Cobrança eletrônica de pedágio: como não cair em golpes?
Com o aumento dos sistemas de pedágio eletrônico sem cancelas no Brasil, tentativas de golpes envolvendo links e boletos falsos cresceram
A expansão do pedágio eletrônico no modelo free flow tem transformado a experiência do motorista nas estradas brasileiras, já que o sistema de fluxo livre elimina praças com cancelas e faz a cobrança automática por meio de pórticos instalados nas rodovias. O modelo já avança em corredores estratégicos do país, como no Sistema Anchieta-Imigrantes em São Paulo, e pontos específicos da BR-381, em Minas Gerais. Porém, junto com a modernização, também cresceram as tentativas de golpe envolvendo falsas cobranças.
No sistema free flow, câmeras e sensores identificam o veículo por meio de tag instalada no para-brisa ou pela leitura da placa. Quem utiliza tag tem o valor debitado automaticamente na conta vinculada. Já quem não possui o dispositivo precisa consultar a concessionária responsável pelo trecho e efetuar o pagamento dentro do prazo estipulado pelos canais oficiais.

É justamente nessa etapa que criminosos têm atuado. Os casos de motoristas que relatam o recebimento de mensagens por SMS, WhatsApp e redes sociais com links que prometem a consulta ou a quitação de supostos débitos de pedágio vêm aumentando. As páginas simulam o ambiente de concessionárias ou plataformas conhecidas e induzem o pagamento via boleto ou Pix.
Segundo uma empresa especializada em cibersegurança contratada pela plataforma Sem Parar, que fornece serviços para o uso de pedágios eletrônicos, mais de 50 domínios falsos foram identificados desde dezembro do ano passado. Esses sites foram criados para se passar por serviços legítimos de consulta e pagamento de pedágio, levando motoristas a acreditar que estavam regularizando pendências reais. Na prática, os valores iam diretamente para os golpistas.
Confie apenas em canais oficiais
Diante desse cenário, a principal orientação é evitar qualquer link recebido por mensagens não solicitadas. A consulta e o pagamento de débitos devem ser feitos exclusivamente nos sites oficiais das concessionárias ou por meio de plataformas indicadas pelos órgãos reguladores. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recomenda que o motorista busque diretamente os canais oficiais das operadoras responsáveis por cada rodovia ou utilize o sistema Siga Fácil, do governo federal, para verificar e quitar pendências com segurança.
Outra forma de reduzir drasticamente o risco de fraude é optar por meios automáticos de pagamento, como a tag veicular. Por eliminar a necessidade de acessar links, gerar boletos ou escanear QR Codes, o dispositivo realiza a cobrança diretamente na conta cadastrada, diminuindo a exposição do usuário a páginas falsas.

“O free flow é uma mudança estrutural na forma como o Brasil lida com pedágio e mobilidade. Sempre que um modelo novo ganha escala, surgem também distorções no ambiente digital. O papel de empresas e concessionárias, junto aos órgãos reguladores, é acelerar a educação do motorista e fortalecer canais confiáveis de pagamento. Quanto mais simples, automático e interoperável for o processo, menor o espaço para fraudes e é nesse ponto que soluções como a tag cumprem um papel importante no amadurecimento do ecossistema”, afirma Humberto Filho, diretor de Relações Institucionais do Sem Parar.
Para não cair em golpes, especialistas reforçam algumas orientações básicas:
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Desconfie de mensagens que cobram pedágio por SMS, WhatsApp ou redes sociais;
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Não clique em links ou QR Codes enviados por canais não oficiais;
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Consulte sempre o site oficial da concessionária responsável pelo trecho percorrido;
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Verifique atentamente os dados do recebedor antes de pagar qualquer boleto ou Pix;
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Sempre que possível, prefira meios automáticos e reconhecidos, como a tag.
Com o avanço do pedágio sem cancelas no Brasil, a praticidade tende a aumentar. Mas, em um ambiente digital cada vez mais sofisticado, informação e atenção continuam sendo as principais ferramentas do motorista para evitar prejuízos.
