SKD vs CKD: diferenças, vantagens e impactos para a indústria nacional

Com a recente inauguração da fábrica da BYD em Camaçari (BA), muito tem se falado em SKD, regime em que atualmente são montados os veículos que dali saem. Mas fica a dúvida: afinal, o que é SKD? 

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O que significa SKD e CKD

Termos como SKD (Semi-Knocked-Down) e CKD (Completely-Knocked-Down) referem-se a estratégias de importação parcial de veículos ou produtos que não chegam completamente montados. Isso permite que etapas finais da montagem (acabamentos, ajustes e integração de componentes) sejam realizadas no país de destino. Essas práticas têm impacto direto sobre tarifas de importação, geração de empregos locais e a competitividade da indústria nacional.

No regime SKD, parte substancial da montagem já foi feita na origem — componentes maiores, como carroceria, motor ou conjunto de suspensão, chegam pré-montados. No destino, permanece concluir acabamentos, ajustes e montagem final. Como se fosse um lego sendo montado.

Já no CKD, quase todas as peças chegam separadas — painéis, motor, interiores — exigindo uma linha de montagem mais completa no país importador, para realizar soldagem, pintura, ajuste fino e montagem integral. No regime CKD não é necessário que haja fornecedores nacionais, todavia, a tendência é a nacionalização progressiva da produção.  

Benefícios fiscais e tarifas aduaneiras

Uma motivação frequente para adotar SKD ou CKD é a redução de tributos sobre veículos importados. Em muitos países, os kits de montagem parcial recebem tratamento aduaneiro mais favorável para incentivar a instalação de fábricas locais.

No Brasil, já houve regulação que concedia redução do Imposto de Importação para SKD (18 %) e CKD (16 %) em casos específicos. Recentemente, entretanto, o governo aprovou medidas que estabelecem que veículos elétricos e híbridos importados em SKD ou CKD passarão a ficar sujeitos à alíquota plena de 35 % a partir de janeiro de 2027. 

Vantagens e desvantagens

O SKD exige menor investimento inicial e permite montagem mais rápida, já que partes maiores chegam pré-montadas, oferecendo benefícios fiscais moderados em comparação com veículos totalmente montados (CBU). Por sua vez, o CKD gera mais empregos locais, estimula a cadeia de fornecedores nacionais, possibilita incentivos fiscais mais agressivos e oferece maior flexibilidade para adaptar versões, componentes e normas locais.

No entanto, o CKD também apresenta desafios significativos: requer estrutura completa de solda, pintura e montagem, mão de obra qualificada, custos fixos elevados e logística mais complexa, além de riscos de atrasos ou falhas caso o controle de qualidade local não seja eficiente. 

Impacto para o Brasil

Historicamente, o Brasil favoreceu a importação em regimes SKD e CKD em vez de veículos completamente montados (CBU), como forma de estimular a indústria nacional.

No entanto, com o avanço da mobilidade elétrica, em julho deste ano, o governo decidiu antecipar a cobrança da alíquota máxima de 35 % para veículos eletrificados (elétricos e híbridos) em regimes SKD e CKD, de julho de 2028 para janeiro de 2027. 

Para equilibrar a balança, entretanto, o colegiado da Camex / Gecex aprovou cotas de importação com alíquota zero, válidas por seis meses, para kits SKD e CKD de veículos elétricos e híbridos, com limite de US$ 463 milhões. 

Essa decisão veio em meio a um pleito da BYD, que solicitava redução de imposto para operações SKD/CKD durante o estabelecimento de sua fábrica em Camaçari (BA). Embora o pedido completo da BYD não tenha sido atendido, foi concedido o regime especial de isenção temporária, como uma “ponte” entre a importação parcial e a produção local plena. 

A antecipação da tarifa e o prazo limitado de isenção pressionam fabricantes a avançarem para nacionalização de componentes ou absorverem o aumento tributário no preço final.

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