Incidentes fatais chamam a atenção para o cuidado ao comprar veículos usados com histórico de acionamento das bolsas de ar obrigatórias
Um alerta recente nos Estados Unidos acendeu um sinal vermelho no mercado automotivo. Ao menos 10 pessoas morreram e outras duas ficaram gravemente feridas no país após acidentes envolvendo airbags falsificados instalados em carros recuperados. A urgência do caso foi divulgada pelo National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), órgão regulador de trânsito local.
O problema não está nos sistemas originais de fábrica, mas sim em peças de reposição de procedência duvidosa, utilizadas principalmente em veículos que já haviam se envolvido em colisões anteriores. Segundo a própria agência americana, todos os casos identificados envolvem automóveis que tiveram os airbags substituídos após acidentes, muitas vezes com componentes ilegais ou de baixa qualidade.
De acordo com a investigação, os infladores defeituosos foram produzidos pela empresa chinesa Jilin Province Detiannuo Automobile Safety System Co. Ltd., também conhecida como DTN, e teriam sido importados de forma irregular para o mercado norte-americano. A comercialização desse tipo de componente é proibida nos EUA.
Procedência duvidosa pode transformar proteção em arma letal
O funcionamento dessas peças, no entanto, é o que mais preocupa. Em vez de inflar corretamente para proteger os ocupantes, os airbags falsos podem se romper no momento do acionamento, projetando fragmentos metálicos contra o motorista e passageiros. Os relatos incluem ferimentos graves no rosto, olhos, pescoço e tórax em acidentes que, segundo o órgão, seriam plenamente sobrevivíveis com airbags legítimos.
Embora os casos registrados até agora envolvam principalmente modelos de marcas tradicionais, com destaque para Chevrolet Malibu e Hyundai Sonata, a NHTSA é enfática ao afirmar que o risco não está restrito a montadoras ou veículos específicos. Na prática, qualquer carro que tenha passado por reparos estruturais após colisões pode estar sujeito ao problema, caso tenha recebido componentes irregulares.
Outro ponto crítico é a dificuldade de identificação. Visualmente, os airbags falsificados podem ser muito semelhantes aos originais, o que dificulta a detecção em inspeções superficiais. A diferença só aparece, muitas vezes, tarde demais, no momento do impacto.
Diante desse cenário, a recomendação das autoridades americanas é direta. Compradores de veículos usados devem investigar o histórico completo do carro antes da aquisição, com atenção especial para registros de acidentes e acionamento dos airbags. Caso haja qualquer indício de substituição, o ideal é submeter o veículo a uma inspeção detalhada em oficinas certificadas ou concessionárias.
A orientação é ainda mais rigorosa para carros com histórico de perda total ou classificados como recuperados. Nesses casos, a verificação da autenticidade dos componentes de segurança se torna essencial. Se houver suspeita de peças irregulares, o veículo não deve ser conduzido até que a substituição correta seja realizada.
Além disso, o episódio reforça outro ponto importante. Mesmo airbags originais podem apresentar falhas caso façam parte de campanhas de recall não atendidas. Por isso, verificar se o carro possui chamados pendentes também é uma etapa fundamental antes da compra. Casos como esse são conhecidos em todo o mundo e têm registros inclusive no Brasil, com milhões de veículos de dezenas de fabricantes diferentes que utilizaram peças da japonesa Takata, envolvida no escândalo de airbags defeituosos.
O caso nos Estados Unidos evidencia um risco silencioso que pode estar mais próximo do que parece. Em mercados onde a procedência das peças nem sempre é transparente, economizar em itens de segurança ou ignorar o histórico do veículo pode transformar um sistema projetado para salvar vidas em uma ameaça real.