Temendo o avanço de marcas como BYD e Geely, marcas se unem pedindo banimento de modelos chineses no país norte-americano ainda este ano
O avanço das fabricantes chinesas em mercados internacionais está provocando uma reação de algumas das maiores montadoras tradicionais do mundo. Nos Estados Unidos, a Alliance for Automotive Innovation, entidade que representa empresas como Toyota, General Motors (GM) e Volkswagen, pressiona o Congresso a aprovar uma lei que proíba permanentemente a comercialização de veículos chineses no país. A solicitação foi divulgada pela agência Reuters e tem como objetivo transformar as restrições atuais em um impedimento definitivo à entrada dessas fabricantes no mercado norte-americano.
A associação quer que a proposta seja aprovada ainda em 2026, aproveitando a retomada dos trabalhos legislativos após as eleições de meio de mandato, realizadas nesta semana. Em carta encaminhada aos parlamentares, seu presidente, John Bozzella, defendeu que os Estados Unidos precisam impedir uma eventual entrada em larga escala de automóveis produzidos na China.
Entre os argumentos apresentados estão possíveis riscos à segurança nacional, especialmente pelo acesso a informações coletadas pelos sistemas de conectividade dos veículos, além da preocupação com a competitividade da indústria local. A entidade também afirma que as fabricantes chinesas contam com condições comerciais favorecidas por subsídios governamentais, o que poderia prejudicar empresas que mantêm fábricas, fornecedores e investimentos de longo prazo em território americano.
O movimento ocorre em um momento de expansão internacional das marcas chinesas. A BYD, por exemplo, já conquistou posições importantes em mercados como o brasileiro, enquanto grupos como Geely, GWM e Chery ampliam suas operações em diferentes regiões. Na Europa, os automóveis produzidos na China também ganharam espaço, com importações que superaram 1,1 milhão de unidades nos primeiros oito meses de 2026, segundo números citados pela associação.
A preocupação das fabricantes tradicionais é que esse crescimento também alcance os Estados Unidos, onde as marcas chinesas ainda não conseguiram estabelecer uma presença relevante no segmento de automóveis de passeio.
EUA já têm restrições contra fabricantes chinesas
Na prática, o mercado norte-americano já conta com barreiras bastante rigorosas. Em 2024, durante o governo de Joe Biden, os Estados Unidos elevaram para 100% a tarifa adicional sobre veículos elétricos importados da China. Somada aos demais impostos aplicáveis, a tributação ultrapassa esse percentual, reduzindo significativamente a competitividade comercial desses modelos.
Outra medida foi adotada em janeiro de 2025, quando o Departamento de Comércio estabeleceu regras para restringir softwares e componentes de veículos conectados associados à China e à Rússia. A regulamentação começou a produzir efeitos em março daquele ano e estabelece limitações para automóveis a partir da linha 2027, atingindo especialmente sistemas de conectividade e determinados componentes eletrônicos.
É justamente sobre esse cenário que a Alliance for Automotive Innovation pretende avançar. A proposta defendida pela entidade busca estabelecer uma proibição permanente, impedindo que fabricantes chinesas encontrem caminhos para comercializar seus automóveis no país, inclusive diante de eventuais mudanças nas políticas comerciais do governo.
O projeto já teve avanços legislativos. Em julho foi aprovado por uma comissão do Senado, contando com o apoio de mais de 100 parlamentares na Câmara dos Representantes. Entretanto, a aprovação definitiva ainda depende de novas votações nas duas casas do Congresso.
A expectativa da associação é concluir a tramitação até dezembro, quando termina a atual sessão legislativa. O prazo, porém, é considerado apertado por especialistas. A mudança na composição política do Congresso após as eleições de meio de mandato também pode dificultar a votação, especialmente no cenário atual onde os democratas assumiram a maioria no Legislativo.
Assim, embora as restrições atuais continuem dificultando a entrada de marcas como BYD, Geely e GWM, o novo banimento ainda não está aprovado. Caso o Congresso consiga concluir a votação e a proposta seja sancionada, as novas regras dependerão dos prazos de implementação previstos na legislação. Portanto, a aprovação ainda em 2026 é uma possibilidade defendida pela indústria, mas não uma medida garantida.
Montadoras representadas pela Alliance for Automotive Innovation:
- Aston Martin;
- BMW;
- Bugatti;
- Ferrari;
- Ford;
- General Motors;
- Honda;
- Hyundai;
- Isuzu;
- Jaguar Land Rover;
- Kia;
- Mazda;
- McLaren;
- Mercedes-Benz;
- Mitsubishi;
- Nissan;
- Porsche;
- Stellantis;
- Subaru;
- Toyota;
- Grupo Volkswagen (Volkswagen, Audi, Bentley e Lamborghini);
- Volvo.