Toyota produz motor flex do Yaris Cross em galpão alugado de Porto Feliz (SP)

4 meses após chuva destruir a fábrica de motores da Toyota, presidente da marca no Brasil anuncia a retomada na produção local dos propulsores

A Toyota segue em ritmo acelerado para voltar à produção normal de motores no Brasil após a destruição completa de sua fábrica de Porto Feliz (SP), atingida por uma forte tempestade em setembro de 2025. Segundo revelou o presidente da Toyota do Brasil, Evandro Maggio, a montadora já iniciou a fabricação dos motores flex do Yaris Cross em um galpão alugado no mesmo município, solução adotada para garantir a retomada das operações industriais enquanto a planta original é reconstruída. As informações foram obtidas pelo site AutoIndústria.

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A unidade original de Porto Feliz, responsável pelos motores dos modelos nacionais da marca, teve suas instalações severamente danificadas após o vendaval que arrancou telhados, comprometeu estruturas e paralisou totalmente a produção. Desde então, a Toyota passou a operar em regime de contingência e importa motores de outros mercados para evitar novos atrasos e manter o abastecimento das fábricas no país.

No caso do Yaris Cross, a situação era ainda mais delicada. O SUV compacto, cuja produção em série começou na última semana em Sorocaba (SP), utiliza um novo motor desenvolvido especificamente para o mercado brasileiro e não tinha estoque pronto. Sem um plano de contingência previamente estruturado, a montadora precisou levar seus equipamentos ao Japão para iniciar temporariamente a fabricação dos propulsores, garantindo o lançamento do modelo no início deste ano. Antes dos problemas, essa previsão era para o último trimestre de 2025.

Agora, com a locação de um espaço industrial conhecido como Galpão DRV, a Toyota conseguiu reinstalar parte do maquinário em Porto Feliz e dar início à produção local dos motores flex do Yaris Cross. O local, que inicialmente serviria apenas para armazenar equipamentos, acabou sendo adaptado para operar como uma linha provisória de montagem até que a fábrica definitiva seja reconstruída, algo previsto apenas para o fim de 2027.

Reestruturação interna e externa

Enquanto isso, a estratégia da marca segue em duas frentes. Para os modelos híbridos Corolla e Corolla Cross, a solução segue sendo importar motores do Japão já aceitando etanol, o que permitiu a retomada gradual da produção ainda em novembro. Já no caso do Yaris Cross, apenas as versões destinadas à exportação receberão motores a gasolina importados do mercado japonês, enquanto as unidades vendidas no Brasil utilizam os propulsores flex agora produzidos novamente em solo nacional.

A reorganização também envolveu a realocação de funcionários. Parte dos cerca de 800 trabalhadores da antiga fábrica foi transferida para Sorocaba, outra parcela passou a atuar no galpão alugado e um número reduzido permanece em regime de lay-off. Segundo Maggio, o episódio é tratado internamente como um dos momentos mais difíceis da operação brasileira, mas destacou a rapidez da matriz e de outras subsidiárias em apoiar a recuperação local.

A retomada da produção de motores ocorre em paralelo ao avanço do Yaris Cross no mercado nacional. O SUV é vendido em versões a combustão e híbridas, com preços entre R$ 149.990 e R$ 189.990, e marca a entrada definitiva da Toyota no segmento de SUVs compactos produzidos no Brasil. Para este ano, a projeção da marca é fabricar 52 mil unidades do modelo, sendo 30 mil com motor flex e o restante destinado à exportação.

Segundo o presidente da Toyota, o capítulo difícil que afetou a cadeia produtiva da marca no Brasil contou com ágil ação da matriz e de outras subsidiárias. Apesar das perdas em Porto Feliz, a Toyota mantém inalterados seus planos de expansão no nosso país. O projeto da segunda fábrica em Sorocaba, parte do investimento de R$ 11,5 bilhões anunciado em 2024, segue confirmado, com inauguração prevista para o último trimestre deste ano.

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