Em meio a corte de gastos, Grupo Volkswagen abre mão da Bugatti
Venda da participação da Porsche na Bugatti após 28 anos ocorre enquanto Grupo Volkswagen reduz empregos e a complexidade de sua operação
A Bugatti deixou oficialmente o Grupo Volkswagen após quase três décadas ligada à fabricante alemã. A mudança de controle foi concluída no início de setembro, quando a Porsche vendeu ao Rimac Group os 55% de participação que ainda mantinha na marca francesa. A operação movimentou cerca de 1 bilhão de euros e encerra uma relação iniciada em 1998 entre as duas gigantes.
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A saída da Porsche ocorre após uma mudança importante na estrutura societária da Bugatti em 2021. Naquele ano, a marca deixou de ser controlada diretamente pelo Grupo Volkswagen e passou para uma joint venture formada pela Porsche, com 55%, e pela Rimac, com os 45% restantes. Com a nova operação, o grupo croata passa a deter integralmente a Bugatti.
Durante o período sob influência da Volkswagen, a Bugatti retomou seu espaço entre os fabricantes de hipercarros mais exclusivos do mundo. Foi nessa fase que surgiram modelos como Veyron e Chiron, responsáveis por marcar a retomada da marca francesa no mercado de veículos de altíssimo desempenho.
Bugatti deixa o Grupo VW em momento de reorganização
A saída da Bugatti acontece em um momento no qual o Grupo Volkswagen passa por uma ampla revisão de sua estrutura para reduzir custos e recuperar lucratividade. A empresa já anunciou planos para eliminar 50 mil empregos na Alemanha até 2030, número que pode ser ampliado para cerca de 100 mil postos em todo o mundo.
Paralelamente, o grupo trabalha para diminuir a complexidade de seu portfólio, com menos modelos, versões e plataformas e maior concentração de investimentos nos produtos de maior volume e rentabilidade. Nesse processo, modelos como Volkswagen Jetta e Taos, Porsche Taycan e Macan a combustão, além de outros veículos de Audi e Volkswagen, aparecem entre os que podem não receber sucessores.
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A saída da Bugatti não significa, necessariamente, que a marca tenha deixado de fazer parte da estratégia de luxo do conglomerado por questões diretamente relacionadas a esses cortes. A operação está inserida em um movimento mais amplo de reorganização das empresas do grupo e ocorre enquanto a Porsche, que ainda mantinha participação na Bugatti, também busca melhorar sua estrutura financeira.
Para a Bugatti, entretanto, começa uma nova etapa sob controle integral do Rimac Group, com o Tourbillon como primeiro grande produto dessa fase e a continuidade da marca no segmento de hipercarros de produção extremamente limitada. O modelo é o sucessor do Chiron e mantém a proposta de desempenho extremo, combinando um motor 8.3 W16 aspirado a outros três motores elétricos, formando um conjunto híbrido desenvolvido com participação da Rimac e da Cosworth.
