Produção de veículos recua e fica abaixo de projeção da Anfavea

Mês de novembro registrou queda e total anual de 2,46 milhões de unidades produzidas representa apenas 4,1% de alta em relação a 2024

A indústria automotiva brasileira encerrou novembro em ritmo mais fraco do que o esperado e não correspondeu a expectativa de crescimento projetada pela Anfavea para 2025. O setor produziu 219 mil veículos no mês, volume que representa retração de 8,2% na comparação com novembro de 2024 e que levou o acumulado anual a 2,46 milhões de unidades, resultando em um avanço modesto de 4,1% sobre as 2,36 milhões registradas no mesmo período do ano passado.

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Ao apresentar os resultados, Igor Calvet, presidente da Anfavea, reconheceu que o desempenho afasta a possibilidade de cumprir a meta oficial. Segundo ele, a previsão de expansão de 7,8% “muito provavelmente” não será alcançada, especialmente diante do impacto dos juros elevados, apontados como o principal fator de freio nas vendas internas e, por consequência, na produção.

Paralisação na fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP) afetou diretamente a produção local de veículos da montadora no Brasil durante os meses de setembro e outubro

O enfraquecimento do mercado afetou tanto veículos leves quanto pesados. Em ambos os segmentos houve quedas em novembro frente a outubro, influenciadas pelo menor número de dias úteis (19 contra 23), mas também recuo em relação ao mesmo mês do ano anterior, evidenciando um quadro mais consistente de desaceleração.

As vendas acumuladas em 2025 cresceram apenas 1,4%, somando 410,2 mil unidades, desempenho distante da alta de 5% inicialmente projetada pela Anfavea. Calvet ressaltou a dificuldade: “Para o mercado chegar ao que projetamos seria necessário um crescimento em dezembro deste ano sobre o mesmo mês de 2024 da ordem de 38%”. No último mês, mesmo com a média diária de 12,6 mil emplacamentos, a maior do ano, o indicador ficou 5,3% abaixo do registrado um ano antes.

O resultado da produção só não foi mais fraco graças às exportações. Apesar da queda de 12% em novembro, os embarques somam 510 mil veículos no ano, crescimento expressivo de 39% que ajudou a sustentar o desempenho das fábricas brasileiras.

Para 2026, Calvet projeta um ambiente diferente no fluxo de entrada de veículos estrangeiros. As importações cresceram 7,2% em 2025, chegando a 413,9 mil unidades, mas a expectativa é de retração, impulsionada pelos investimentos locais de marcas como GWM e Byd, que iniciaram neste ano seus projetos industriais no país.

GWM foi uma das marcas chinesas que inauguraram unidades produtivas no Brasil em 2025

O dirigente também comentou o fim iminente das cotas de importação de CKD e SKD com alíquota zero, válidas até o fim de janeiro. Segundo ele, a entidade acredita que o governo não deverá estender o benefício: “Se houve qualquer discussão, vai ser só no início do próximo ano. Mas acreditamos que o governo manterá o acertado em julho”.

Calvet ainda abordou a recente dificuldade de abastecimento de semicondutores após a China suspender exportações do componente. De acordo com ele, “a partir de uma acerto entre o governo brasileiro e o chinês houve retomada do fornecimento, mas ainda de forma gradual. Não estamos vivendo crise igual à de um mês atrás mas o fornecimento ainda não está de todo normal”.

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