa é que, com a popularização do Free Flow e maior divulgação de informações, a incidência de golpes diminua.
Atenção redobrada na fase de transição
O Free Flow ainda está em fase de expansão no Brasil, e parte dos motoristas está em processo de adaptação ao novo modelo. Esse período de transição exige cuidado extra.
A orientação principal é simples: em caso de dúvida, procure apenas os canais oficiais da concessionária responsável pela rodovia ou informações disponibilizadas nos sites do governo federal e da ANTT.
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