Combustível adulterado: males causados pela nafta e metanol para o seu carro e sua saúde

Combustível adulterado: males causados pela nafta e metanol para o seu carro e sua saúde
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Tem sido amplamente divulgado pela imprensa, as operações da Polícia e da Receita Federal na caça de uma verdadeira máfia que se instalou na produção e distribuição de combustíveis pelo território nacional. Organizações ilegais, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), montaram verdadeiras estruturas industriais com o claro objetivo de fabricar combustíveis adulterados com uma verdadeira e absurda margem de lucro, vendendo gato por lebre. Nessas estruturas de desonestidade, somam-se ilegalidades como sonegações de impostos, que prejudica o país, os estados e os municípios; estruturas de distribuição de combustível adulterado com o risco para a população no caso de um acidente com um caminhão transportando essas perigosas misturas; danos mecânicos para o veículo como um todo, não projetados para o poder corrosivo dessas misturas, e até danos à saúde humana, pois já se sabe que esses bandos adulteradores utilizavam a nafta e o metanol como principais elementos das tais perigosas misturas.

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O metanol, é um tipo de álcool que difere bastante do etanol que é derivado da cana e vendido em nossos postos de serviço para abastecer os veículos. Vale ressaltar, que o metanol no mercado internacional custa bem mais barato que o etanol, e por isso é importado para diluir etanol e gasolina. Ao contrário do etanol, o metanol em contato com a pele humana, é rapidamente absorvido pelo organismo e pode causar males seríssimo para a saúde humana. Se ingerido ou inalado pode causar cegueira, ataque ao sistema nervoso e pode causar até a morte. Por isso, o metanol quando manuseado deve ser feito com equipamentos especiais de segurança, com o uso de luvas e mascaras que evitem a direta inalação do produto. Pobre do frentista que trabalhe em um posto de serviço que utilize combustível adulterado com metanol. Corre seríssimos riscos com sua saúde, sem saber que está manuseando um produto perigosíssimo.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Sabe-se pelas informações prestadas pela Polícia, que aqueles que adulteravam combustível, importavam o metanol, que é amplamente utilizado aqui no país pela indústria química e, por isso, sua importação acontece em altos volumes. Os adulteradores, utilizavam o metanol para diluir a gasolina em proporções variadas e, é claro, que essa adulteração mudava completamente as características da gasolina distribuída de maneira correta em todo o país. Essas alterações, ocorriam também com o próprio etanol que era diluído com o metanol em proporções, acreditem, que chegaram a ser descobertos na razão de até 90% de metanol para apenas 10% de etanol. Nem é preciso dizer o risco do metanol diluído tanto na gasolina quanto no etanol poderiam causar a saúde das pessoas que manuseiam essas misturas.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

E esses combustíveis adulterados também prejudicam sensivelmente a vida útil dos componentes do sistema de alimentação dos motores. Estamos falando em bomba de combustível, flauta, bicos injetores e até males causados nas válvulas de admissão e cabeças do pistão. O metanol em sua queima nos motores, deixam formar uma espécie de laca que em casos extremos gruda nas hastes das válvulas chegando a impedir seus movimentos de abre e fecha. Isso certamente paralisaria o motor. E, é claro, contaminaria também o óleo lubrificante, fazendo com que ele perdesse sua função e existisse até mesmo o risco de um motor fundido.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os desonestos adulteradores, também importavam a nafta para diluir gasolina e etanol. A nafta é um derivado do petróleo utilizado amplamente na produção de gasolina, plásticos e borracha sintética e a indústria petroquímica utiliza a nafta como um solvente em suas diversas aplicações. Por isso, nunca causou estranheza a ninguém o aumento de volume do consumo de nafta no país. A nafta é um liquido incolor que tem um cheiro muito forte e não deve, em hipótese alguma, ser inalado pelo ser humano com sérios riscos principalmente ao sistema respiratório. Pois é exatamente a nafta que os adulteradores utilizavam, principalmente na gasolina. Para os motores dos carros, a nafta ocasiona perda de potência, pelo seu baixo poder antidetonante, isso causa detonações espontâneas do motor na fase de compressão. Uma catástrofe! Assim como o metanol, a nafta em excesso causa sérios problemas no sistema de alimentação e pode, em casos extremos, como em uma subida de serra em um dia quente, causar queima da junta do cabeçote por super aquecimento ou até abrir furos nas cabeças do pistão por excesso de temperatura. Um problema seríssimo que inutilizaria o motor.

Por essa rápida explanação acima, fica muito claro que devemos ainda mais, tomar cuidado onde abastecemos os nossos carros. Pelas investigações preliminares da Polícia, já se tem noticias de mais de 1200 postos de combustíveis envolvidos na falcatrua. A maioria quase absoluta, de postos sem bandeira. Pague alguns centavos a mais por litro de combustível, mas tenha a certeza de que seu carro chegará ao seu destino desejado. E lembre-se, que a conta dos danos causados pelo combustível adulterado será muito, mas muito mesmo, mais caro do que você economizou comprando gasolina ou etanol mais barato. É sempre bom lembrar que combustível adulterado aumenta, e muito, o consumo de combustível que normalmente vem acompanhado de uma perda de desempenho. Por isso o que você economizou no abastecimento estará gastando também no aumento do consumo. Uma conta que não fecha!

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Douglas Mendonça

Douglas Mendonça

Douglas Mendonça é jornalista na área automobilística há 46 anos. Trabalhou na revista Quatro Rodas por 10 anos e foi diretor de redação da revista Motor Show até 2016. Formado em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero, estudou três anos de engenharia mecânica na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e no Instituto de Engenharia Paulista (IEP). Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e a Mil Quilômetros de Brasília em 2004. 🙋 PARCERIAS: comercial@carroscomcamanzi.com.br

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