Diante do recuo em EVs promovido pela Stellantis após prejuízo, Fiat 600 agora também tem motor a 1.2 turbo a gasolina com câmbio manual
O Fiat 600 acaba de ganhar uma nova versão na Europa que simboliza muito mais do que uma simples ampliação de gama. Depois de nascer com forte apelo eletrificado, indo de variantes híbridas a 100% elétricas com preparação Abarth, o SUV agora passa a contar com uma configuração puramente a combustão, movimento que reflete uma mudança clara de estratégia dentro da Stellantis.
Após registrar um prejuízo bilionário em 2025, o grupo reconheceu que acelerou demais sua aposta na eletrificação, revendo investimentos e reposicionando produtos. A chegada do 600 a gasolina encaixa perfeitamente nessa nova fase, que busca equilibrar portfólio e, principalmente, recuperar volume de vendas em mercados onde o elétrico ainda não se consolidou com margem de lucro.
Quando foi apresentado, o 600 assumiu o papel de reposicionar a Fiat no segmento de SUVs compactos na Europa, com base compartilhada com outros modelos do grupo e o estilo icônico do Fiat 500. Inclusive, ele chegou “perto” do Brasil: sua variante mais potente foi uma das estrelas do estande da marca no Salão do Automóvel de São Paulo de 2025, mas nunca chegou a ser vendido por aqui, diferente da Argentina, que recebeu o modelo dentro da proposta eletrificada.
Agora, com a nova versão, a Fiat muda o discurso. Debaixo do capô, entra em cena o motor 1.2 turbo de três cilindros, com cerca de 99 cv e torque próximo dos 20 kgfm. O conjunto traz injeção direta, turbocompressor e corrente de distribuição, priorizando durabilidade e eficiência. Tudo isso sempre combinado ao câmbio manual de seis marchas, um detalhe cada vez mais raro e que reforça a proposta de uma condução mais “tradicional”, para aumentar o volume de vendas.
Na prática, essa configuração passa a ocupar a base da linha, ampliando o alcance comercial do modelo com uma opção mais acessível. Mesmo assim, o 600 mantém um bom pacote de equipamentos, com itens como iluminação Full LED, painel digital de 7 polegadas e central multimídia de 10 polegadas nas versões de entrada, enquanto as configurações mais completas adicionam rodas maiores, acabamento refinado e recursos como carregamento por indução e iluminação ambiente.
Para marcar a estreia, a Fiat também criou a série especial Street Edition, com visual mais escurecido e proposta estética voltada ao público jovem. Elementos em preto brilhante, rodas de 18 polegadas com acabamento dark e detalhes exclusivos na carroceria e no interior reforçam a identidade dessa versão limitada, que terá produção restrita a 2.000 unidades.
O movimento não é isolado dentro da marca. Ainda em 2025, a Fiat já havia feito algo semelhante com o Fiat 500, que ganhou uma versão híbrida com câmbio manual após o desempenho abaixo do esperado em sua versão totalmente elétrica, inclusive no Brasil, onde praticamente não encontrou espaço.
O novo 600 a combustão vai além de ser apenas uma alternativa dentro da gama e passa a representar um reposicionamento estratégico mais amplo. Assim como aconteceu com outros modelos do grupo, a Fiat parece ter entendido que a transição energética precisa acompanhar o ritmo real do mercado, e não apenas projeções otimistas.
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Tá demorando pro povo entender que esse negócio de eletrificação de frota anda correndo rápido demais. Aqui estão colocando tanto álcool na gasolina que na prática, significa uma tentativa velada de acabar com a gasolina, obrigar o uso do álcool e mais tarde, obrigar a eletrificação da frota. Por aí, quem mistura álcool na gasolina, mistura 10%. Aqui já se fala em 30/35%. O biodiesel lá fora é coisa de 7% Aqui já se fala em colocar 15% e o dono do caminhão que lute! Infraestrutura pra eletrificação? Ah! Não precisa! A gente resolve quando aparecer o problema lá na frente. É sempre assim...