Quais outros modelos também usam a correia banhada a óleo?
Sistema já foi adotado por diversas marcas
O Chevrolet Onix ficou no centro das discussões sobre correia dentada banhada a óleo, mas ele não é o único modelo a utilizar esse sistema. No Brasil, quem estreou a tecnologia foi a Ford, em 2014, com o Ka 1.0 de três cilindros. A marca americana também aplicou a solução no motor 1.5 Dragon (Ka e EcoSport), no 1.0 EcoBoost (Fiesta), e ainda mantém no 2.0 turbodiesel da Ranger e do furgão Transit.
A Peugeot e a Citroën também recorreram ao sistema no motor 1.2 Puretech de três cilindros, usado no 208 e C3 de segunda geração. Esses modelos, porém, foram descontinuados ainda em 2019.
Já a Chevrolet adotou a solução mais recentemente, em 2019, com a família de motores CSS (1.0 aspirado, 1.0 turbo e 1.2 turbo). Hoje, além do Onix, também utilizam a correia banhada a óleo a picape Montana e o SUV Tracker.
Durabilidade varia conforme o motor
A grande promessa da correia banhada a óleo era justamente a durabilidade estendida. No caso da Ford, o motor 1.0 tinha previsão de até 240 mil km ou 10 anos, enquanto os 1.5 e o 2.0 turbodiesel tinham vida útil estimada em 160 mil km. Já nos motores franceses, a durabilidade era de apenas 80 mil km, semelhante às correias tradicionais.
Na Chevrolet, a estimativa é ainda maior: até 240 mil km ou 15 anos, dependendo do que ocorrer primeiro.
Por que o Onix concentra as críticas?
A resposta está nos números. Embora Tracker e Montana compartilhem a mesma família de motores, o volume de vendas do Onix é muito superior. Segundo a Fenabrave, em 2025 o hatch teve 42.078 unidades emplacadas, contra 34.212 do Tracker e 11.784 da Montana.
Na prática, isso significa mais veículos em circulação, mais proprietários relatando problemas e, consequentemente, maior repercussão. A polêmica, portanto, está mais relacionada à popularidade do Onix do que à exclusividade do sistema.
Mas, segundo a Chevrolet, é uma questão do tipo de dono de cada carro. O Onix é um carro muito presente em frotas de carros de aluguel e muito usado por motoristas de aplicativo. Segundo eles, são perfis de usuários que não fazem a manutenção adequada e usam o óleo errado, o que prejudica o sistema.

O que mudou?
Agora, pra linha 2026, a Chevrolet mudou o fornecedor da correia dentada banhada a óleo e trouxe uma correia mais sofisticada, mais resistente à óleos ruins.
Mas a grande questão é porque a montadora não fez a escolha por um produto melhor antes?
Modelos que já usaram correia banhada a óleo no Brasil
- Ford: Ka, Ka Sedan, EcoSport, Fiesta, Ranger (2.0 turbodiesel), Transit (2.0 EcoBlue)
- Peugeot: 208 1.2 (até 2019)
- Citroën: C3 1.2 (até 2019)
- Chevrolet: Onix, Tracker e Montana (motores CSS 1.0 e 1.2, aspirados e turbinados)
Entre eles, alguns já saíram de linha, como Ka, EcoSport, Fiesta e os compactos franceses. Outros permanecem no mercado, como os utilitários da Ford e os modelos atuais da GM.
A decisão da Stellantis e o futuro do sistema
Na Europa, a Stellantis decidiu aposentar a correia banhada a óleo em seus motores mais recentes, após reclamações envolvendo a primeira geração do 1.2 Puretech. A partir de 2022, versões híbridas leves do mesmo motor passaram a adotar corrente de comando, que também já é padrão nos motores 1.0 e 1.3 GSE usados por Fiat e Jeep.
Alguns modelos ainda mantêm a correia reforçada em determinadas versões, como o Peugeot 308 convencional de 130 cv, mas o nome “PureTech” foi abandonado pela empresa para evitar desgaste de imagem.
Com a Chevrolet enfrentando questionamentos semelhantes no Brasil, fica a dúvida: não seria mais seguro seguir o mesmo caminho e migrar para a corrente de comando nos próximos motores?
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