Polêmica! Publicadas regras para carregadores de carros elétricos em prédios

O Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (CNCGBM) publicou um conjunto de normas para a instalação de carregadores de veículos elétricos em prédios residenciais e comerciais no Brasil. As medidas entram em vigor em 180 dias e têm como objetivo aumentar a segurança contra incêndios e padronizar os requisitos de instalação em todo o país.

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O que muda com as novas normas

O documento estabelece que cada prédio com pontos de recarga deverá:

  • Instalar pontos de desligamento manual de energia em até 5 metros da entrada da garagem ou das escadas de acesso;

  • Garantir disjuntores para corte de energia entre a rede elétrica e os módulos de recarga;

  • Sinalizar tanto o ponto de recarga quanto o local de desligamento;

  • Cumprir as normas já vigentes de instalação elétrica, como a NBR 5410, NBR 17019 e NBR IEC 61851-1.

Para prédios novos, as exigências incluem sistemas de detecção de incêndio, sprinklers automáticos, exaustão mecânica para ventilação e estruturas resistentes ao fogo por pelo menos duas horas. Já em edifícios existentes, será obrigatório implantar sprinklers conectados à rede de hidrantes, além de detecção automática e adequação das instalações elétricas.

No caso de garagens externas, as regras são mais flexíveis, sem obrigatoriedade de sprinklers.

Críticas do setor automotivo

A publicação foi recebida com ressalvas pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A entidade reconheceu avanços, como a padronização e o reforço na segurança, mas destacou pontos considerados problemáticos.

Um dos principais questionamentos é a exigência de sprinklers em toda a garagem quando houver sistemas de recarga de veículos elétricos (Save). Para a ABVE, a medida desestimula a instalação de carregadores, uma vez que os custos podem ser altos e não há referência internacional que vincule obrigatoriamente sprinklers aos Save.

A associação também criticou a ausência de menção ao risco de incêndios em veículos a combustão. Apenas em São Paulo, segundo dados do Corpo de Bombeiros, acontecem em média 16 incêndios diários envolvendo carros movidos a gasolina ou etanol, número muito superior ao registrado em elétricos.

Outro ponto de controvérsia é o prazo de adaptação, considerado “inexequível” pela entidade, sobretudo para edifícios antigos, condomínios, shoppings e aeroportos.

Quando as regras passam a valer

As normas publicadas entram em vigor a partir de fevereiro de 2026. Parte das exigências, como pontos de desligamento manual e disjuntores, deve ser cumprida imediatamente após esse prazo. Já a instalação de sprinklers e alarmes dependerá de prazos adicionais a serem definidos por cada estado.

Enquanto especialistas destacam o potencial das novas normas para reduzir riscos em garagens, representantes da indústria defendem ajustes que tornem as regras mais aplicáveis à realidade do mercado.

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