Só para taxistas? Conheça a nova marca acessível da BYD na China
Nova marca do grupo BYD usa modelos já existentes, com menos equipamentos e potência, para serem opções mais em conta no transporte urbano
A BYD decidiu reorganizar sua atuação no mercado chinês e criou uma nova marca voltada exclusivamente para o transporte profissional. Batizada de Linghui, a submarca nasce com uma missão bem definida: oferecer veículos elétricos e híbridos mais simples, duráveis e baratos para taxistas, motoristas de aplicativo e frotistas. A operação será restrita ao mercado chinês, ainda sem qualquer indicativo de expansão global.
A estratégia passa por um reposicionamento claro do portfólio do grupo. Enquanto a marca BYD principal busca se distanciar da imagem de veículos básicos e reforçar uma proposta mais refinada e tecnológica, a Linghui ocupa o degrau inferior da gama, assumindo o papel de solução racional para uso intenso no dia a dia urbano. A ideia é reduzir custos, facilitar a manutenção e garantir baixo custo operacional, mesmo que isso signifique menos potência e equipamentos.

Para acelerar esse processo, a Linghui não parte do zero. Seus carros utilizam projetos já conhecidos da BYD, reaproveitando plataformas, componentes e a grande capacidade produtiva já instalada pela fabricante. Essa padronização ajuda a diminuir gastos de desenvolvimento e permite escalar a produção rapidamente, algo essencial para atender grandes frotas e contratos corporativos. A marca também terá estrutura própria, separada das concessionárias BYD, reforçando o distanciamento entre os públicos.
Logo no início das operações, a Linghui contará com quatro modelos, todos derivados de carros já existentes no grupo. O mais acessível deles é o Linghui e5, que nada mais é do que o BYD Qin Plus rebatizado. O sedã médio é pouco maior que King nacional, com 4,8 metros de comprimento e 2,71 m de entre-eixos, mas usa propulsão exclusivamente elétrica com motor dianteiro de 135 cv.

Acima dele aparece o Linghui e7, outro sedã elétrico, com 4,78 m de comprimento e entre-eixos maior, de 2,82 m. Nesse caso, o modelo pode ser oferecido com duas opções de motor: uma versão com os mesmos 135 cv do e5 e outra um pouco mais potente, com 176 cv, sempre com um único motor elétrico. A proposta segue a mesma lógica: simplicidade mecânica e menor custo de operação.
O terceiro sedã da gama é o Linghui e9, que ilustra o topo da matéria. O e9 é a versão simplificada do elétrico Han, modelo que hoje ocupa o topo da oferta da BYD no Brasil. Apesar de manter as grandes proporções, com 4,99 metros de comprimento e 2,92 m de entre-eixos, o e9 abandona qualquer pretensão esportiva. As opções de motorização ficam em 183 cv ou 203 cv, números bem mais modestos que os 517 cv do Han que conhecemos.

No topo da nova marca está a Linghui M9, uma minivan baseada na BYD Xia. Ela é, até o momento, o único modelo híbrido da estreante. O conjunto combina um motor a combustão 1.5 litro com um motor elétrico, resultando em 271 cv de potência combinada. Pensada para transporte de passageiros, a M9 aposta em espaço interno generoso, com 5,2 metros de comprimento e 3,04 m de entre-eixos, além da versatilidade típica de uma van urbana.
Os preços dos modelos ainda não foram divulgados na China, mas a proposta da Linghui deixa claro que o foco não está em margem elevada, e sim em volume, durabilidade e eficiência no uso profissional. Também não há qualquer plano para levar a marca a outros países. Para a BYD, a Linghui funciona como uma divisão estratégica: atende um público específico, preserva a imagem das marcas principais do grupo e amplia a presença da empresa em serviços de mobilidade urbana sem misturar discursos.
