Primeiro carro do Brasil com esse tipo de eletrificação, o C10 é chamado pela Leapmotor de Super-Híbrido, mas o termo pode causar controvérsia
A Leapmotor chegou oficialmente ao Brasil com uma linha totalmente composta por eletrificados. O carro-chefe da montadora chinesa é o SUV grande C10, que conta com uma versão de entrada EV e outra mais cara que inaugura por aqui o sistema REEV, onde um motor a combustão é adicionado para trabalhar junto a outro elétrico recarregável.
Até aí você pode pensar que não passa de um híbrido plug-in como já conhecemos de longa data, mas não! O curioso do REEV é que o motor a combustão não é usado para tracionar as rodas e movimentar o veículo, e sim para gerar energia que ajuda a alimentar a bateria que compõe o sistema elétrico. Logo, o único responsável pelo rodar do carro é o motor livre de combustíveis fósseis.
No caso do Leapmotor C10, um motor a combustão 1.5 aspirado de 4 cilindros em linha foi adicionado sob o capô, como de costume, para funcionar apenas como gerador de energia para o outro elétrico, posicionado na traseira, com 215 cv e 32,6 kgfm. Esses são os números totais de potência e torque do utilitário, já que, reforçando, os propulsores não trabalham juntos para fazer o carro andar e a tração é sempre elétrica.
É aí que entra a parte curiosa da nomenclatura utilizada pela marca para definir o seu lançamento. O C10 REEV conta sim com um tradicional motor a gasolina, mas que só pode ser usado estritamente para alimentar a bateria de lítio-fosfato-ferro com capacidade de 28,4 kWh. Se apenas o motor elétrico é responsável pela função primordial à que o produto se propõe, ele, em tese, não poderia ser chamado de híbrido, mesmo que super.
Diferentes modos de recarga e condução, mas todos elétricos
O proprietário da versão mais cara do C10 vai recarregar o seu veículo como acontece com qualquer outro EV do mercado, entretanto, terá a possibilidade de abastecer o tanque de até 50L do modelo com gasolina para que o 1.5 faça seu papel de gerador. Porém, ainda quando ele estiver vazio, independentemente do nível de carga da bateria, somente o motor elétrico vai agir quando o pedal do acelerador for acionado. Assim, é possível escolher entre recarregar, abastecer, ou utilizar ambos para que o modelo tenha uma autonomia de até 950 km no ciclo WLTP.
Isso garante sempre a mesma experiência ao volante de um EV, como torque instantâneo, sem gargalos nos momentos de transição entre motores dos híbridos tradicionais. No caso do utilitário estreante da Leapmotor, há diferentes programas de condução e modos de energia específicos para escolha. Ao todo, são quatro:
EV+: Prioridade máxima no uso da bateria, com acionamento do motor a combustão quando a bateria alcança um nível mínimo de carga
EV: Recomendado para o uso urbano no dia a dia, prioriza o uso da bateria, com acionamento eventual do motor a combustão se necessário
Combustível: Recomendado para viagens, faz a otimização da energia da bateria e motor a combustão para entregar a melhor autonomia possível
Power+: Aciona instantaneamente o motor gerador, para momentos nos quais é necessário garantir energia para a bateria.
No modo combustível é possível também selecionar o nível de bateria desejado pelo condutor, possibilitando algo pouco comum no segmento: recarregar suas baterias enquanto roda, possibilitando o uso posterior da energia conforme o desejo do dono. Nas paradas, basta escolher o que for melhor para aquela situação: reabastecer o tanque ou recarregar o carro. O C10 sai de 30% para 80% da bateria em 18 minutos com um carregador rápido.
O C10 REEV, assim como o EV, tem tração traseira. O Super-Híbrido, como a marca insiste em chamá-lo, tem velocidade máxima controlada eletronicamente de 170 km/h e precisa de 8,2 segundos para ir de 0 a 100 km/h.
O conjunto mecânico até então inédito do modelo entrega condução 100% elétrica com autonomia de híbrido plug-in, destacando-se positivamente em relação aos EVs convencionais por rodar consideravelmente mais com uma carga (e um tanque!). Sob a ótica ambiental, a novidade não é totalmente amiga por ainda emitir gases poluentes. Ainda assim, apesar da mistura de duas soluções que, em primeiro momento, pode resultar em um híbrido, fica a dúvida se o C10 não é “apenas” um super-elétrico com ajudinha extra.
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