Volkswagen Tukan é revelada oficialmente com cabine simples e dupla

De uma só vez, Volkswagen põe fim ao mistério e revela os dois visuais da nova Tukan, que quer destronar o veículo mais vendido do Brasil

Enfim, a Volkswagen Tukan mostrou suas linhas definitivas ao mundo. A nova picape nacional teve o design exterior revelado durante a abertura da 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos (SP), onde apareceu em duas configurações: Extreme com cabine dupla, que ocupará o topo da gama, e Robust com cabine simples, voltada principalmente ao trabalho.

A apresentação das duas versões ajuda a esclarecer o posicionamento da Tukan no mercado brasileiro. Além de entrar na disputa das picapes monobloco liderada pela Fiat Toro, a Volkswagen mira principalmente a Fiat Strada, veículo mais vendido do Brasil nos últimos anos. Visualmente, a novidade fica mais próxima das proporções da picape compacta da Fiat do que de modelos maiores como Ram Rampage e Ford Maverick.

A estratégia fica ainda mais evidente com a Tukan Robust. Com cabine simples e caçamba mais longa, a versão foi desenvolvida para atender principalmente ao uso profissional e deverá enfrentar justamente as configurações da Strada que concentram boa parte de suas vendas. Já a Extreme assume uma proposta mais sofisticada e poderá avançar sobre versões de entrada da Toro e equivalentes.

A Volkswagen ainda não divulgou as dimensões oficiais da Tukan, mas confirmou que o entre-eixos é maior que o do T-Cross, modelo que está na origem de sua arquitetura. A mudança foi necessária para acomodar a caçamba sem comprometer o espaço da cabine.

Robust e Extreme mostram duas caras da Tukan

Apesar de compartilharem a mesma identidade, Robust e Extreme adotam soluções visuais distintas. A versão de entrada tem uma dianteira mais simples, com boa parte do para-choque revestida por plástico preto fosco e sem faróis de neblina. Os faróis principais já utilizam LED, mas dispensam o elemento luminoso que atravessa a dianteira da versão mais cara.

Na Tukan Extreme, a grade recebe uma grande área em preto que aumenta visualmente a largura da picape. Os faróis de LED são conectados por uma faixa que percorre a parte superior da grade, enquanto o para-choque incorpora faróis de neblina e acabamento mais elaborado. Curiosamente, a diferenciação entre as duas configurações segue soluções semelhantes às aplicadas pela Fiat na Strada nas versões de trabalho e nas mais caras.

As diferenças continuam na traseira. Ambas utilizam lanternas de LED em disposição convencional, lembrando a solução aplicada na Saveiro, modelo que será sucedido pela Tukan. A Extreme, porém, acrescenta uma peça escura horizontal sobre a tampa da caçamba para conectar visualmente as lanternas. Na Robust, esse componente foi eliminado para simplificar o conjunto.

As duas mantêm o nome Tukan estampado diretamente na chapa da tampa traseira, elemento que já havia aparecido no protótipo camuflado. A Extreme também foi apresentada no Amarelo Canário, cor escolhida pela Volkswagen para acompanhar o lançamento da picape.

Suspensão aproxima Tukan da proposta da Strada

Por baixo da carroceria inédita está uma adaptação da plataforma MQB, utilizada pela primeira vez pela Volkswagen em uma picape. Embora derive tecnicamente do T-Cross e seja produzida ao lado do SUV em São José dos Pinhais (PR), a Tukan recebeu modificações estruturais importantes para assumir uma proposta mais voltada à carga.

A principal delas está no eixo traseiro. Em vez de simplesmente aproveitar a suspensão de um automóvel de passeio, a Volkswagen desenvolveu para a picape um conjunto com eixo rígido e feixe de molas, solução tradicional em veículos de carga e também utilizada pela Fiat Strada. O sistema prioriza robustez e capacidade para transportar peso, característica especialmente importante para a Tukan Robust de cabine simples.

A caçamba também foi desenvolvida pensando no uso profissional. A Volkswagen confirma que ela poderá acomodar pallets de diferentes tamanhos e terá uma caixa de ferramentas integrada. Os números de volume e capacidade de carga, entretanto, ainda não foram divulgados.

Segundo a Volkswagen, com os milhões de quilômetros em testes, foram trabalhados componentes específicos para se adequar ao projeto. O sistema de admissão de ar, por exemplo, recebeu proteção adicional após avaliações em ambientes com muita poeira, na tentativa de evitar um problema observado em sua principal rival da Fiat, produzida em Betim (MG), que pode acumular terra no interior ao longo do tempo.

Primeiro Volkswagen nacional eletrificado

A mecânica ainda é um dos principais pontos mantidos em segredo. A Volkswagen já confirmou, porém, que a Tukan será seu primeiro veículo eletrificado produzido no Brasil.

A expectativa é que a picape inaugure por aqui o 1.5 TSI Evo2, evolução do conhecido 1.4 turbo, desenvolvido para trabalhar com eletrificação. O conjunto pode manter os 150 cv e 25,5 kgfm de torque, auxiliado por um sistema híbrido leve de 48 volts para reduzir consumo e emissões. A presença do atual 1.6 MSI da Saveiro com 116 cv de potência e 16,1 kgfm de torque, nas versões de entrada, também não está descartada.

A Tukan será produzida em São José dos Pinhais (PR) e chegará ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2027. Antes disso, a Volkswagen ainda revelará o interior e os demais detalhes técnicos da picape, incluindo dimensões, capacidades, versões e os conjuntos mecânicos que formarão a gama.

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