Como funciona a PACE, fábrica multimarcas de veículos no Ceará?
A PACE estreia com produção em regime SKD de modelos elétricos e investimento quase bilionário para ser um novo eixo da indústria nacional
A Planta Automotiva do Ceará (PACE), inaugurada em Horizonte, na região metropolitana de Fortaleza, marca a estreia do que é tido como o primeiro polo automotivo multimarcas em operação plena no Brasil. A estrutura abre uma nova etapa para a indústria no estado e na região nordestina, combinando montagem de veículos elétricos, capacidade de expansão e um modelo produtivo projetado para receber diferentes fabricantes. Segundo o Governo do Estado do Ceará, o investimento total previsto no complexo chegará a R$ 900 milhões até 2030, com expectativa de gerar até 9 mil empregos diretos e indiretos.

A operação é comandada pelo Grupo Comexport, maior empresa de comércio exterior e supply chain do país, responsável por atender marcas como Mercedes-Benz, Honda, BYD, GWM, Renault e Ford. Agora, o complexo ganha protagonismo nacional com o início da produção do Chevrolet Spark EUV, primeiro veículo a sair da nova linha. O SUV compacto elétrico é montado inicialmente em regime SKD, formato no qual o carro chega ao país parcialmente desmontado e passa pela montagem final na fábrica. O processo reduz custos de início de produção, permite ganho de escala e deixa o caminho aberto para uma futura nacionalização completa dos modelos.
O início das operações coincide com o avanço da eletrificação no país e com novos acordos da Chevrolet, que também confirmou que o Captiva EV será produzido na mesma planta a partir de 2026. O SUV médio elétrico se juntará ao Spark EUV na linha de montagem cearense, o que deve reforçar a vocação da PACE como centro de veículos eletrificados e ampliar o papel do estado no mapa industrial automotivo.
Novos logotipos a caminho
Com capacidade projetada para operar com múltiplas marcas, a PACE foi estruturada para receber novos fabricantes sem a necessidade de construções adicionais. A planta tem linhas adaptáveis, logística integrada ao Porto do Pecém e processos configuráveis para diferentes plataformas veiculares. Esses fatores tendem a atrair o interesse de empresas estrangeiras que desejam atuar no Brasil com produção local sem gastar com uma planta própria.

Segundo a direção da PACE, algumas marcas já estão em negociação avançada para colocar seus veículos na nova linha de montagem cearense. Apesar de não haver nenhum nome confirmado, a chinesa Jetour é uma das candidatas mais prováveis. Como a empresa confirmou sua chegada ao mercado brasileiro em 2026 com interesse em produção nacional, e não há movimentação para construção de uma fábrica própria, a montagem em regime SKD na planta de Horizonte surge como cenário natural.
A Planta Automotiva do Ceará combina mão de obra local, flexibilidade produtiva e infraestrutura logística ampla, inaugurando um modelo de operação até então inédito no país. O complexo nasce como um polo aberto para múltiplos fabricantes e pode se posicionar como um importante meio de expansão industrial brasileiro na transição para a mobilidade elétrica.
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