A foto de abre dessa coluna explica o porquê desse título tão provocativo. Lá nos início dos anos 90, eu participei de um rigoroso comparativo de marcas de pneus. À época, o mercado não tinha exemplares importados e consumia as únicas três marcas que produziam no país: Pirelli, Firestone e Goodyear.
O procedimento para montar o comparativo foi bem cauteloso. Pegamos um Gol GL emprestado da Volkswagen, que ainda cedeu 36 rodas para que os pneus do teste fossem montados. Escolhemos três medidas: 155/82 R13, 175/70 R13 e 185/60 HR14. Tínhamos nove jogos de pneus, portanto, três de cada marca.
Cada pneu foi montado e balanceado em sua roda. E cada jogo foi para a pista, sempre no mesmo carro, e testado pelo mesmo piloto, neste caso o Douglas Mendonça, que aparece à frente na imagem. Eu fui um ajudante geral, tipo produtor, que cuidava da planilha, tabulava os resultados e escalonava qual jogo deveria ser montado no carro para cada prova.
Medimos nível de ruído, consumo, performance (aceleração, velocidade máxima e curva reversa) e, naturalmente, frenagens (pista seca e molhada). Lembro que foram mais de 3.000 km rodados. O grande vencedor foi o Firestone Firehawk 185/60 HR14, após uma pontuação que considerava itens como segurança com maior peso.
Como os pneus e as rodas seriam descartados ao final do teste, adivinhe… peguei esse jogo “campeão” e instalei no meu Gol de uso pessoal. E fui feliz por um bom tempo, principalmente quando chovia, situação em que sua performance se destacava frente aos demais modelos da época.
Trabalhei como um condenado nesse comparativo, pois imagine… cada jogo de pneus tinha todas as provas já descritas a cumprir, e isso dentro da metodologia da revista, que exigia seis passagens. Você se descartava a melhor e a pior e tirava a média aritmética das outras quatro. Só nas provas de aceleração, portanto, o Douglas arrancou 54 vezes (9 jogos de pneus vezes 6 acelerações para cada um). Só a embreagem de um Gol AP daquela época para aguentar essa pauleira.
Só sei que o resultado do teste trouxe descobertas muito legais, como um resultado melhor a favor do Pirelli P4 185 (3º colocado no ranking geral) do que do P44 175 (apenas o 5º). E, de forma bem didática, a revista cumpriu seu papel de fornecer informações claras e confiáveis para que cada leitor escolhesse exatamente a medida e a marca de pneu que melhor lhe atendesse. Se alguém comprava pneu só pensando na baixa resistência à rolagem, que redundava em melhor consumo, ele escolhia o Pirelli P4. Já quem quisesse um jogo de pneus que tivesse a melhor performance em pisos molhados, como era o meu caso, a opção recaía no Firehawk. E assim por diante.
Sei que ajudei a construir uma das reportagens mais memoráveis e úteis dos anos 90 no meio automotivo. Além de ter trabalhado como um borracheiro de mão cheia, eu nunca mais vou trocar tanto pneu na vida…
Aliás, vou. A ideia dessa coluna é justamente para lançar a ideia: quem quer repetir essa reportagem nos dias de hoje? Estou procurando alguma mídia (revista, jornal, site, canal de YouTube etc) pra estruturar e publicar esse trabalho.
Responda pra mim: se eu quiser comprar um jogo de pneus para o meu carro hoje? O que eu devo escolher? Vou no Michelin ou no Continental, para não errar? E pago pelo valor de um ou de outro? Pode ser que valha a pena. Ou escolho uma marca chinesa, que custa menos da metade, e corro o risco? Talvez nem seja tão arriscado… O fato é que há pragmaticamente muitas perguntas sem respostas. Por isso quero fazer esse novo teste.
Como funcionaria
Já arquitetei tudo. Usaríamos dois carros: a ideia é adotar um hatch, onde testaríamos pneus aros 15, 16 e 17, e um suve (18, 19 e 20). Seriam seis medidas, não três, como nos anos 90. Só que o número de marcas é absurdamente maior, principalmente se introduzirmos os pneus importados. Os testes seriam semelhantes: aceleração, nível de ruído, frenagens, curva reversa e consumo. Mas olha o tamanho que esse comparativo pode se transformar??
E para aprimorar o que foi feito nos anos 90, minha ideia é introduzir mais dois testes: conforto e durabilidade. O primeiro deles pode ser realizado através de acelerômetros e sensores de vibração espalhados pelo carro. Você instala esses aparelhos e sai com o veículo em um percurso pré-determinado, rodando sempre na mesma velocidade. As oscilações geradas pela carroceria poderão determinar qual pneu “flexiona” mais ou menos, o que, grosseiramente, poderemos chamar de conforto. Nisso eu precisarei de apoio mais técnico, confesso, possivelmente conversando com as engenharias dos fabricantes. Prometo que volto com algo mais “maduro”.
Caso eu encontre um laboratório independente, inclusive, que não pertença a nenhum fabricante, posso até simular ensaios virtuais para detectar a durabilidade de cada pneu. Já pensou se isso puder ser feito? Não seria o máximo descobrir que o pneu A custa mais caro, mas deve durar 25% de tempo a mais, como exemplo??
Curto e grosso, caros colegas: quem topa fazer esse teste comigo e publicá-lo?
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