A incrível escola de restauro do CARDE

A incrível escola de restauro do CARDE
Foto: Acervo CARDE

Fazia algum tempo que eu queria visitar o CARDE (Carro, Arte e Design), em Campos de Jordão, SP, (1.800 metros acima das preocupações, diz o slogan da cidade) para rever alguns automóveis antigos  que já conhecia dos encontros em Araxá, Águas de Lindóia e também fora do Brasil.

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Estava preparado para rever, além de uma linda Izotta Fra​schini, ​a coleção de Ferraris e BMWs e muitas outras maravilhosas máquinas, ​como a Jardineira Fiat (produzida na Itália entre 1912 e 1914 e só existem duas no mundo) que foi alvo da “cobiça” do presidente da fábrica, Giani Agnelli, que ofereceu US$ 1 milhão para o seu proprietário, o colecionador Og Pollozi, e ele recusou-se a vendê-la ao empresário.

Porém, o que mais me impressionou no CARDE foi a Escola de Restauro, cuja primeira turma restaurou um Ford Modelo T, 1923 e um Mark 1. Dela, em 2022, participava Bruno Costa de Lima, que hoje é um dos guias responsáveis pela apresentação da escola, que já formou 17 profissionais. Todos sob a tutela do responsável pela escola, o restaurador Mauro Bergamini.

Foto: Acervo CARDE

Entrar na escola de Restauro do CARDE não é uma tarefa simples. Não existe limite de idades, mas, em primeiro lugar, precisa ter ensino médio completo, provar que é “ligado” no automóvel, com perguntas relacionadas com o setor, pois a ideia de perpetuar a cultura do antigomobilismo e manter vivo o sonho de Og Pozolli. Conhecimento de inglês é recomendável porque muitos manuais dos modelos, estão nesse idioma. No total, até hoje foram 117 veículos restaurados, alguns com muito trabalho e outros com mais facilidades.

O Modelo T, exigiu um grande trabalho​, como explica Bruno, porque ele ficara 10 anos sem funcionar e demorou mais de uma hora até o motor “pegar”! Um exemplo das dificuldades foi a falta de peças aqui no Brasil. Muitas vieram do Michigan, estado norte-americano que abriga fabricantes de todas as peças do “Fordinho”. Trouxeram o radiador, o tanque de combustível e peças de acabamento. No total, foram dois anos de trabalho pela equip​e da Escola de Restauração.  ​A​pós esse trabalho,  todo veículo passa pelo crivo do historiador João Pedro Gazineu, que o libera para exposição.

Ela adora carros antigos  

O CARDE existe, graças à paixão por carros antigos Lia Maria Aguiar criadora do museu, que tem como base a coleção de Og Pozolli. Ela adquiriu  o acervo para a fundação que leva o seu nome.​ A ideia do foi de Luiz Goshima que tem como curador Gringo Cardia.

O coração do CARDE

Se você for ao CARDE, dê atenção especial à Escola de Restauro. Lá é possível reconstituir peças mecânicas, elétricas e de lataria para os veículos, além de um laboratório de pintura capaz de produzir a cor original de cada modelo restaurado. Tem até uma cabine de pintura Usitalia, a mesma que atende as escuderias da Red Bull, Ferrari e Alpine da F1.

A parte elétrica tem um box exclusivo, assim como a tapeçaria. Uma “roda inglesa” já permitiu fabricar 30 peças de funilaria de todos os modelos já restaurados, como para lamas de Fusca, Porsche, DKW, Kombi 1960, a “Corujinha”.

É algo para ver com todo carinho,  atenção e muita paciência. E podemos perguntar o que quisermos, pois os guias não se poupam de dar a resposta.

Foto: Acervo CARDE

Carros de sonho

Depois de saber como são restaurados muitos do carros do CARDE, seguimos Lucca Dias do Valle, que fala como emoção e conhecimento de todos os veículos expostos. Sente-se que ele, como Bruno na escola, tem prazer em apresentar a coleção Ferrari, o Mark 1 (restaurado na escola), o Auburni 1929, o Cord L, 1931, que à época custava entre US$ 3.015 e US$ 3.295, dependendo da versão. “Barato” assim também custava o Duesenberg Model Limusine, apenas entre RS$ 8.000 e US$ 10.000. Este foi o modelo usado no filme O Grande Gatsby, estrelado, em 1974, por Robert Redford e Mia Farrow. E refilmado em 2013.

Ele também mostra com entusiasmo um carro que só tem duas unidades no mundo. Uma delas, no museu da Lincoln, nos Estados Unidos e a outra, aqui no Brasil, como ele aponta o Lincoln Model K, com capacidade para sete ocupantes.

Serviço

De São Paulo, capital, são cerca de 180 km, utilizando as rodovias Ayrton Senna, Carvalho Pinto e Floriano Rodrigues Pinheiro. Também é possível usar a Via Dutra, que tem muitos caminhões.

O CARDE não abre às terças quartas-feiras

Ingressos:  valor promocional R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia)

Endereço: Rua Benedito Olímpio Miranda, 280 –Alto da Boa vista, Campos do Jordão, SP, CEP12.472-610

E-mail: contato@carde.org

Site: www.carde.org

Instagram @carde.museu

Telefone (12) 3512 3547

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chicolelis

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chicolelis começou no jornalismo em 1960, no jornal A Tribuna (Santos/SP), passou pela Ford, onde foi aluno do mestre Secco, foi para a Goodyear, depois para O Globo (Sucursal de São Paulo) e dali para GM, onde ficou por 18 anos. Em seguida, fez consultoria para a Portugal Telecom e depois editor do Caderno de Veículos do Diário do Comércio (SP) 🙋 PARCERIAS: comercial@carroscomcamanzi.com.br

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