Estariam os chineses decretando o fim do motor a combustão interna?

Estourou como uma bomba a divulgação dos chineses de que a BYD já teria tecnologia suficiente para carregar a bateria de um carro elétrico em 5 minutos, tempo semelhante ao do reabastecimento de um carro com motor de combustão interna num posto de combustíveis. Claro que, diante de uma informação tão vital quanto essa, houve uma completa perplexidade de todo o mundo automotivo. Afinal de contas, se essa tecnologia for viável a curto ou médio prazo, os motores de combustão interna ficariam seriamente comprometidos, e seu tempo útil estaria no final.

À primeira vista, é assim que essa notícia caiu no colo de todo o mundo! Mas, vamos com calma. Não é bem assim, afinal de contas a implantação dessa tecnologia, em termos de mundo, e principalmente de Brasil, está muito distante da nossa realidade. Os valores para recarga, como voltagem, amperagem e potência da nossa rede elétrica, exigiria uma infraestrutura de subestações e uma capacidade de produzir energia elétrica que, hoje, nós consumidores comuns, não temos. Acredito até que os engenheiros da BYD solucionaram o problema do tempo de recarga da ponta do fio até as baterias, isso sim.
Mas o processo é bem mais extenso: do carregador para trás, de onde viria essa potência de energia elétrica? Se considerarmos apenas um carro, a coisa parece viável. Mas, já imaginaram 1.000, ou 5.000 veículos desses carregando suas baterias ao mesmo tempo? Teríamos uma necessidade de potência de energia elétrica para acender uma grande cidade. Inviável? Hoje, no nosso Brasil, sim. Sem dúvidas. Porém, não é nada insolúvel a médio ou longo prazo, dependendo dos interesses financeiros existentes no meio do caminho.
Se o governo, com uma grande empresa na área de energia, resolver investir nessa nova tecnologia, talvez a coisa aconteça mais rapidamente. Caso contrário, teremos ainda algumas décadas de letargia pela frente, até que esses problemas sejam resolvidos. Aí, teríamos tais tecnologias e soluções caminhando a passos largos.
Um amigo, que academicamente é formado em economia, mas tem profundos conhecimento de eletricidade e eletrônica, comentou comigo como uma piada: “um carregador com capacidade de 1.000 Ampères teria que ter cabos da grossura de um poste”, terminando a frase com risada. Claro que não chega a esse ponto, mas, só para que você, leitor, tenha uma ideia, basta olhar a grossura do cabo de uma bateria de 60 ou 70 Amperes, e multiplique essa espessura por mais de catorze vezes.
Já imaginaram dono de um moderno carro elétrico desses, morando em um prédio já com 20 ou 30 anos de construção, cuja rede elétrica foi dimensionada para as necessidades da época? Não pensaram na recarga de carros elétricos, e muito menos num modelo que exigisse 1.000 Ampères de uma fonte elétrica. E eu estou falando de apenas 1 exemplar do tal carro elétrico. Pensem agora num prédio com 20 deles. Certamente você apagaria não só esse prédio, como também parte do bairro!
Mas, claro, as coisas vão sendo resolvidas aos poucos. Na China, a BYD já está lançando dois novos modelos que disponibilizarão essa nova tecnologia de recarga rápida. Pretendem, num futuro próximo, instalar na China 4.000 “supercarregadores” de 1.360 kW cada, atendendo aos compradores das novidades, Han L (sedan grande de luxo) e Tang L (SUV grande de luxo). Os dois modelos, sedan e SUV, possuem uma nova geração de baterias, que suportam a alta potência de recarregamento. Elas, aliás, prometem 2 km de autonomia a cada segundo de recarga, o que significa conseguir rodar 400 km com apenas 5 minutos de recarga.
Além disso, seus motores elétricos são dignos da Fórmula 1. Pequenos, leves e compactos, com altíssima eficiência, produzindo valores de torque e resultados admiráveis quando comparados aos motores de veículos elétricos encontrados no Brasil. Percebem que não é só recarga super-rápida? A notícia vai além com baterias, motores elétricos, e até chips semicondutores ultra potentes, que permitem funcionamento rápido de todo esse aparato.
Quando teremos isso em terras brasileiras? Só Deus sabe! Afinal de contas, não depende só dos chineses e das suas novas tecnologias. O buraco é mais embaixo: infraestrutura e dimensionamento de rede elétrica, capacidade de produção de energia, consumo elétrico nacional e por aí vai. Na minha opinião, viável atualmente para nosso país, para quem curte os eletrificados, são os híbridos, que misturam as duas tecnologias. Várias marcas oferecem bons carros híbridos, que poluem menos o meio-ambiente, queimam menos combustível líquido e que tem a autonomia de um veículo de combustão interna. Sem contar, claro, os híbridos plug-in e suas baterias que permitem alcance elétrico.
A própria BYD, por exemplo, oferece a linha de SUVs Song, onde acenam para autonomias de até 1.200 km com um tanque cheio de gasolina somado a uma carga completa das baterias de tração. Creio que essa é a tecnologia mais sensata para nós, brasileiros, que ainda não temos infraestrutura suficiente para os números superlativos dos Tang L e Han L. Nos híbridos plug-in, conseguimos rodar até 100 km na cidade utilizando a carga das baterias, e, se precisar, há pelo menos 50 litros de capacidade do tanque de combustível para encher de gasolina nas viagens. Assim caminha a humanidade…
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