O Estado de São Paulo registrou uma queda de 16,3% no índice de roubo e furto de automóveis nos quatro primeiros meses de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024.
Os dados estão no Boletim Econômico Tracker-Fecap, que acaba de ser tabulado. Foram 16.153 ocorrências entre janeiro e abril. A maior queda foi observada nos roubos, com redução de 40,9%. Já os furtos caíram 12,1%.
Os veículos seminovos – com até seis anos de uso – representam 26,7% do total de boletins de ocorrência na categoria automóveis. No Estado de São Paulo, a queda nas ocorrências especificamente de carros fabricados de 2019 para cá foi 17,3%. Na capital, esse percentual sobe para 28,6%.
A maioria dos bairros que figura entre os mais afetados registrou queda ou estabilidade.
“Destaque para o Ipiranga, que teve redução superior a 48% nas ocorrências totais; e para a Penha, com retração de mais de 30%. Vila Mariana e Vila Prudente caminharam na contramão, com leve crescimento nas ocorrências, o que pode indicar deslocamento de focos de vulnerabilidade ou até mudanças na atuação dos criminosos”, diz Erivaldo Vieira, pesquisador da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e responsável pelo estudo.
“Enquanto tradicionais ‘campeões’ como Itaquera, Vila Formosa e Ipiranga saíram das primeiras posições, regiões como Perdizes e o bairro do Carrão passaram a ocupar o Top 10 de 2025. Essa dinâmica reforça a importância do monitoramento contínuo e da rápida adaptação das estratégias policiais e de prevenção”, afirma Vieira.
Os Fiat Mobi e Argo permanecem no topo do ranking, mas com redução de 16,2% e 23,8%, respectivamente. Outros modelos da Fiat, como Strada e Cronos, também registraram quedas expressivas, consolidando uma tendência de recuo nas ocorrências envolvendo veículos da marca.
Por outro lado, houve crescimento de eventos em modelos da Hyundai, especificamente no caso do HB20: a versão Sense teve aumento de 22,4%; a Comfort subiu 16,1% e o Vision manteve estabilidade.
“Outro destaque é o avanço de modelos que antes não figuravam entre os mais roubados/furtados, como o VW Polo Track e a Saveiro, ambos já entre os vinte listados em 2025”, complementa o pesquisador.
| Marca/Modelo | 2025: Furto | 2025: Roubo | 2025: Total | 2024: Total | Variação (%) |
| FIAT MOBI LIKE | 166 | 26 | 192 | 229 | -16,2% |
| FIAT ARGO DRIVE 1.0 | 149 | 30 | 179 | 235 | -23,8% |
| RENAULT KWID ZEN | 94 | 31 | 125 | 118 | +5,9% |
| FIAT* | 115 | 5 | 120 | 97 | +23,7% |
| HYUNDAI HB20 SENSE | 72 | 21 | 93 | 76 | +22,4% |
| FIAT STRADA VOLCANO | 86 | 1 | 87 | 102 | -14,7% |
| FIAT ARGO 1.0 | 64 | 8 | 72 | 89 | -19,1% |
| HYUNDAI HB20 COMFORT | 48 | 24 | 72 | 62 | +16,1% |
| FIAT ARGO TREKKING 1.3 | 66 | 2 | 68 | 118 | -42,4% |
| FIAT STRADA FREEDOM | 65 | 2 | 67 | 76 | -11,8% |
| FIAT MOBI TREKKING | 63 | 1 | 64 | — | — |
| HYUNDAI HB20 VISION | 54 | 3 | 57 | 66 | -13,6% |
| TOYOTA HILUX | 56 | 0 | 56 | 61 | -8,2% |
| HYUNDAI HB20 COMFORT | 48 | 4 | 52 | 66 | -21,2% |
| VW GOL 1.0 | 47 | 3 | 50 | 83 | -39,8% |
| VW POLO TRACK MT | 22 | 28 | 50 | — | — |
| JEEP RENEGADE AT | 43 | 3 | 46 | 68 | -32,4% |
| RENAULT KWID ZEN | 29 | 14 | 43 | 52 | -17,3% |
| VW SAVEIRO CS | 38 | 2 | 40 | — | — |
| FIAT CRONOS DRIVE 1.3 | 37 | 3 | 40 | 79 | -49,4% |
*Esse registro genérico é resultado de imprecisões no momento do preenchimento do boletim de ocorrência, o que prejudica a análise detalhada por modelo e indica a necessidade de aprimoramento no registro das informações pelas autoridades e pelas vítimas.
Locais das ocorrências
A via pública é o principal cenário dessas ocorrências. “Dos 4.309 registros contabilizados, 3.833 (quase 89%) foram em ruas, avenidas e espaços públicos, reafirmando o alto risco para proprietários que estacionam ou circulam fora de ambientes controlados”, destaca o Gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, Vitor Corrêa.
O segundo local mais vulnerável são estacionamentos e garagens, responsáveis por 183 ocorrências. “É um volume considerável, sobretudo quando se considera a suposta sensação de segurança desses locais”, observa Corrêa.
Na sequência, aparecem estabelecimentos de comércio e serviços (101 ocorrências), residências (62) e uma série de lugares com menor representatividade, como centros empresariais, rodovias, shopping e até mesmo áreas rurais.
“Os números evidenciam que, apesar dos avanços na segurança e da redução geral dos casos, a rua continua sendo o palco preferencial do crime, tornando fundamental investimento em monitoramento, tecnologia e policiamento ostensivo para garantir a tranquilidade de motoristas em todo o Estado”, conclui Erivaldo Vieira.
O especialista do Grupo Tracker também alerta para a importância de os proprietários de veículos não comprarem peças em comércios ilegais. “A escassez e o alto custo de peças automotivas novas contribuem diretamente para o crescimento de roubos e furtos. A sociedade pode contribuir e só comprar peças com nota”, conclui Vitor Correa.
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