Stellantis vai reduzir produção de Fiat Titano e Ram Dakota por vendas baixas

Baixo desempenho força fábrica argentina da Stellantis a encerrar um dos turnos produtivos e projeção de unidades dos modelos no ano cai em 38%

A Stellantis vai diminuir o ritmo de fabricação das picapes Fiat Titano e Ram Dakota na fábrica de Ferreyra, em Córdoba, na Argentina. A partir de setembro, a unidade passou a operar com apenas um turno na linha responsável pelos dois modelos, encerrando a segunda jornada que vinha sendo utilizada até agosto. A mudança ocorre diante da demanda abaixo do esperado nos mercados argentino e brasileiro, principais destinos das picapes produzidas no país vizinho. A informação foi divulgada pelo sindicato dos trabalhadores da fábrica à imprensa argentina.

A redução altera de forma significativa o planejamento original da Stellantis para 2026. A planta argentina do grupo tinha como meta produzir 27 mil unidades somando Titano e Dakota ao longo do ano. Com a revisão do ritmo, a projeção caiu para 16,5 mil veículos.

Produção das picapes é revisada

A nova previsão também muda os volumes esperados individualmente. A Ram Dakota, que tinha estimativa de produzir outras 8 mil unidades até o fim de 2026, deve ter cerca de 3 mil novos exemplares até dezembro. Para a Fiat Titano, a projeção caiu de 1,5 mil para 1 mil unidades até o último mês do ano.

O ajuste produtivo também provoca mudanças no quadro de funcionários da fábrica. Parte dos trabalhadores entrou em regime de suspensão temporária, enquanto outros serão direcionados para a área de motores. A movimentação ocorre paralelamente ao projeto de produção local do motor 2.2 Multijet, que atualmente é importado da Itália e passará a ser fabricado na Argentina a partir de 2027.

O propulsor continuará sendo utilizado pelas duas picapes e entrega 200 cv e 45,9 kgfm. A produção do motor faz parte do investimento de US$ 380 milhões destinado à unidade de Ferreyra para ampliar a estrutura voltada à fabricação de picapes e motores.

Mercado brasileiro não sustenta ritmo esperado

O desempenho comercial ajuda a explicar a revisão dos planos. No Brasil, entre janeiro e agosto, a Ram Dakota acumulou cerca de 3,2 mil emplacamentos, enquanto a Fiat Titano chegou a 3.479 unidades. Os números ficam bem abaixo dos principais nomes do segmento, como Toyota Hilux, com 30.203 registros no período, e Ford Ranger, com aproximadamente 23,4 mil.

Na Argentina, onde o mercado é menor que o brasileiro, a procura também não foi suficiente para sustentar o volume inicialmente planejado. A Titano somou cerca de 3,4 mil unidades, enquanto a Dakota registrou 2,1 mil. Com a redução para um turno, a Stellantis adequa a produção à demanda atual enquanto mantém os planos de longo prazo para a operação argentina. A fabricação do Fiat Cronos, também realizada em Ferreyra, não será afetada pela mudança.

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