Uber testa viagens exclusivas entre mulheres no Brasil

A partir de uma nova iniciativa da Uber, passageiras brasileiras poderão escolher ser atendidas apenas por motoristas do sexo feminino em regiões-piloto do país. O recurso, que já operava em outros países, começa a entrar em funcionamento no Brasil como parte da expansão das ferramentas de segurança e conforto para usuárias.

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O que muda para quem solicita e para quem dirige

A funcionalidade oferece às passageiras a opção de selecionar um filtro “motoristas mulheres” no aplicativo da Uber no momento da solicitação. Esse recurso permite que apenas condutoras do sexo feminino apareçam como opção para a corrida. Em paralelo, as motoristas que desejarem também poderão ativar uma preferência para ser solicitadas apenas por passageiras mulheres.

A Uber já oferece no Brasil, desde 2019, o programa U‑Elas, que permite que motoristas mulheres recebam apenas chamadas de usuárias mulheres. O novo passo, agora, é ampliar essa escolha para o assento traseiro.

Onde estreia e por que agora

A empresa anunciou que o recurso será testado a partir desta terça-feira em estados selecionados — em São Paulo nas cidades de Campinas, Piracicaba, São José dos Campos e Ribeirão Preto; em Minas Gerais, Uberlândia; e nos estados do Paraná (Curitiba) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande).

Desafios de implementação

Embora a proposta traga mais opções para passageiras, há obstáculos. A oferta de motoristas mulheres ainda é significativamente menor que a de homens, o que pode resultar em maior tempo de espera ou indisponibilidade desse tipo de corrida em algumas localidades. Esse fator pode gerar frustração para quem aciona o filtro “motorista mulher”. Algumas iniciativas em outros países mostraram exatamente essa limitação: se não houver condutoras disponíveis, a opção desaparece temporariamente. 

Além disso, o equilíbrio entre oferecer escolha e evitar segregação de gênero no serviço é uma discussão em aberto entre especialistas em mobilidade urbana e direitos do consumidor.

Gênero e segurança no Brasil: o que está em jogo

A discussão sobre a nova opção da Uber acontece num contexto de alta preocupação com a violência contra mulheres. O país registrou 1.492 feminicídios em 2024, o maior número da série histórica, e relatos de assédio em deslocamentos — de ônibus a apps de corrida — são frequentes. A soma de fatores (medo, subnotificação e dificuldade de acesso à justiça) ajuda a explicar a demanda por ambientes controlados e maior previsibilidade nas viagens.

Para especialistas em mobilidade e gênero, medidas como a preferência por motoristas mulheres funcionam como “camadas de segurança”: não resolvem a raiz do problema, mas reduzem barreiras de uso e ampliam o conforto subjetivo — algo central para que mais mulheres circulem, estudem e trabalhem com autonomia. Ao mesmo tempo, o avanço depende de três frentes:

  1. Tecnologia (botões de emergência, rastreamento, gravação de áudio e verificação de perfis);
  2. Formação (treinamento de motoristas e campanhas de conscientização);
  3. Articulação pública (protocolos com autoridades e dados transparentes para orientar políticas).

O impacto para passageiras e motoristas

Para as passageiras, a novidade representa uma ferramenta de escolha e controle — fazer uma corrida sabendo que será conduzida por mulher pode reduzir a ansiedade antes do embarque. Para motoristas mulheres, a função pode ampliar o público e oferecer maior autonomia na gestão de corridas, fortalecendo a representatividade feminina na plataforma.

No Brasil, a Uber reconhece que a participação feminina entre motoristas ainda é “um dígito”, e essa iniciativa integra esforços para aumentar a presença de mulheres no volante. 

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